V EP – 1º lugar Desafio de Fanfics

Por Ana Marcondes

O Testamento de Lupin

Depois da batalha de Hogwarts, os Weasley e amigos se uniram para um grande funeral em homenagem aos que perderam a vida em nome da paz. A cerimônia fúnebre aconteceu alguns quilômetros perto da casa da família.

Foi cerca de uma semana após a batalha. Todos ajudaram nas preparações, os corpos de Fred, Tonks e Lupin foram levados pelo próprio Sr. Weasley. Muitas pessoas começaram a chegar no inicio da noite. Harry e Hermione os recepcionavam indicando os lugares.

Com todos acomodados, Jorge iniciou o discurso. Falou um pouco de seu irmão gêmeo, e garantiu a todos que Fred não gostaria de um funeral mórbido e triste, mas sim de algo alegre e divertido. Claro que disse isso com intenção de descontrair o memorial, porém só agravou a situação. Depois de Jorge,  Sr. Andrômeda discursou em nome da filha. Não conseguiu falar muito. Então finalmente Harry pôs-se em pé para homenagear Remo Lupin, mas antes disso tomou em seus braços seu novo afilhado Teddy (que ao toque de seu padrinho mudou os cabelos para o mesmo tom dos de Harry):

– Não tenho muito para falar sobre Lupin, apenas me arrependo de não ter tido tempo para perguntar a ele algumas histórias sobre meu pai, e os Marotos. Acredito que essa é a coisa que mais vou sentir falta, porque o único verdadeiro amigo do meu pai que restava se foi. Mas é com grande honra que tenho em meus braços o filho dele, Teddy. Eu prometo que durante toda a minha vida, vou cuidar do Teddy como se fosse meu próprio filho, em forma de agradecimento a esse grande homem que o Lupin foi. Obrigado Lupin e Tonks por me darem esse grande presente. – Levantou Teddy em seus braços.

Mais tarde, Harry voltou para a Toca. Estava subindo para o quarto de Rony, mas foi parado por Sr. Weasley.

– Harry, venha comigo. Quero te mostrar uma coisa.

Os dois desceram até a sala. Sr. Weasley tirou um pedaço de pergaminho dobrado do bolso e entregou a Harry.

– Achei isso no bolso do Lupin, entendo a intenção que ele tinha quando escreveu. Confesso que também fiz um, mas não falei para ninguém. Acho que Molly surtaria se soubesse, iria achar que eu estava “antecipando minha morte”.

Harry abriu com cuidado, o pergaminho estava um pouco molhado. Leu com atenção as palavras escritas com letras pouco legíveis:

“Testamento de Remo John Lupin:

para Harry Potter

Se você esta lendo isso, é porque algo aconteceu comigo. Escrevo isto agora, horas depois do nascimento de meu filho. E espero que as palavras que colocarei aqui sejam um dia cumpridas Harry. Primeiramente e gostaria de lhe pedir do fundo de meu coração, que você cuide muito bem de Teddy, como se ele fosse seu próprio filho. E corrija-o se aprontar algo. Agora vamos a parte que você deve procurar saber. No seu terceiro ano em Hogwarts quando eu ainda lecionava lá, recebi dois pedidos, um de Dumbledore e outro de Sirius. Dumbledore me pediu memórias, da época de colégio. Memórias que eu achasse importante que você visse. Coisas que presenciei com seu pai e os Marotos, coisas que um dia você se divertisse vendo. Deixei-as com Dumbledore, procure vê-las um dia. E Sirius também deixou algumas memórias comigo antes de morrer, nunca as vi. Porém imagino que sejam importantes, talvez tenham uma mensagem para você. Todas estão no escritório de Dumbledore. Por favor, Harry quando tiver tempo dê uma olhada nelas.

Eu sei que não lhe deixei nada de valor material, pois também não tenho muito. Mas espero que aproveite.

R. Lupin.”

Harry encarou o pergaminho por mais alguns segundos. Era como se Lupin tivesse ouvido suas palavras no memorial. Então brevemente lhe passou pela cabeça o desejo de voltar a Hogwarts, mas então lembrou horrorizado da imagem do castelo ardendo em chamas. Guiado pelo medo, resolveu abandonar a idéia de voltar para lá, pelo menos por alguns anos.

*  *  *

Aproximadamente 20 anos depois.

– Harry! Você viu isso? – Disse Gina examinando uma carta com o velho brasão de Hogwarts.

Atordoado, ele levantou assustado de sua cama. Havia perdido a hora do trabalho, estava furioso. No dia anterior havia se deliciado com varias caixas de sapos de chocolates e tortas de abóbora, que os meninos haviam esquecido em casa nas férias de páscoa. O que o deixou acordado a metade da noite.

– Vi o que? – Disse ele esfregando os olhos e bocejando.

– Essa carta… Parece que Alvo entrou para o time de Quadribol e não nos avisou. Por que ele faria isso?

– Vai ver ele tem medo de não ser tão bom quanto eu. – Disse ele rindo sarcasticamente. – Brincadeira, mas Gina, ele deve ter um bom motivo pra não nos contar. Vou mandar uma carta pra ele e pra Tiago perguntando o por que.

Saiu apressado, e aparatou para o Ministério. Chegando lá, deu de cara com Teddy Lupin. O garoto trabalhava de estagiário no mesmo lugar que Harry, Quartel General de Aurores. Estava apressado com uma grande quantidade de papeis nas mãos.

– Bom dia Padrinho, até quando vou ter que fazer isso antes de começar a treinar? – Disse o rapaz desanimado.

– Até eu achar alguém pra colocar no seu lugar. – Disse Harry com tom de superioridade. – Brincadeira, isso é o que tem de sobra. Mas vai continuar assim até me provar que tem responsabilidade suficiente pra ser um Auror.

Viu o garoto sair apressado muito indignado. Se dirigiu ao seu escritório, onde começou a escrever uma carta para Alvo.

Alvo,

Sua mãe encontrou sua carta de admissão no time de Quadribol, eu falei pra você sumir com ela. Agora ela quer uma explicação… Invente algo e escreva imediatamente. E dê os parabéns a sua irmã pelo prêmio de Herbologia, estamos muito orgulhosos.

Pai.

Ele sabia que Alvo odiava que Gina o paparicasse, por isso resolveu não contar a ela que havia entrado no time. Chamou Teddy e o pediu para mandar uma coruja a Hogwarts.

Foi um longo dia de trabalho, logo depois de escrever a Tiago, Harry foi chamado para investigar uma velha bruxa que havia enfeitiçado os itens de uma família de trouxas. Sua vida era assim, não havia muito para fazer como um auror. Não havia nada tão grande, para o homem que havia enfrentado o Lorde das Trevas. Porém Harry não estava acostumado com uma vida tão calma, gostava de ação, e eram esses pequenos problemas que o traziam felicidade. Durante as férias acampava com os meninos, e os ensinava a duelar e jogar Quadribol, Tiago sempre quis ser goleiro, já Alvo sonhava em ser batedor, apenas a pequena Lily se espelhava nos dotes de apanhador do pai.

Chegou em casa cansado e com fome, tinha sorte de ter casado com uma mulher tão boa em culinária, com certeza herança de sua mãe. Mal abriu a porta e foi surpreendido pelo delicioso cheiro de torta de limão vindo da cozinha. Porém ao chegar lá, sua felicidade foi por água a baixo…

– Vamos para Hogwarts. – Disse Gina muito séria.

– O quê? – Disse Harry chocado.

– Isso mesmo, recebi uma coruja de Alvo hoje com uma desculpa esfarrapada sobre não ter me contado que entrou no time. Percebi que estava mentindo e como castigo, nós dois estamos indo para lá ver o próximo jogo dele.

Harry boquiaberto não entendia a situação, não queria voltar para Hogwarts. Depois de tudo que passou lá, fazia quase vinte anos desde a Batalha. Mas teve que admitir para si mesmo que tinha saudade do castelo. Sentiu uma pequena vontade de chorar, mas logo essa vontade se preencheu de raiva.

– Não Gina, não vamos! Você sabe que evito me lembrar de lá há muito tempo. E não tem nada para eu fazer lá, claro que eu gostaria de ver o Alvo jogando, mas tenho mais coisas para resolver aqui. E alguma vez você já viu algum pai visitando os filhos em Hogwarts?

– Harry, já falei com Teddy, ele não se importa de preencher seu cargo por uns dias, aliás, ficou muito feliz. Também mandei uma carta para Neville, ele está providenciando um quarto para nós. E não, nunca vi. Mas você é Harry Potter se lembra? Isso é muito importante para mim, meu único filho no time de Quadribol, quero muito ver um jogo dele. Nós vamos e ponto.

– Vá Gina! Mas eu fico!

Os dois não se falaram mais depois disso. Harry fico a noite toda pensando em como seria voltar para Hogwarts, será que haveriam mudanças? Já fazia vinte anos… Será que os outros pais achariam estranho? Afinal, ele nunca tinha visto os pais visitarem os filhos lá. Mas espera… Tinha sim uma coisa para ele fazer no castelo.

No outro dia de manhã acordou decidido. Iria para Hogwarts, tinha que cumprir com o ultimo desejo de Lupin.

– Gina já me decidi, vou com você. – Disse ele risonho.

Um grande sorriso surgiu na face de sua amada, ela correu até ele e lhe deu um grande beijo, como ele sentia falta disso.

– Então, quando começamos a arrumar as malas?  – Perguntou Harry.

– Já arrumei querido…

– Mas sem me consultar? – Perguntou angustiado.

– Eu sabia que você iria ceder Harry, além disso, não preciso da sua autorização.

Por isso ele a amava, uma mulher decidida, forte, e independente. Gina era perfeita, apenas não acertava a receita de doce de abóbora que ele tanto gostava.

No dia seguinte os dois partiram para a Toca, para pedir o carro voador de Sr. Weasley emprestado. Molly não concordara.

– Gina, não é preciso ir para Hogwarts como castigo. Apenas mande um berrador para ele, tenho certeza que é o melhor jeito. Se eu tivesse ido para lá a cada coisa que vocês faziam, imagine como seria! Harry querido, não tem jeito de convencer ela mesmo…

– Pare de ser neurótica mulher! – Gritou Sr. Weasley, saindo da sala. – Deixem eles criarem seus filhos sozinhos! Harry, já chequei o carro. Está perfeito, voando como um pinguim.

-Mas senhor Weasley pinguins não… Ah, esqueça.

No começo foi estranho dirigir um carro, ainda mais sem estrada. Gina ficou aterrorizada, nunca havia sequer entrado em um.

– Gina, você sabe se a sala de Dumbledore continua a mesma?

– Não, você não se lembra? Logo depois da batalha, muitos bruxos enviaram cartas ao Ministério pedindo a eles para manter a sala de Dumbledore intacta. Então parece que criaram uma nova…Temos que perguntar ao Neville.

Em algumas horas de vôo, avistaram no horizonte as torres do castelo, mais perfeitas do que nunca. Harry sentiu uma grande nostalgia ao ver a floresta proibida, as estufas de Herbologia, o campo de Quadribol, o salgueiro lutador e por fim o grande castelo.

Pousaram o carro, e foram recepcionados por muitos alunos curiosos. Parece que ninguém havia lhes avisado sobre sua visita. Harry ouvia os burburinhos: “Olhe, é Harry Potter!”, “Nossa, como está velho…”. Não foi muito agradável.

– Papai, mamãe!  – Lá vinha Lily, a única filha do casal que foi para Sonserina, talvez a única da família. Mas para eles não importava, um grande homem havia sido de lá também. Logo atrás vinham Tiago e Alvo.

– O que vocês estão fazendo aqui? – Perguntou Tiago, era o que todos queriam saber. Gina lhe contou a história. Logo em seguida apareceu Neville, estava muito magro com uma pequena porção de cabelo branco crescendo em sua cabeça, e uma barbicha rala.

– Harry, Gina! Que prazer em vê-los! Vamos, sigam-me.  – Disse Neville animado.

Ele os levou até terceiro andar, Harry conhecia muito bem aquela parte do castelo, era onde havia embarcado em sua primeira aventura em Hogwarts. Parece que tinha se transformado em um grande quarto, havia uma grande cama de casal, dois abajures, e muitos quadros. Harry sentiu uma ponta de saudade do salão comunal da Grifinória. Deixaram suas coisas, então desceram até o Salão Principal. Gina deixou cair uma pequena e única lágrima ao ver o céu enfeitiçado. Seguiram em frente indo em direção à mesa principal, todos os olhares no casal. Se sentaram na ponta direita, Harry estava distraído ao perceber que uma mulher muito velha se levantara. Imediatamente a reconheceu como a Profª Minerva McGonagall, ela seguiu até a frente da mesa e murmurou:

Sonorus . – Não tinha a mesma voz forte e superior de Dumbledore. Prosseguiu o discurso – Hoje alunos, como vocês já devem ter notado, temos a presença ilustre de dois pais que muitos de vocês já devem conhecer, Gina Weasley e Harry Potter! Os dois estão aqui para presenciar a abertura da temporada de Quadribol de Hogwarts. Aplausos pessoal!

Ao amanhecer Harry e Gina acordaram felizes, se arrumaram e seguiram em direção ao campo de Quadribol. Sentaram na arquibancada, e observaram o pequeno Alvo entrar em campo com o uniforme bordô e dourado. Pode se dizer que era meio desajeitado com a vassoura, mas com o correr do jogo se posicionou bem. O placar terminou em 100 para Corvinal, e 170 para Grifinória. Todos estavam muito felizes, o Salão Principal foi decorado com bandeiras vermelhas e dourado por todos os cantos. Todas as mesas estavam muito agitadas. Harry chamou Neville para um canto.

– Neville, eu vim aqui com um propósito. Claro que gostei muito de ver Alvo jogar, mas tem outra coisa que quero fazer.

– Diga Harry, se estiver ao meu alcance providencio para você.

– Então, eu tenho certas coisas para resolver no escritório de Dumbledore. Lupin deixou algumas memórias para eu ver. Gina disse que o escritório continua intacto, a penseira está lá?

– Sim, mas Harry, ninguém entra lá há anos. Não sabemos a senha.

Neville o guiou até a estátua, Harry parou diante dela, e falou a primeira coisa que lhe veio a cabeça.

– Pateta ! Chorão! Destabocado! Beliscão!

Neville ficou pasmo, lembrou de seu primeiro ano em Hogwarts, nem imaginara tais palavras.

– Harry, precisa de ajuda?

– Não, a partir daqui eu me viro sozinho.

– Ok, até.

Harry entrou no escritório, viu todos os livros, todos os quadros que Dumbledore deixara, todos empoeirados até o poleiro onde ficava Fawkes a Fênix. Agora sim, Harry chorou. Então olhou ao redor, e viu o antigo armário de memórias e a penseira. Estava muito sujo, cheio de poeira. Harry abriu devagar a porta, e viu os pequenos frascos de cristal. Procurou um com o nome de Lupin, finalmente o achou. Despejou o frasco na penseira, e mergulhou a cabeça.

Tudo ficou esfumaçado, todas as formas se criavam aos poucos, Harry viu um garoto de cabelos pretos muito desarrumados, com mais ou menos 12 anos andando pelos gramados do colégio. Era seu pai, Tiago ao lado estava Sirius, paparicando umas menininhas, Pedro estava se escondendo, pois Tiago estava tentando conjurar um gato, e logo atrás estava Lupin lendo um livro.

– Sirius, eu estava pensando. – Disse Lupin alegre – Já pensou, em como seria ter um mapa…

– Que mapa? De onde? Do dormitório feminino? Não adianta cara, já tentei subir lá. – Disse Sirius rindo.

– Não, um mapa de… Hogwarts.

– Hahaha, e de onde você acha que conseguiríamos um mapa de Hogwarts?

– Na sala do Filch – Disse Pedro se achando inteligente – Ele tem uma porção de mapas, deve ter um de Hogwarts. O castelo é gigante, o cara não deve lembrar de cada passagenzinha que tem.

– Mas Remo, o que a gente faria com um mapa? – Perguntou Tiago

– Exato amigos. – Disse Lupin. – Pensem no que poderíamos fazer com um mapa.

– Acho que você está nos dias Remo… – Todos riram com a piada infame de Sirius.

– Querem ver, eu vou conseguir um mapa. E só pra provar pra vocês que isso vai ser incrível.

– Espera, eu acho que ele ta certo. Mas um mapa normal seria inútil, se saíssemos de noite só com ele o Filch nos pegaria. Temos que criar um mapa que mostre as pessoas, e onde elas estão. – Disse Tiago.

Tudo ficou esfumaçado novamente, e Harry se viu em uma sala escura, na sala de Filch. Todas aquelas correntes e cordas eram amedrontadoras. Ouviu um barulho. Mas não viu nada.

– Por aqui, vem logo Pedro. – Disse Lupin apressado tirando a capa da invisibilidade. – Procura naquelas gavetas, eu procuro nessas.

Os dois reviraram a sala de cabeça para baixo, todos os papéis no chão. Até que Pedro diz:

– Achei Remo! Achei! Olha como é grande! Nooossa – disse ele abrindo um mapa de quase dois metros de comprimento.

– Shhh! Fala baixo Pedro… ótimo, agora vamos.

Os dois se cobriram com a capa e saíram da sala de Filch. Tudo ficou esfumaçado, e Harry se encontrou no dormitório masculino da Grifinória.

– Ok, Sirius alcança o livro de feitiços. – Disse Lupin.

Remo ficou alguns minutos lendo, até que voltou a falar.

– É o seguinte, o feitiço tem que se renovar. Então vamos usar um código pra abrir e outro pra fechar o mapa, assim ninguém vai roubar ele. E cada vez que o código para abrir for pronunciado o mapa vai ser renovar, assim vamos poder usar até nosso ultimo ano em Hogwarts sem ter que alterar com novas pessoas e tal.

– Você é um gênio Remo. – Disse Pedro fascinado.

– Qual vai ser o nome? – Perguntou Lupin.

– Acho que uma coisa que combina com a gente, Mapa do Maroto! – Disse Tiago.

– Pode ser, e o código para abrir?

– Fácil… Juro solenemente que não farei nada de ruim. Temos que passar confiança. – Disse Pedro.

– Que confiança cara? É um mapa, e os únicos que vão saber dele somos nós, seus amigos. Você não confia nos seus amigos? Nós confiamos em você. – Disse Tiago.

Nesse momento Harry fez uma careta indescritível.

– Então: Juro solenemente que não farei nada de bom. É a nossa cara, vai dizer. – Falou Sirius rindo.

Lupin esboçou um sorriso e disse:

– Perfeito! E o código para fechar, depois de tudo isso, “Malfeito Feito”.

Todo o cenário tornou a esfumaçar, Harry agora se viu no Salão Principal pela manhã, viu os Marotos agora mais velhos com no mínimo quinze anos. Sirius e Pedro estavam de um lado da mesa, e Lupin de outro. Tiago entrou correndo de mão dadas com uma garota ruiva muito bonita, reconheceu sua mãe. Os dois estavam rindo feito bobos. Sentaram ao lado de Lupin. E a garota disse:

– Então Sirius, como vai indo entre você e a Camile Abbot?

– Normal sabe, mas ela é muito ciumenta.

–  Entendo, vão fazer algo hoje de noite? Eu e o Ti vamos na beira do lago, relaxar um pouco.

Os três garotos olharam para Tiago assustados.

– O que foi? – Perguntou contrariado.

– Hoje é… não posso falar aqui. – Disse Sirius olhando para Lilían, que disse:

– Ok, já entendi. Assunto de garotos, vou falar com minhas amigas então. Conversem entre vocês. – e se retirou da mesa.

– Tiago! É lua cheia! – Falou Pedro com a boca cheia de comida.

– Ok, ok vou falar com a Lily.

A cena se esfumaçou. Harry sentiu os pés no chão, havia voltado ao escritório de Dumbledore. A memória havia acabado.

Olhou novamente para o armário, achou a memória de Sirius. Despejou-a na penseira. E enfiou a cabeça.

Harry agora estava na Sala de Troféus, viu um garoto alto com cabelos grandes castanhos. Sirius estava cumprindo detenção, o que para ele era comum. Harry o viu tirando um pedaço de espelho dos bolsos, imediatamente reconheceu o Espelho de dois Sentidos. O padrinho havia lhe dado de presente antes de morrer, dizia que usava para se comunicar com seu pai nas detenções.

– Tiago Potter – Pronunciou Sirius dando ênfase a cada sílaba.

– Oi! – Ouviu Tiago

Harry se aproximou. Sirius derrubou um troféu que rachou no meio. Ouviu seu pai dizendo:

– Cara, há anos você faz isso, como consegue quebrar um troféu agora? Haha.

– Aff, fica quieto Tiago. Quantas correntes enferrujadas do Filch você já não quebrou também? – Falou Sirius rindo. – Reparo. – O troféu voltou ao normal.

– Então cara, eu tava pensando. Estamos no nosso penúltimo ano de Hogwarts, temos que aproveitar.

– Eu acho que aproveitamos bem, olha o resultado de ser o único grupo da escola que sabe a entrada para a cozinha. Ninguém mais tem um mapa do castelo! Agora estamos aqui, limpando troféus e correntes. Só temos que ter mais cuidado com o Filch, não deixando o Pedro vigiar o mapa.

– Eu sei cara, mas eu digo que poderíamos aproveitar muito mais…

– Como? Ei, eu não torço pra esse time não hein… – Disse Tiago rindo.

– Haha, não “esse” tipo de aproveitamento. Mas o que acha de nos tornarmos animagos?

– Isso é ilegal, não somos maiores ainda.

– Quem disse que vamos pedir autorização pro Ministério?

– Bom, quem sabe… Assim poderíamos passar um tempo com o Remo, já que lobisomens só atacam seres humanos. Mas não sei se Lilían concordaria…

– Você não precisa falar pra ela, afinal vamos aproveitar entre amigos.

Tudo tornou a se esfumaçar, Harry estava no pátio da escola. Lílian estava deitada com Tiago, Sirius estava conversando com Pedro, e Lupin estava tentando consertar os óculos de Tiago.

– Ei, olha quem vem vindo…o Ranhoso.

– Sirius, você não vai fazer nada com ele! – Disse Lilian furiosa.

Sirius se levantou, e disse:

– Lilian, relaxa. Minha vida ta muito parada ultimamente, não vai ser nada demais.

– Não! – Disse ela, mas era tarde demais…

Levicorpus! – Disse Sirius apontando para Snape.

– Olha, olha… quem resolveu aparecer por aqui hoje… Ranhoso, como vai? Por que você não comprou um pouco de xampu em Hogsmeade semana passada como eu mandei eim?

– Black! Você vai se arrepender disso! – Disse Snape tentando voltar ao normal.

– Tiago, faz ele parar! Por favor! – Disse Lilian atordoada.

– Sirius, deu, acho que ele já teve o que merece…

– Ok ok, mas lembre-se disso da próxima vez, não fique andando com aqueles Comensaizinhos ta? Liberacorpus – Disse Sirius, fazendo Snape cair de cara no chão. Seu nariz começou a sangrar.

– Você não vale nada Black!

– Sirius, seu idiota! – Disse Lilian correndo até Snape, ela o levou à enfermaria.

Lupin olhou de esguelha e disse:

– Eu acho que você foi longe demais, é melhor ir se desculpar ou a Lilian nunca mais vai falar com você, sério.

– Ok, já que você insiste. – Falou Sirius sarcasticamente.

Harry o acompanhou. Chegando na enfermaria viu Lilian, e Snape deitado em uma cama com Madame Pomfrey cuidado de seu nariz. Sirius fez uma cara de nojo ao ver o sangue escorrendo no pano. Harry sabia que Sirius jovem não ia se desculpar, como diziam antes “não era a cara dele”.

– Lilian, eu vim aqui te pedir desculpas.

– Não é pra mim que você tem que pedir, é pro Severo!

– Mas é com você que eu me importo em falar depois, é a namorada do meu melhor amigo.

– Esse é o único jeito Sirius. – Disse ela com a cara amarrada.

Ele olhou mais uma vez para o sangue escorrendo, Madame Pomfrey já havia saído. Pensou rapidamente, então decidiu.

– Lilian, vou falar com ele. Mas preciso que você saia.

– Não, você vai azarar ele de novo!

– Te prometo, não vou.

– Ok, depois não tem volta hein. – Lilian disse saindo da enfermaria.

– Então Ranhoso…

Snape olhou com cara de nojo para Sirius.

– É o seguinte, eu pensei em algo que vai te animar. Como desculpas, quero que semana que vem, durante a meia noite, você vai até o Salgueiro Lutador perto da cabana do Hagrid, lança um immobilus nele. Então vai achar um túnel, entre nele e siga em frente. Vai ouvir uns gritos, mas somos apenas nós fazendo uma festinha. Não conte nada pra Lilian.

– Como eu posso saber que você não está armando pra mim?

– Você não meu viu acabando de prometer pra ela que nada vai acontecer com você?

O cenário se desfez, Harry estava perto da floresta proibida, viu Snape saindo do Castelo e correndo em direção ao Salgueiro.

– Immobilus!  – A árvore parou de se mexer.

Harry entrou no túnel seguindo Snape, estava tudo escuro. “Lumus” sussurrou o rapaz. Então o caminho se iluminou, cheio de teias de aranhas, e ratos correndo de um lado para o outro.

Andaram por mais ou menos fez minutos, até encontrar uma luz. Snape correu em direção a ela, já ouvia os gritos. “Será que é uma festa?” falou para si mesmo. Encontrou-se no porão de uma casa. Os dois subiram as escadas, os gritos cada vez mais altos. Começou a ficar com medo, viu a porta de um quarto, estava toda arranhada. Receoso decidiu voltar, já imaginava Sirius Black dizendo “Maricas, não foi na festa! Covarde, eu falei que nada ia acontecer”. Mas não importava, os gritos eram muito altos, urros, ele sabia que tinha algo errado. Virou-se em direção a porta do porão, mas foi surpreendido por um cachorro muito grande e preto, com olhos que cintilavam no escuro. Snape pulou para trás e caiu no chão de medo.

– Não, sai! Sai! Sai! – gritava, mas o cachorro não se mexia, apenas rosnava.

Começou a avançar em direção a ele, que foi indo para trás até chegar na porta do quarto de onde viam os barulhos. O cachorro começou a latir para ele, com os pelos eriçados. Por impulso abriu a porta.

Impedimenta! – Ouviu a voz de Tiago Potter.

O cachorro não avançava mais. Snape virou-se em direção à porta do quarto, ficou cara a cara com um monstro, parecia um lobo em pele de humano, cheio de pelos, bípede, com as costas muito arqueada. O lobisomem urrava  gritos ensurdecedores. Não acreditando no que via, mortificado de medo, Snape caiu de joelhos no chão de madeira do quarto. Apenas viu o monstro avançando até ele, que não tinha mais forças nem para empunhar a varinha e lançar qualquer feitiço. Quando o monstro estava a apenas um metro e meio de distância, ouviu:

Petrificus Totalus! –  Na voz de Tiago Potter. O monstro caiu duro no chão, produzindo um barulho tremendo.

Harry sentiu seus pés baterem no chão do escritório de Dumbledore. Já sabia que aquilo havia acontecido, estava na memória de Snape anos atrás. Não entendia o sentido do padrinho em lhe mostrar algo tão forte, por que queria que Harry soubesse que ele fez algo tão horrível, arriscando a vida de uma pessoa? Então Harry enfiou as mãos nos bolsos, e retirou a carta de Lupin em um pergaminho muito velho, guardado durante tantos anos. Leu novamente as palavras escritas com uma letra borrada e garranchosa:

(…) “Sirius também deixou algumas memórias comigo antes de morrer, nunca as vi. Porém imagino que sejam importantes, talvez tenham uma mensagem para você.” (…)

Harry voltou para o quarto intrigado, conversou com Gina sobre o acontecido.

– Onde você estava querido?

– Fui acertar uns favores antigos com Lupin.

– Com Lupin?  – Perguntou a mulher não entendo a situação.

Harry contou sobre a carta, e as memórias. Então apresentou a ela sua dúvida sobre a última memória. Recebeu tal resposta:

– Harry, talvez Sirius tenha lhe mostrado essa memória, não para mostrar ele. Mas sim seu pai, não foi ele que salvou Snape? Talvez Sirius gostasse que você entendesse que seu pai foi um grande homem, enquanto ele pôs a vida de Snape em risco, seu pai estava lá para salvá-lo. Sirius queria que você crescesse, se inspirando em seu pai, já que não teve a oportunidade de conhecer bem ele. Foi o único jeito que ele achou de te mostrar isso Harry, mostrando seus próprios defeitos, mas expondo as qualidades de seu pai. Só tenho pena que não tenha visto essa memória antes querido. Quem sabe um dia você mostre ao Tiago, pra ver se ele aprende algo com o avô.

Com essas palavras Harry foi dormir, pensando em cada parte das memórias de Lupin e Sirius. Cada uma delas tinha um significado, Os Marotos realmente eram incríveis. Harry pegou no sono, e tudo estava bem.

FIM

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