FIC THATA – A Day In Our Life

A Day In Our Life
(Um dia de nossas vidas)

Fic original em: http://nino-arashi.livejournal.com/10294.html

(figura que inspirou a fic)

No mundo do Arashi, coisas que normalmente soam estranhas tomam um ar de… Bem, não se pode dizer normalidade. Não há nada de normal, por exemplo, no Aiba correndo em volta de uma cratera vulcânica cheia de gás sulfuroso gritando “Wheeee, é gás venenoso! Corre gente, venham, é gás venenoso!” Não, não era normal. Mas não era inesperado. De fato, se Aiba estivesse em um vale permeado de vapores corrosivos e NÃO fosse correr em círculos por aquela área, o resto do grupo ficaria preocupado.

Nino descobriu que fora esta familiaridade com o anormal que o ajudou a manter a calma quando ele acordou em uma manhã ensolarada de sábado para descobrir que seu melhor amigo, Sho Sakurai, havia se transformado em um cãozinho malhado da noite pro dia. Não parecia haver alguma razão em particular para que Sho tivesse virado um cachorrinho; ele não exprimiu nenhuma inclinação pró-totó na noite anterior, e Nino tinha quase certeza que Aiba não forçou seu senpai a comer alguma mistura derivada de partes iguais de suco de frutas com Purina Puppy Chow. Não, Sho simplesmente foi dormir sendo ele mesmo e acordou como um pequeno, inassumido, bem bonitinho, e até geralmente bem-comportado cachorrinho. Nino só soube de fato que era Sho e não um cão infeliz abandonado porque ele assistiu o cãozinho lutar com uma esferográfica e um pedaço de papel aquela manhã até conseguir garranchar a simples mensagem “SOU EU SHO SAKURAI NÃO RI SENÃO EU MIJO EM VOCÊ.”

Quando acontece de você ser ameaçado por um cãozinho de olhos brilhantes abençoado com o cérebro de um graduado na Keio – antes mesmo do café da manhã – nada mais te assusta muito. Isso inclui a tarefa de chamar seus companheiros de banda e dizer “Oi, (insira o nome aqui), o Sho virou um cachorrinho, traga por favor uma garrafa de shochu e uma coleira anti-pulgas”.

“Eu não acredito,” Jun resmungou mais tarde aquela manhã quando todos se reuniram na sala da casa de Nino. A família de Nino saíra de férias por algumas semanas, razão esta pela qual Sho estava dormindo lá, era tudo muito quieto se Nino estivesse lá sozinho. “O único membro certo além de mim nesse grupo, e ele vira um cachorro.”

Estavam todos olhando para a mesa observando Sho!cãozinho, que por sua vez tentava ignorar uma bolinha brilhante de borracha que Ohno trouxe consigo para distraí-lo. De vez em quando o lado totó sobrepunha-se ao lado humano da personalidade de Sho e ele passava alguns minutos roendo avidamente o brinquedo, e então fugindo em disparada, para o outro lado da mesa, tentando seu melhor para fingir que não fez nada do que se viu fazendo.

“Ele é muito bonitinho, né?” Aiba observou, coçando atrás das orelhinhas de Sho!cãozinho. O toco de rabo do cachorrinho bateu alegremente na mesa por alguns segundos antes de fugir correndo e fitar Aiba com um olhar reprovador de filhotinho.

“Ele está dizendo pra não fazer festinha nele sem permissão,”, Nino traduziu.

“Mas Nino-kun faz isso o tempo todo com o Riida,” Aiba lamentou. “Ele tem permissão pra me fazer festinha,” Ohno disse, e Nino lhe fez um carinho de aprovação na cabeça. “Acho que estamos fugindo do assunto aqui”, Jun disse, tentando trazer a conversa a algo próximo ao senso comum. “Sho Sakurai virou um CACHORRO.”

“Cachorrinho,” Ohno corrigiu.

“Cachorrinho. Azar. O que eu tô tentando deixar claro aqui é que nosso colega de banda não é mais humano. Vocês entendem o que eu quero dizer?”

“Mmm”, Ohno zumbiu respondendo. “Quem vai fazer os raps agora?”

“A coreografia vai ficar um saco,” Nino concordou. “Digo, e se um de nós pisar nele durante ‘Love So Sweet’?”

“Vocês não acham que se a gente colocar ele naquelas cordas que puxam a gente pra cima em ‘Fight Song’, a gente podia estilingar ele pro público?” Aiba pensou alto.

Sho!cãozinho rosnou. Nino esticou-se e bateu na nuca do Aiba. “Ele diz que isso é maus tratos ao animal, e você não vai estilingar ele pra lugar nenhum porque ele te proibiu.”

“Nem mesmo numa cama cheia de travesseiros fofinhos?”

“Não.”

“E num amontoado de marshmallows?”

“Não. Em lugar nenhum.”

“Mas que tal – “

“CHEGA!” Jun interrompeu. “TEM COISAS MAIS IMPORTANTES PRA SE DISCUTIR AQUI! QUER DIZER, O SHO É UM CACHORRO!”

“Cachorrinho,” Ohno corrigiu-o novamente.

“QUIETO! CALA BOCA TODO MUNDO!”

Um chorinho chamou a atenção de todos. Sho!cãozinho estava sentado na borda da mesa no meio de uma poça enorme, parecendo envergonhado.

“Óun, o Jun-kun assustou ele,” Aiba disse. “Tudo bem, Sho!totó-chan. A gente te dá uns jornais. Você gosta de jornais, né? Assim você pode ler E usar o banheiro ao mesmo tempo, assim como os humanos fazem!”

Jun escondeu o rosto com as mãos. “Eu desisto.”

Apesar dos protestos do Aiba que Sho!cãozinho deveria ficar com ele, foi mutuamente decidido que ele estaria melhor se ficasse com Nino por ora, já que Nino era o único que parecia capaz de traduzir suas ações em palavras. Ohno concordou em ficar também, para ajudar, enquanto Aiba proclamou que iria fazer pesquisas sobre transfiguração e quem tinha mesmo uma cópia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe pra emprestar pra ele?

Uma vez adaptado com a situação, Jun tentou normalizar o absurdo com sua típica atitude DoS. Como a maioria dos atos de Jun, isto envolveu uma combinação de cuidados capilares, críticas de moda e reclamações com sua língua afiada sobre a idiotice do mundo em geral. Quando MatsuJun fica com esta aura geralmente é melhor ficar longe até ele melhorar o humor ou então correrá riscos sérios que podem afetar seu orgulho, dignidade, auto-estima e vontade de viver.

Logo Nino soube que sua vida estava em jogo quando saiu em busca de Sho!cãozinho algumas horas depois e achou MatsuJun em um dos quartos de hóspedes, tentando arrancar o amigo transformado deles de debaixo da cama. Sho!cãozinho, por sua vez, estava acuado contra a parede o quão longe ele podia de MatsuJun, assim tudo que Nino podia ver do pequeno cachorro era um par de olhos brilhando nas sombras.

Nino estranhou. “Jun-kun, o que você fez com o Sho-chan?”

“Nada,” Jun falou contrariado, abandonando sua indigna posição no chão e batendo a poeira de si. “Eu só coloquei umas roupas decentes nele.”

Nino nem perguntou onde foi que MatsuJun achou roupas para filhotes. O rapaz possuía talentos secretos com uma agulha. “Mas… ele é um cachorrinho, MatsuJun. Ele não precisa de roupas.”

“Mas ele ainda é um membro do Arashi. Ele só está um pouco doente.”

“Então por que ele está escondido debaixo da cama e não quer sair de lá?”

“Porque ele não entende DROGA NENHUMA de moda.”

“Ele tá de TERNO?” Agora que Jun saíra do caminho, a área embaixo da cama ficara um pouco mais clara.

“Há algo errado com isso?” Jun resmungou. “Ele é um repórter. Deveria se vestir como tal.”

“Ele é um CACHORRINHO.”

“E daí? Ele pode latir as notícias, né? Um latido pra notícias boas e dois pra notícias ruins. Eu não vejo problema nisso.”

Naquela tarde, Ohno voluntariou-se a levar Sho!cãozinho para darem uma volta.

“Tem certeza que ficará bem com isso? Nino perguntou enquanto Ohno calçava os sapatos.

“Já passeei com cachorros antes,” Ohno lhe contou. “E eu brinquei com a Jam-chan enquanto Toma-kun estava ocupado filmando.”

Nino se permitiu imaginar o que pensaria o colega de dorama do Ohno disso tudo, e então retornou ao presente. “Sim, mas a não ser que tenha algo que o Toma-kun não tenha nos contado, Jam-chan não é graduada em economia e uma coluna semanal em um jornal exibido em todo o território nacional. Sho!cãozinho não é um cãozinho qualquer, Oh-chan.”

Ohno sorriu e abaixou-se em frente ao Sho!cãozinho para coçar atrás de suas orelhas. Nino ajudou Sho a livrar-se do traje de três peças que Jun fez pra ele – que tinha até mesmo um lencinho no bolso!– em prol de uma coleira com pontas que combinou com um pequeno uivo de aprovação do cachorrinho em questão.

“Eu sei que ele não é um cachorrinho qualquer,” Ohno disse, afagando o focinho de Sho com a ponta do dedo. “Ele é um Arashi cãozinho. Cachorrinho!Arashi. Parece até mangá.”

Nino suspirou e olhou diretamente nos olhos de Sho!cãozinho. “Assegure-se que ele não vá pra casa com nenhum estranho,” ele disse. “E volte dentro de uma hora.

Sho uivou concordando.

Era compreensível que todos ficaram exaustos após um dia tão atribulado, logo não foi surpresa alguma para Nino entrar em seu quarto e encontrar Aiba encolhido em sua cama, dormindo. Ohno estava derrubado do lado dele, alheio ao mundo e até babando um pouco. Até Jun havia adormecido na poltrona almofadada do papai junto à janela.

Ele sentiu uma leve encostada em seu tornozelo e olhou pra baixo para encontrar Sho!cãozinho fitando-o com olhos escuros e cansados. “Eu não sei nem se tem espaço pra mim, Sho-chan,” Nino suspirou, pegando o amigo que virou cachorro no colo, “mas com certeza pra você consegue arrumar, né? Vem cá.”

No fim das contas Nino conseguiu se ajeitar entre Aiba e Ohno. Sho!cãozinho deu três voltinhas no lugar antes de aconchegar-se no travesseiro entre as cabeças de Aiba e Nino. Seu pêlo quentinho e fofo fazia cócegas na testa do Nino e fez Aiba se mexer enquanto dormia.

“Mmm… Noite, Nino-kun,” Aiba bocejou, jogando um braço por cima da cintura de Nino e aproximando seu rosto ao pescoço. “Noite, Sho!totó-chan.”

“Noite, Aiba-chan,” Nino respondeu, afagando as costas de Aiba. Sho!cãozinho murmurou algo baixinho, mas Aiba já havia adormecido novamente.

“Esse dia foi muito esquisito,” Nino observou no quarto. Sho!cãozinho fungou e bateu com a cauda algumas vezes contra a cabeça do Nino. “Tá, esquisito pra quem não é do Arashi. Mas são alguns bilhões de pessoas, Sho-chan. A gente tem que pensar no geral.” Seu amigo transfigurado bocejou e enfiou a cara debaixo de uma das patas, pondo claramente um fim à conversa.

Nino deu uma risadinha e esticou o braço para coçar atrás das orelhas de Sho!cãozinho. “Noite, Sho-chan.”

Sho!cãozinho levantou a pata só o suficiente para lamber o punho de Nino, e então sumiu novamente.

Nino sorriu e fechou os olhos, se ajeitando no travesseiro. Aiba estava cálido e o abraçou enquanto Ohno dormia alegremente atrás dele. MatsuJun estava balançando de modo rítmico em sua cadeira junto à janela, e Sho!cãozinho roncava em leves e uivantes respirações de filhote.

Nino adormeceu, sabendo que estava tudo certo com o mundo. Ou ao menos a pequena parte deles.

No mundo do Arashi, coisas que normalmente soam estranhas se tornam normais. Nino descobriu que esta familiaridade com o anormal que o ajudou a manter a calma quando ele acordou na manhã de domingo para descobrir que seu melhor amigo, Sho Sakurai, havia se transformado de volta em humano da noite pro dia. Normalmente isto seria motivo de comemoração, mas estas preocupações eram secundárias a Nino, cujas preocupações principais eram:

1) Sho!cãozinho dormira em cima do travesseiro na noite passada, logo Sho!humano permanecia em cima do travesseiro na manhã seguinte.

2) Sho!humano era exponencialmente maior que Sho!cãozinho, e tomava muito mais espaço

3) Pelo menos uma parte deste espaço era a reservada apara a cabeça de Nino

4) O que significava que o torso de Sho!humano estava, a grosso modo, comprimindo o rosto de Nino

5) Exceto pelos restos da coleira com pontas, Sho não tinha um só trapo cobrindo seu corpo, e cheirava levemente a ração.

Apenas outro dia no Arashi, Nino pensou ao cutucar vigorosamente a barriga de Sho para acordá-lo iniciando gritos, grunhidos e interjeições de surpresa em cadeia de seus colegas de banda que culminou no ímpeto de ultraje de Jun ser acordado por um repórter nu passando por cima de si para esconder-se atrás de sua poltrona.

Imagino se o Tomo-chan tem esses tipos de problema com o NEWS?