FIC – Dois Passados Tembras

Cap 13 – Rarus

– Tio Jorge? – perguntou Meggy, confusa – O tio Jorge que nunca voltou?

– Então era por isso que ele era tão parecido com o papai! – Gareth concluiu, conseguindo entender porque foram tão facilmente enganados no trem.

Draco encarou Emily, fazendo suas próprias ligações e finalmente entendendo algumas coisas. Ela, por sua vez, ao compreender que o marido percebera que as acusações que os levaram àquela separação estavam sendo esclarecidas, retribuiu o olhar tentando dizer que no momento ele precisava ficar atento ao que acontecia.

Fred continuou olhando surpreso para Jorge, como se ainda não tivesse entendido porque era seu irmão quem estava ali e não um bruxo das trevas, como os que ele costumava capturar em seu trabalho. Vendo a conflito dele, Charlotte segurou forte a sua mão, para lhe lembrar que a sua família estava ali, e então disse para Jorge:

– Não importa quantas razões me dê para acreditar que o que está fazendo é certo! Você passou dos limites quando ousou tocar nos nossos filhos!

– Hunf. – fez ele simplesmente em resposta, em tom zombeteiro – E falou aquela que foi educada para estar no lugar em que estou agora… Não minta para mim, Charlotte! Antigamente eu não entendia como era ser alguém como você. Como uma menina de aparência tão frágil e com uma personalidade estranha poderia ter sido criada para obter e ter poder. Mas hoje, não só compreendo como sei lhe dizer exatamente onde errou… – ele ajeitou melhor os ombros na cadeira, movimentando minimamente a cabeça – Não sente vontade de saber como seria, Charlotte?

– Não. – ela respondeu rapidamente, estreitando os olhos.

– Não tem curiosidade de saber como é manipular alguém assim, com algo mais poderoso do que qualquer coisa que já usou? – sem palavras ou gestos, ele fez com que Selene andasse de um lado para o outro, de forma graciosa, mas sinistramente sem vida, como se ela fosse uma boneca manipulada por fios invisíveis – Se soubesse fazer isso, não teria sido reconhecida pelo Lorde?

Dessa vez, Charlotte pensou por um tempo e então disse:

– Se tenho curiosidade em saber como funciona um encantamento tão poderoso e proibido como esse? Sim, tenho. Se me ocorre a idéia de poder controlar e o que fazer com esse controle? É claro que sim. Se eu não usaria isso para mostrar para o bruxo que me criou como sou essencial para os seus planos? É lógico.

Todos os outros olharam assustados para Charlotte, e dessa vez foi Fred que apertou sua mão.

– Tudo isso passa pela minha mente e eu seria um hipócrita em dizer que não. – ela continuou – Não posso negar ou escapar meu passado sombrio. Porém – ela olhou para Selene, que a encarava com seu olhar velado – estou vivendo o presente, Jorge. Assim como a Emily, agora tenho a oportunidade de escolher meu futuro. E o resultado das minhas escolhas estão aqui, diante de você. – ela indicou as crianças escondidas atrás do marido – Então, não pense que tem o controle de tudo, assim como uma vez eu pensei! Existe uma força maior do que qualquer feitiço proibido, e ela só pode ser usada para defender, nunca para controlar!

– AGORA! – a voz de Lune ecoou na câmara, fazendo com que Charlotte e Fred compreendessem na hora.

Charlotte já havia percebido que Jorge não podia se mexer enquanto controlava Selene e a única coisa que eles podiam fazer era ganhar tempo para Lune poder por o plano dela em prática, qualquer que fosse. Rapidamente, mandou as crianças para Emily e Draco, e então ela o marido correram em direções opostas: Charlotte partiu para cima de Selene e Fred para a professora Fauche.

Selene, com os olhos enevoados, não apresentava o menor sinal de reconhecer a mãe, e se preparou para atacar. Assim que Charlotte ficou próxima dela, a menina levantou a mão, jogando um feitiço contra ela. Apesar de anos sem treinar, Charlotte conseguiu desviar, mas instantaneamente foi atingida por outro e foi jogada longe. Caindo de mau jeito no chão, ela olhou para a filha, que agora caminhava lentamente na direção dela.

– Vai lutar contra sua filha, Charlotte? – perguntou Jorge, dando uma risada de escárnio.

Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, Lune havia se aproximado de Jorge, murmurando algum tipo de encantamento. Fred lutava com a professora, tomando toda a atenção dela. Charlotte ainda olhava para a filha, que ainda caminhava na direção dela, quando tudo ficou desfocado e toda a força que ela tinha nos joelhos para se manter em pé desapareceu. Quando finalmente voltou a se estabilizar, viu Lune caída do outro lado da câmara e Fred amarrado ao lado da professora, a encarando com um misto de choque e preocupação.

Emily estava atrás com Draco, protegendo as crianças e prontos para defendê-las. Assim que viu os amigos serem dominados, ela pediu para os mais velhos cuidarem dos mais novos e encarou o marido, tentando dizer sem palavras o que iria fazer, e correu na direção de Jorge.

– Droga, Emily! – Draco grunhiu, correndo atrás dela, ao ver que ela nem olhava para trás.

Sentindo um pouco de medo, Draco jogou um feitiço na professora, que estava distraída em manter Fred e Lune sobre controle e não o viu chegar. Enquanto lutava com ela, pode ver que Emily seguia diretamente na direção de Jorge, com a varinha em punhos.

– Quer me atacar, Emily? – Jorge deu uma grande gargalhada – Você, que mal consegue defender seus filhos direito?

– Eu nem preciso lhe lembrar o quão difícil eu posso ser quando irritada, não é? – ela resmungou, atirando um feitiço diretamente nele.

Jorge usou Selene, que habilmente tomou o feitiço por ele. Charlotte correu para desamarrar Fred, enquanto Lune começava a retomar a consciência.

Apesar da proximidade de Emily, Jorge não pareceu se alterar. Ele ainda sorria, encarando a ruiva com um olhar cínico.

Draco viu Emily continuar a jogar vários feitiços em Jorge sem parar, tentando acertar qualquer um que fosse, mas Selene sempre o defendia. Sentindo seu peito se apertar de desespero, com medo de que ela fosse ferida por aquele maluco, resolveu que precisava se livrar da professora. Viu que a irmã havia conseguido libertar Fred e os dois se separaram; Fred indo ao lado de Draco e Charlotte voltando para a filha.

– Sabe, Emily, eu até convidaria você para se tornar a rainha do novo mundo que irei criar. – ele comentou – Mas do que me adiantaria alguém que vê virtudes em uma pessoa tão inútil quanto esse Malfoy?

– Não aceite as provocações, Emily! – alertou Charlotte, mas foi tarde.

Emily inspirou com raiva e soltou:

– NÃO DIGA QUE O DRACO É UM INUTIL QUANDO VOCÊ USA CRIANÇAS INOCENTES PARA FAZER O QUE NÃO CONSEGUE!

E em resposta, ela foi atingida pelas costas, com um feitiço vindo da professora, e foi jogada para frente batendo a cabeça no chão.

– Chega de brincadeira! – ela declarou, e com um gesto elaborado da varinha, todos foram jogados contra a parede, inclusive as crianças. Imediatamente, tiveram os pés e mãos presos por algemas invisíveis e silenciados por um encantamento de lábios selados. As varinhas foram arrancadas de suas mãos e jogadas para longe e, por mais que tentassem e forçassem para se libertar, todo o esforço era revertido em mais firmeza no aprisionamento.

– Desculpe por dar esperanças para vocês até agora. – disse a professora com um risinho falso de boa menina – Mas isso já foi longe demais. Não vou deixar que insultem meu mestre. Sei que já enfrentaram muita coisa quando ainda eram jovens, e que a herdeira de Voldemort e a WIB têm muita experiência, mas… Lamento informar que o agora é nosso! Por mais que unam suas forças, por mais que dêem tudo de vocês e por mais que se sacrifiquem, essa é uma batalha perdida. Meu mestre é insuperável! – ela olhou para Jorge, parecendo extremamente satisfeita em dizer aquilo – Esses pirralhos já se mostraram suscetíveis ao tembrae e úteis para o nosso plano. Portanto, não se preocupem com eles. Cuidaremos bem dos pirralhos depois que nos desfazermos de vocês.

Sem conseguir se mover ou dizer alguma coisa, tudo o que eles puderam fazer presos à parede foi expressar através do olhar suas reações de raiva e desespero diante da situação.

– Menos essa pequena aqui. – ela indicou Selene, e no mesmo instante fez aparecer na sua mão o dragãozinho de pelúcia que a menina sempre carregava consigo.

– Como ela foi a nossa primeira tentativa de usar um tembrae tão potente, e por se tão nova… – ela começou a brincar com o dragãozinho, movimentando suas patas, com a calma de alguém que estivesse em uma tarde quente de verão tomando chá com conhecidos –  Provavelmente ela não sobreviva quando a ligação for desfeita… Ah! Como vocês estão a um passo de desaparecer, que tal eu contar uma coisa legal?

Dessa vez, com um sorriso sinistro, ela estalou os dedos e, no mesmo momento, tanto Jorge quanto Selene, desabaram onde estavam.

– E então, WIB? Admita que sou genial!

Demorou um tempo, mas logo os olhares de Lune e Charlotte indicaram que elas haviam compreendido a situação, apesar de parecer ser algo difícil de acreditar. Porém, os outros continuaram sem entender.

Contente, a professora estalou novamente os dedos e Jorge e Selene voltaram a acordar.

– Não é muito melhor conseguir as coisas usando alguém e, melhor ainda, fazendo essa pessoa acreditar que faz o que faz por si mesma? Sim, meu mestre também é meu fantoche, assim como foram outros antes de chegar onde estou agora: prestes a ser o maior nome dentro da magia! Aquela que conseguiu superar a todos e vai subjugar tanto o mundo da magia quanto o trouxa!

– LOUCA! – Charlotte, finalmente conseguiu se livrar em parte do encantamento de lábios selados, e isso foi tudo o que conseguiu pronunciar.

– Louca? – a professora riu – Acha que sou louca?… Meu conceito sobre o termo é um pouco diferente. Penso que ela deve ser aplicado àqueles que têm capacidade de estar no poder e abdicam de tudo por coisas tão simplórias e desnecessárias, como gastar sua vida em fazer coisinhas como essas sorrirem! – ela indicou Selene – Gastam todo o seu tempo e esforços para se dedicar exclusivamente a elas e o que acontece? Elas crescem e seguem seu próprio caminho, enquanto você simplesmente se esgota! Não, eu não vou fazer o mesmo que você fez, Charlotte. Amizade e família são coisas totalmente desnecessárias, descartáveis! – e, para enfatizar o que dizia, ela torceu e arrancou a cabeça do dragãozinho de pelúcia.

Então, algo inesperado aconteceu.

Um impacto atingiu a todos, como uma explosão de ar. Antes que qualquer um pudesse entender o que estava acontecendo, uma voz estridente gritou:

– RAAAAARUS! – e as paredes começaram a tremer.

FIC – Dois Passados Tembras

 



Cap 13 – A pessoa escura 

– Tudo está saindo como o planejado, mestre. – disse a Parvana Fauche se curvando em frente a uma grande cadeira de madeira, onde alguém parecia cochilar tranquilamente – Mas tenha que confessar que aqueles pirralhos me surpreenderam! Não esperava que eles superassem tão rápido uma maldição Tembrae no nível um!

Quem estava na cadeira se mexeu quase que imperceptivelmente e riu:

– Afinal… uma geração sempre supera a anterior, não?… Faucher, pode reuni-los! Nossa atração principal já está quase pronta.

– Sim, mestre! – assentiu ela se curvando novamente, parecendo contente com a ordem, e saindo.
***

Todas as portas que Charlotte e Meggy encontravam, levava a mais e mais corredores com mais e mais portas. Continuavam no mesmo lugar subterrâneo, que parecia não ter fim e estavam há um tempo correndo por intermináveis corredores de parede de pedras, iluminados apenas por archotes.

– Já passamos aqui! – disse Meggy ofegando, olhando para o chão – Já desviei desse buraco umas duas vezes!

– Não vai adiantar ficarmos dando voltas… Meggy, tente sentir onde está a fonte da ilusão.

Charlotte sabia que era uma armadilha, uma barreira de ilusão mágica. Mas não conseguia encontrar o ponto de onde a ilusão começava, que seria o único lugar possível de escapar dela.
A garota se concentrou, mesmo não sabendo direito o que teria que fazer. Podia sentir que havia magia ali, em toda a sua volta, mas nada mais do que isso.
– Não está dando certo, mãe.
Nesse mesmo instante, uma das portas atrás delas foi aberta e elas ouviram uma voz conhecida:
 – Charlotte! Meggy!
– Fred! Onde você… Gareth!
O menino correu para a mãe e abraçou.
– Você está bem, Gareth? Seu rosto está esfolado!
– Pai! – Meggy, meio indecisa, finalmente viu que era seu pai mesmo e correu até ele quase chorando – Me desculpa! Eu disse para eles que estava tudo bem e saímos do trem!
– Tudo bem, Meggy, não se preocupe com isso. Tivemos alguns problemas. – disse Fred para Charlotte – Gareth estava sendo controlado e me atacou.
– A Meggy Também. Então isso quer dizer que existem pelo menos duas pessoas.
– Não encontrei nada pelo caminho, somente salas vazias e corredores que levavam a lugar nenhum.
– É um labirinto de ilusão. Temos que encontrar a fonte dele ou podemos ficar presos aqui para sempre.
Outra porta abriu na frente deles e, no mesmo instante, outra foi aberta mais distante. Pela primeira apareceu Lune e na segunda Emily junto com o seu filho menor.
– É magia antiga! – disse Lune antes que qualquer um pudesse falar alguma coisa. – Encontrei aquela professora com quem deixamos a Selene no Ministério! Ela me contou o plano deles! Estão usando Tembrae nas… São as crianças? Elas estão bem?!
– Elas estavam sendo controladas. – explicou Fred.
– Sim, alguém estava controlando o Malthus. – disse Emily – Era alguém que nos conhecia, mas não consegui saber quem…
– É uma maldição com os mesmo princípios da Imperius, porém é mais cruel. Ela aprisiona as pessoas em seus medos, enquanto o controlador usa o corpo. A única maneira de se fugir é superando o medo.
Mais uma porta abriu e dela saiu mais alguém.
– Gregory! – Emily correu até o filho, mas parou no meio do caminho quando Draco apareceu logo atrás dele.
Sem dizer nada, ele passou direto pela esposa e foi até a Charlotte.
– Acho que não podemos fugir da nossa sina do passado, não? É duro admitir que a minha irmã estava certa desde o começo, mas agora temos que encontrar o responsável por tudo isso e acabar com ele!
– Os preparativos já terminaram. – disse uma voz alegre do final do corredor – Agora vocês já podem parar de brincar de labirinto!
– É ela! Como você… – Lune não pôde terminar a pergunta, porque no mesmo instante houve um estralo e o chão começou a tremer.


Todo o corredor sumiu e eles se encontraram em uma enorme caverna bem iluminada, diferente de todo o cenário que haviam percorrido até agora. As paredes eram lisas e acinzentadas, fazendo parecer que toda a superfície fosse feita de metal. Apesar de parecer uma sala de um castelo, a sensação de que estava debaixo da terra era inconfundível, principalmente agora que a ilusão havia terminado.
– É incrível o que podemos fazer com um pouco de espaço, não? – a professora divertia-se com a surpresa deles, aparecendo do lado oposto onde estavam – Esse tempo todo vocês estava no mesmo lugar em que caíram quando entraram na casa abandonada! – e acrescentou olhando diretamente para Lune – Achou que conseguiria me deter com tão pouco, WIB? Eu falei que sou a única aprendiz aceita, não me subestime!
– Do que ela está falando, Lune? – perguntou Emily em voz baixa.
– Eu tinha a prendido copiando o feitiço que ela usou em mim… Ou ao menos eu achei que a tinha prendido.
– Finalmente está na hora de começarmos! – continuou a professora como se anunciasse o início de um espetáculo – A partir de agora, vocês irão ter a honra de serem os primeiros a ver o mais excepcional aperfeiçoamento de magia antiga que um bruxo já criou! E para ser a estrela principal eu chamo a pequena, mas surpreendente…
A professora estralou os dedos e sumiu em meio a uma fumaça rosada e densa. Assim que a fumaça se dissipou, alguém diferente surgiu nela.
– Selene! – a voz da professora ecoou pela sala.
A menina estava branca como nunca, com os olhos embaçados, exatamente como seus irmãos e primos estavam há um tempo atrás. Porém, havia algo muito diferente nela se comparado com os outros. Ela parecia estar desmaiada, inconsciente, mas ao mesmo tempo em pé como se uma força invisível a mantesse assim.
Nenhum deles tentou fazer algum movimento, pois sabiam que ela estava sendo controlada e atacaria. Charlotte segurou Meggy pelo braço quando a garota fez menção de correr até a irmã:
– Não. – murmurou ela – Temos que saber o que fizeram com ela.
– Eles estão usando magia antiga sem varinhas. – Lune começou a explicar, tentando compactar as informações para poder falar em pouco tempo e não deixar nada importante de fora – É uma prática extremamente proibida, com um número infinitamente maior de fracassos do que sucesso. Nem mesmo Voldemort ousou executar algo assim!
 – Aqui está a o melhor exemplo de Tembrae nível três e ainda evoluindo! – disse novamente a voz da professora vinda de algum ponto indefinível – Primeira demonstração!
 – Tinniens. – disse Selene com uma voz baixa, calma e indiferente.


Imediatamente, todos sentiram uma dor aguda na cabeça e um zunido insuportável ecoando em seus ouvidos. Os menores logo estavam de joelhos no chão, segurando os lados da cabeça e fechando os olhos com força. Os maiores ainda mantinham-se de pé, mas todos tremiam e estavam visivelmente impossibilitados de reagir.


Desino. – disse novamente Selene, anulando o efeito do seu primeiro feitiço, e agora todos estavam no chão de joelhos, ofegando.
Tembrae nível um permite que não só uma, mas várias pessoas sejam controlada de uma distância considerável. Seu defeito é que pode ser anulada com muita força de vontade do próprio controlado. O nível dois não só resolve esse problema, como ainda garante um tempo maior de controle, mesmo se o corpo do controlado estiver esgotado. O nível três, usado com sucesso agora, permite que o simples pronunciamento do feitiço desejado cause o efeito esperado, sem necessitar de varinha ou mesmo gestos. Agora o nível quatro…
Nove bolas luminosas verdes de tamanho médio surgiram em torno de Selene e imediatamente cada uma partiu em direção de um deles.
– São bolas de fangulis! – disse Charlotte, correndo para proteger os filhos ao mesmo tempo em que se desviava da sua bola perseguidora. – Usem protego!
Com a ajuda dos pais, as crianças conseguiram escapar das bolas antes que qualquer uma delas causasse algum dano grave.
– Vocês têm muita experiência com esse feitiço, não? – a professora riu – Mas devo anuncia para vocês que tudo até agora foi um pré-aquecimento.
– O que vamos fazer? – perguntou Emily para Charlotte, ainda segurando firmemente Malthus nos braços.
– Temos que nos dividir. – disse Charlotte para Lune – Emily e Draco devem ficar na defesa, cuidando das crianças. Elas não são capazes de se defender de feitiços desse nível.
– Mas Emily e Draco também não sabem se defender de todos os tipos de ataques, ainda mais se eles usarem magia antiga! – contestou Lune.
– Fred pode ajudá-los! – continuou Charlotte – Apesar de há muito tempo eu não fazer isso, sempre usei magia para ataque e defesa. Você como WIB também, além de conhecer magia antiga. Como a professora falou, o nível que estão usando para controlar minha filha não permite que ninguém mais além do controlador consiga libertá-la. Então temos que chegar até ele.
– Certo. – concordou Lune – Você segura a Selene enquanto eu tento passar por ela e achar o controlador.
– Esse é o problema. – disse Charlotte – Não é professora quem está controlando eles. Essa pessoa ainda não se revelou, temos que-
– Eu queria poder aguardar um momento mais apropriado para isso, mas acho que disponho de pouco tempo antes que o nível cinco seja executado. – disse uma voz diferente da professora, uma voz de um homem.
Todos procuraram em volta, mas nem a professora e nem essa outra pessoa estava visíveis.
– Essa voz… – sussurrou Emily olhando para todos os lados, para tentar confirmar o que estava pensando.
– Chega desse jogo idiota de se esconder! – gritou Lune para o teto – Já chegamos até aqui e continuar escondendo a sua cara não vai adiantar nada!
– Eu não teria tanta certeza disso. Pode ficar mais complicado para vocês se descobrirem quem sou eu.
– Eu sei quem você é! – disse Emily, mas depois pareceu ter se arrependido e olhava para os outros se sentido culpada.
– Você sabe, Emily? – perguntou Lune surpresa.
– Eu já sabia, mas… Tínhamos eliminado essa possibilidade, então eu…
– Realmente era muito estranho você ainda não ter percebido, Emily. Eu tinha uma idéia melhor da sua capacidade, mas vejo que o tempo apaga algumas das melhores habilidades das pessoas.
– Quem é ele, Emily? – exigiu saber Draco – Como você sabe quem ele é?
Ela parecia estar prestes a chorar e olhava do marido para os outros.
– Por que fez isso? – ela perguntou enfim – Por que pegou nossos filhos? Por que está usando eles contra nós? Por que agora depois de tanto tempo?
– Quem é, Emily? – insistiu Charlotte, mas a outra apenas balançou a cabeça negativamente, se segurando para não começar a chorar.
‑ Sim, houve um tempo em que eu pensei que não valia à pena. Mas depois de analisar, eu cheguei à conclusão que não havia nada a se perder… Eu já tinha perdido muito mais antes, e não havia conseguido nada.
– MENTIRA! – gritou Emily. – VOCÊ NÃO PERDEU O QUE TINHA! FOI VOCÊ QUE NÃO QUIS ACEITAR!… Não, vê?! Quem jogou tudo fora foi você mesmo! Não foram os outros que o abandonarem! Foi você quem nos abandonou!
– Abandonou?… Será que seria?… – Charlotte olhou para o marido que também olhava para o teto como se uma luz houvesse se acendido em seus pensamentos. – Não pode ser…
– Quem é, mãe? – perguntou Meggy baixinho ao lado dela, segurando a manga de suas vestes.
– Vejo que agora não será uma surpresa. – comentou  voz – Faucher, pode tirar a ilusão.
Houve outro estralo de dedos e a parede atrás de Selene começou a se retorcer, formando um buraco. Logo, a parede lisa tinha dado lugar a um grande camarote, onde estavam a professora e alguém sentado em uma confortável poltrona, os encarando com desprezo.
Todos, até mesmo as crianças prenderam a respiração com o que viram.
– Pai! – exclamou Gareth que estava ao lado de Fred – É você!
-… Jorge. – foi a única coisa que Fred conseguiu dizer, com os olhos fixos no camarote.
– Há quanto tempo, meu irmão. – disse Jorge sorrindo.

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Cap  12 – Superando


– EU NÃO SOU FRACAAAAAAA!!!
No mesmo instante Meggy sentiu que a abraçavam muito forte. Seus olhos finalmente desembaçaram e ela pode ver um teto de pedra pouco iluminado. Estava deitada no chão e sentia todo o seu corpo dolorido.
– Meggy? – era a voz da sua mãe, era ela quem a estava abraçando – É você mesma, Meggy?
– Mãe? O que aconteceu? – perguntou a garota esfregando os olhos  -Eu me sinto como se tivesses despencando da vassoura…
– É minha culpa, filha. Foi a única maneira de impedir que você lançasse maldições.
– Maldições? Eu… Ah, onde estão os outros?! – ela se pôs de pé rapidamente, procurando.
– Temos que encontrá-los, Meggy! Eles também devem estar como você estava. Temos que ajudá-los!
– Mãe! Levaram o Gregory e tiraram nossa voz! Logo depois levaram a gente também, só que eu não consigo lembrar quem era. Mas eu lembro da sensação de quando vi, meu coração apertou muito porque… porque era… porque de repente eu tinha entendido!
– Não se preocupe, Meggy! Eu prometi que não vou perdoar quem fez isso! Vamos, temos que encontrar seus irmãos e os outros.
– Irmãos? Então a Selene foi…?
– Sim. Vamos antes que possa ser tarde.
E as duas saíram do lugar.

***

Emily tentava ao máximo não ser atingida pelos feitiços que Malthus lançava, mas era a terceira vez que não conseguia se esquivar do crucio que o menino jogara, e sentia o corpo doer. Não ia atacar seu próprio filho. Apesar de saber que aquele que a atacava não era seu menino, sabia que estava no corpo dele, e que, em algum lugar, estava seu filho, perdido.
-Malthus! Por favor! Acorde! – ela gritou fraca por causa da dor.
A boca de Malthus deu um sorriso cruel, retirando o feitiço, mas lançando outro imediatamente.
FULMINATIO!
Juntando toda a força eu ainda lhe restava, ela desviou-se do feitiço e correu na direção de Malthus. Desviando também dos outros feitiços e protegendo-se com a varinha, conseguiu alcançá-lo, ofegante, e abraçou-o por trás, fazendo com que ele começasse a se debater, furioso.
– Malthus, eu te amo! – ela ofegou no ouvido dele, ainda tremendo com o esforço para poder chegar até ali.
Com um poder surpreendente, o menino atirou-a longe, fazendo-a bater a cabeça na parede. Vendo tudo girar, ela tentou focalizar o Malthus, que continuava sorrindo cruelmente para ela.
– Chega de brincadeiras, mamãe. Hora de dizer adeus.
Emily assustou-se. Por um momento achou que Malthus tinha desaparecido completamente, mas o que viu a deixou sem ar. Com um grito de ódio, a voz pareceu sumir, os olhos desfocados de Malthus voltaram à cor natural e encararam a mãe, assustados.
– Mãe?
– … Malthus? – perguntou ela incerta.
Rapidamente, o menino correu até ela, abraçando-a fortemente.
– Mãe! Mãe! – ele murmurava, soluçando.
Emily sentiu o filho abraçá-la e sorriu, aliviada. Era Malthus. Seu Malthus.

***

A primeira coisa que Gareth viu quando abriu os olhos foi o pai atrás de um escudo conjurado. Ele fez um movimento repentino para frente, mas retrocedeu no mesmo instante com a varinha em punho. A lembrança da cilada em que caíram no Expresso de Hogwarts gritou em sua mente na mesma hora.
– Onde estão os outros?! – ele exigiu o mais ameaçadoramente que a sua idade permitia – O que fez com eles?!
Fred desfez o escudo e encarou o filho por um tempo. Não era mais o Gareth que até pouco tempo atrás estava o atacando. Os olhos desfocados haviam sumindo e ele reconheceu a expressão típica de Charlotte quando ficava brava no rosto do menino.
– O QUE FEZ COM ELES?! – perguntou novamente o garoto apontando a varinha para a cabeça de Fred.
– Gareth? É você? – Fred aproximou-se cauteloso.
– Fique longe! Não vai me enganar de novo!
– Enganar?… Ah, sim! Fui preso por causa disso, Gareth! Quem seqüestrou vocês no trem usou uma poção para ficar igual a mim.
-… Como posso saber se é realmente você? – ele o desafiou.
Fred pensou em algo que o convencesse e falou:
– Você tinha medo do vampiro do sótão d’A Toca e não conseguia dormir na casa dos seus avós. Então um dia você aprontou sua mãe o trancou uma hora no sótão de castigo. Desde então, você obedece quando ela ameaça te trancar lá de volta.
– …Qualquer um que tenha conversado com meu pai por mais de 10 minutos fica sabendo disso!
– Hum, então… quando você tinha três anos, no dia das bruxas, caiu dentro do caldeirão de doce de abóbora e assustou sua irmã dizendo que estava derretendo.
– … Não lembro disso!
– E aquela vez que você caiu da vassoura e quebrou dois dentes da frente e teve que agüentar o Gregory gozando as da cara até eles crescerem de novo!
– …
– E ano passado você teve uma onda de sonhos com monstros e sempre acordava com a cama molhada! Ou quando você se escondeu dentro do malão da sua irmã para fugir de casa, e acabou se sujando com os tinteiros coloridos que eu tinha dado para ela! E quando a Meggy colocou a chupeta da Selene em você quando estava dormindo, tirou fotos e distribuiu para toda a família! E também teve aquela vez que-
– Já chega! – cortou o menino furioso – Entendi, pai! Só você para lembrar justamente dessas coisas embaraçosas de mim!
– Você fica igual a sua mãe quando está zangado!… Ah, sua mãe! Temos que encontrá-la! E os outros também!
– Minha mãe está aqui? Mas ela não estava daquele jeito no hospital?
– É uma longa explicação e já perdemos tempo demais! Você vai poder saber como ela está quando a encontrarmos. Vamos!

***

Gregory agarrava-se firmemente em alguém. Era a sua garantia de que estava saindo daquele pesadelo.
-EU PRECISO DE VOCÊS!!!
– Gregory?!
O garoto levou um susto e afastou-se logo. Estava abraçando seu pai, que estava em um estado lamentável.
– Pai?! O que aconteceu? – perguntou o garoto olhando para o lugar em que estavam.
Draco o encarou espantado.
– O quê? – perguntou Gregory mais assustado ainda.
– … me chamou de pai. – respondeu Draco, incrédulo.
Gregory ficou vermelho.
– E estava chorando. – completou Draco passando a mão pelas bochechas molhadas do filho.
– Eu não estava não! – disse o garoto levantando-se furioso e limpando o rosto com a manga do seu uniforme. – Não fica me olhando com essa cara de bobo!  Onde estão os outros?! O que aconteceu? Por que está aqui?! Por Merlim, que lugar é esse?!
Draco levantou-se, sabendo que não era certo estar feliz naquele momento, mas não podendo evitar, e tentou explicar o que sabia:
– Eu acordei aqui. Tudo o que lembro é que eu estava na estação e… – ele lembrou-se de que iria abandonar a família e ir para a França e sentiu um aperto no peito. Por que faria aquilo exatamente? Ele olhou bem para o filho e percebeu o quão idiota ele estava sendo. – … Quando… quando acordei você já estava aqui e me atacou. Você estava sendo controlado.
Com a última frase do pai, Gregory pareceu sair fora do ar.
– Gregory? – chamou Draco, chegando mais perto dele, mas de forma cautelosa, ele poderia estar sendo controlado novamente.
– Eu sei! – disse o garoto de repente agarrando o braço do pai de forma insistente – Eu sei quem está fazendo isso! E ele vai fazer coisa bem pior! Temos que impedi-lo!
– Tudo bem! Primeiro precisamos sair daqui. – disse Draco tentando acalmá-lo e pegando a sua varinha – Essa porta não abre por dentro, temos que-
– Não estou nem aí se a porta abre ou não! – Gregory correu furioso até a porta e esticou os braços, e concentrou seu olhar na porta.
Imediatamente as dobradiças começaram a tremer e a se desfazerem, até virarem pó. Então a posta de madeira pesada caiu no chão com um estrondo e o garoto pulo por ela falando:
– Temos que ser rápidos! – e sumiu pelo corredor.
Surpreso e confuso demais para conseguir falar qualquer coisa, Draco o seguiu correndo.

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Cap  11 – Escuridão

Meggy olhava em volta sem saber o que fazer. Já estava assim, parada, há um bom tempo, encarando com receio a escuridão que a acercava. Não tinha coragem de se mover por não se lembrar de como entrara nessa situação. Então ela lembrou de algo que fez seu coração apertar: onde estavam os outros?
De repente algo começou a surgir na sua frente. Algo que não dependia de luz para ser visto, era como se tivesse luminosidade própria. Embora não tivesse traços nítidos, parecia uma pessoa.
– Quem é? – perguntou ela com voz fraca e rouca.
A figura se tornara distinta instantaneamente, como se a pergunta da garota fosse a palavra mágica para que isso acontecesse.
– Mãe? – Meggy respirou um pouco mais aliviada- Que lugar é esse? Como veio aqui? Eu não…
– Fraca. – disse Charlotte cruzando os braços e encarando a filha com uma expressão de censura e desprezo.
– O quê? – perguntou a garota sem entender.
– Sempre foi fraca. Depende dos outros para tudo. Não sabe viver por si mesma e não decide por si mesma!
– Mãe? O que está dizendo?
– Pensei que poderia ser forte, tendo o que eu não tive e sendo parecida comigo. Mas você me decepcionou. Sempre foi fraca e continuará sendo. Gareth e Selene é que são meus motivos de orgulho. – ao dizer isso os dois apareceram na sua frente e ela pôs as mãos nos ombros de cada um – Selene, apesar de ser muito mais nova do que você, foi a primeira a perceber que algo estava errado. E se eu tivesse falado com o Gareth quando foram para Hogwarts, com certeza vocês não teriam sido seqüestrados.
Os dois irmãos a olhavam como se ela fosse um ser desprezível e não merecesse uma palavra da parte deles.
– Não. – murmurou Meggy – Não foi minha culpa. Pensamos que-
– Não adianta desculpas agora. Já acontece e você está presa aqui – disse uma voz familiar vinda de trás dela.
Ao virar-se, ela deparou-se com seu pai.
– Sempre foi responsável e certinha. – continuou ele – Nunca vai além das regras. Isso não é vida para uma criança, quantas vezes já falei isso? Nunca me escutou!
– Não pai, eu-
– Falar, falar, falar. É a única coisa que sempre soube fazer desde pequena. – ele revirou os olhos não a ouvindo.
– Só sabe corrigir, dizer que estamos errados. Pensa que sabe de tudo, não Meggy? – dessa vez foi Gregory quem apareceu do seu lado – Fica se fazendo de boazinha, menina responsável na frente dos outros, mas sempre está morrendo de vontade de aprontar com a gente. Nunca gostei de você, Meggy. Ninguém suporta mais você!
Como se fosse um eco, a última frase foi repetida pelos outros, enquanto começavam a cercá-la.
– Não! O que estão fazendo? – a garota começou a desesperar-se diante daquilo e seus olhos encheram-se de lágrimas. Perdeu completamente a força nos joelhos e desabou no chão.
– Por que estão fazendo isso?!
Os outros continuaram a cercando, agora com sorriso sombrios enquanto continuavam repetindo que a odiavam.
– PAREM COM ISSO! – Meggy cobriu a cabeça com as mãos e começou a chorar.

***

Malthus não tinha medo de escuro, mas aquela escuridão era muito diferente. Não tinha luz, mas ele conseguia ver a si próprio tão claramente que era como se estivesse em um campo ensolarado. Com certeza era algum tipo de encantamento muito forte, por que ele não se lembrava de como havia parado sido encantado… se é que havia sido encantado…
Não havia nada a cima dele, nada em volta, nada em frente. Ele virou para trás e, de repente, se deparou com Emily.
– Mãe? – ele perguntou incerto.
Ela estava chorando, encarando algum ponto distante com um olhar perdido.
– Mãe? – ele chamou de novo chegando mais perto, com cuidado.
– Eu não consigo vê-lo. Nunca mais vou vê-lo.
Pela tristeza com que ela falava, ele percebeu na hora que ela estava se referindo ao seu pai.
– Não, mãe. O papai vai perceber que-
– Vou perder todos vocês, um por um… Draco foi embora e vocês também me deixaram sozinha.
– Não. – Malthus esqueceu completamente que aquilo poderia ser um encanto e foi até a frente dela – Eu estou aqui, olha.
– Não, não está! – ela caiu de joelhos chorando mais ainda, cobrindo o rosto com as mãos – Todos foram embora!
– Mãe! Olha para mim! Eu estou aqui! – ele abaixou-se com ela a tirou as mãos dela do rosto para que pudesse vê-lo.
– NÃÃÃÃÃOOOO! – ela começou a se debater e o empurrou com força – FIQUE LONGE DE MIM!!!
Malthus permaneceu estático no chão a encarando, com uma sensação de que estava despencando de um abismo: a mãe estava enlouquecendo. Os olhos dela estavam desfocados e demonstravam que ela estava completamente fora de si.

***

Gareth havia corrido por um bom tempo sem conseguir escapar da escuridão. Não era um lugar fechado e parecia não ter fim. Ele parou para tomar fôlego e olhou em volta, nada. Sozinho ele não conseguiria sair dali, não sabia magia para isso. Precisava de ajuda, então contrariado ele tentou:
– EI! Tem alguém aí?! – ele esperou, mas como não houve, resposta tentou de novo – EEEEIIIII! – ele berrou com tudo o que podia e esperou em silêncio absoluto, apurando os ouvidos.
Então um sopro forte veio contra ele derrubando-o, e, junto com o sopro, veio o seu grito de volta. Ele levantou rapidamente e procurou em volta. Continuava não havendo nada.
– Gareth!
– Meggy?! – ele sobressaltou-se tentando procurar de onde vinha a voz – Meggy? Onde você está?
– GARETH! SOCORRO! A SELENE! VOCÊ PRECISA NOS AJUDAR!
– O QUE ESTÁ CONTECENDO?! – ele começou a andar em uma direção, mas a voz da irmã parecia vir de todos os lados.
 – POR FAVOR, GARETH! ESTAMOS AQUI!
O tom de urgência da voz da irmã veio acompanhado por um choro que ele logo reconheceu como sendo de Selene. Elas estavam com problemas e ele precisava ajudá-las.
– Meggy?! Selene?! ONDE VOCÊS ESTÃO?! – ele começou a correr de novo, mesmo não sabendo para onde deveria ir.
– NÃÃÃÕOOO!!! PAREM! GARETH!!!
Dessa vez esse grito o fez gelar. Era a sua mãe gritando desesperada. Algo horrível estava acontecendo com elas. Precisava encontrá-las de qualquer maneira ou poderia… Ele caiu de cara no chão.
– Mas o que… – ele olhou para trás e viu que seus pés tinham sido agarrados pela escuridão, e ela não o deixava levantar.
Ele debateu-se, mas era inútil. Então as vozes recomeçaram, e elas vinham de todos os lados cada vez mais desesperadas e suplicantes. Ele cerrou os dentes com força, se odiando por não ser forte o bastante para poder ajudá-las.  

***

Gregory estava sozinho cercado pela escuridão e tentava se lembrar da pessoa com que havia falado antes de ficar preso naquele lugar. Era a pessoa que estava por trás de tudo. Ele tinha dito algo, uma proposta, mas mesmo com todo o seu esforço ele não conseguia lembrar o que era.
O som de passos o fez acordar subitamente dos seus pensamentos. Ele olhou para frente e viu alguém se afastando. Não havia dúvidas que era Malthus.
– Ei! Malthus!
O garoto não demonstrou ter ouvido, então Gregory correu até ele o fez parar pegando no seu ombro e perguntando:
– Onde está indo? Onde estão os outros?
– Me solta! – rosnou ele em resposta tirando a mão do irmão dele.
– Qual o problema? – perguntou Gregory estranhando a reação agressiva do irmão.
– Problema? – ele parou de repente sem se virar – Você é o problema!
Gregory ficou paralisado diante da acusação. Malthus estava furioso como ele nunca vira antes, e continuou falando:
– Por sua causa o papai foi embora. Por sua causa a mamãe está sofrendo! Por sua causa nós estamos presos aqui! EU TE ODEIO! – e ele correu, sumindo na escuridão.
Gregory continuou no mesmo lugar, com a última frase ecoando na sua cabeça. Ele deu um passo para frente para seguir o irmão, mas não conseguiu.
– IDIOTA! – gritou ele por fim, furioso também pela explosão do irmão e foi para o outro lado, pisando duro.
– Você se acha melhor que o mundo, não?
Ele conhecia aquela voz, era…
– Mãe?
– Sempre achou que tudo gira a sua volta. Será que não pode pensar um pouco mais nos outros?
Ele já tinha ouvido isso antes. Lembranças começaram a vir a sua mente: ele pegando todos os chocolates da caixa e não deixando nenhum para os outros; quando ele tirava um doce do Malthus bebê porque o dele tinha caído no chão; quando os seus primos iam na sua casa e ele escondia todos os seus brinquedos; quando ele pegava a varinha do seu pai só para vê-lo procurar por toda a casa; quando ele acordava a casa inteira por não conseguir dormir; quando ele fazia com que seus colegas de Hogwarts fizessem seus deveres.
– Será que você não pode ser um bom menino pelo menos uma vez, Gregory?
– Mãe, eu não… – ele pensou no que falar, mas descobriu-se sem palavras diante do tom decepcionado da mãe.
– Nunca entendi o porquê dessa implicância, sr. Menino Malfoy.
Dessa vez seu era a voz de seu pai, e ela vinha de trás dele. Ele virou-se e se deparou com o próprio.
– Charlotte falava que você era meu castigo por ter sido tão mimado. – continuou ele em tom de desprezo – Mas mesmo crescendo suas atitudes não mudaram. Continua me tratando como se eu fosse um desconhecido em sua casa.
Gregory ficou calado, não conseguindo encarar o pai. Por mais que ele quisesse gritar e falar um monte de coisas, tudo o que o pai dizia era verdade, e cada verdade o atingia como feitiços flamejantes. Ele sempre foi implicante e nunca teve um motivo claro para isso.
– Você viu desde o começo tudo desmoronar a sua volta e não fez nada para resolver a situação. Sabe que se quisesse poderia ter evitado as brigas, mas deixou elas acontecerem. Orgulhoso demais para se redimir, não? Agora está tudo acabado, Gregory e a culpa é sua!
O garoto queria correr dali, fugir, xingar todos que encontra-se, mas seu corpo não obedecia mais.

FIC – Dois Passados Tembras

Cap  10 – Corações Escuros

O primeiro impulso dela foi correr e abraçar a filha, mas uma sensação estranha a fez ficar imóvel no mesmo instante. A garota parou e permaneceu estática, com a cabeça baixa e completamente muda.
– Meggy? – Charlotte a chamou de novo – O que aconteceu?
A franja da menina escondia seus olhos e o seu rosto não demonstrava qualquer tipo e reação ao chamado da mãe.
– Meggy! O que fizeram com você?
Ela levantou a cabeça de repente e Charlotte deu um passo para trás com o choque do que viu. A filha tinha os olhos cobertos por uma névoa branca que escondia parcialmente suas íris azuis. Um sentimento de completo pavor percorreu Charlotte: estavam usando uma maldição imperdoável nela.
– Me-Meggy? – ela tentou mais uma vez.
Em resposta, a menina levantou os braços e a encarou firmemente com seu olhar desfocado, como se dissesse que dali ela não passaria.
– Alguém vai pagar muito caro por isso! – disse Charlotte entre os dentes ao perceber qual seria a única alternativa para aquela situação – Estupefaça!
O feitiço acertou o alvo em cheio no peito e o impacto fez com que ela fosse jogada para trás e caísse deslizando pelo chão de pedra. Imediatamente Charlotte correu até lá e a pegou, verificando se a tinha machucado. A garota estava desmaiada.
– Desculpa, Meggy. – disse Charlotte tirando os cabelos vermelhos do rosto da filha – Prometo que vou-
Os olhos da menina abriram de repente e eles ainda estavam recobertos pela névoa branca. E antes que Charlotte pudesse fazer qualquer coisa, ela ergueu as mãos para ela e gritou:
ESTUPEFAÇA!
Charlotte foi jogada para trás da mesma maneira que tinha feito com a menina. Chocada, tanto pela forçar do feitiço, quanto por ele ter sido executado por uma aprendiz de magia sem varinha, quanto pela maldição ainda permanecer na filha, Charlotte tentou levantar imediatamente, mas não conseguiu. Um feitiço de estuporamento fraco como o que ela lançara na menina seria o suficiente para libertá-la do controle da maldição.
Tonta e confusa, ela ergueu-se com dificuldade e encarou a filha que novamente erguia os braços impedindo o caminho. Mas dessa vez, ela riu de um jeito estranho:
– E então, Charlotte? – disse ela com a sua voz, mas ao mesmo tempo com uma voz mais grossa que definitivamente não era dela.
– Quem é você?! – perguntou Charlotte deixando transparecer toda a sua raiva.
– Quer mesmo saber? Passe por ela.
Por um momento a névoa que cobria os olhos da garota se desfez e ela olhou assustada para Charlotte:
– Mãe?!
– Meggy!
Charlotte correu até ela, mas novamente a névoa voltou e a menina gritou:
ESTUPEFAÇA!
Charlotte quase foi atingida, conseguiu desviar a tempo girando para o lado.
– Passe por ela, Charlotte. – disse Meggy – É a única maneira de chegar até onde estou. Só devo avisar que essa não é uma maldição muito… conhecida.
– COVARDE! – Charlotte gritou para além da filha.
A menina riu satisfeita e ergue as mãos para a mãe:
FLAMMIS!
***
Emily olhou em volta e não viu mais ninguém ao seu lado. Estava em um lugar escuro e uma única réstia de luz vinha de uma porta entreaberta. Mas logo a luz sumiu, porque alguém entrara e fechara a porta. Imediatamente Emily pegou a varinha e a acendeu, seu susto só não foi maior que o seu alívio. Malthus estava ali, em pé, com os braços esticados como se protegesse a porta contra a própria mãe.
Ela correu para o filho, com lágrimas teimando em escorrer pelo rosto. Abraçou-o firmemente, sem bem esperar ele dizer algo.
– Malthus?! Você está bem?! – ela o beijou e o segurou o rosto dele nas mãos, olhando-o atentamente. Uma sensação gelada percorreu todo o seu corpo quando viu os olhos do menino.
– Malthus?
O menino sorriu, mas não era o sorriso do seu filho. Era um sorriso cínico e maldoso. E não combinava nada com o rosto do menino. Não era Malthus.
Crucio!
Sem nenhuma resistência, o feitiço atingiu Emily em cheio no peito, fazendo com que uma dor insuportável tomasse conta dela. Ela tentou chamar o nome do filho mais vezes, mas a dor era muito forte. Em segundos parou e ele disse com uma voz estranha:
– Olá… Emily.
– O que fizeram com você, Malthus? – Emily percebeu que ele não tinha uma varinha.
– Quer mesmo saber?
Ela levantou-se, um pouco tonta e encarou o filho. Agora ela tinha certeza de que ele estava sendo controlado, não havia outra explicação.
– O que quer de mim? – ela gritou apontando sua varinha para o filho, mas não pretendendo realmente atacar.
– Quero que passe por ele… FULMINATIO!
***
Draco acordou sentindo a cabeça latejando e não conseguiu abrir os olhos de imediato. Tentou lembrar-se do que tinha lhe acontecido e como ficara nesse estado, mas nada lhe vinha à mente. Procurou mover o corpo, porém ele não queria responder aos seus comandos. Sentindo-se toneladas mais pesado, ele investiu todas as suas forças em abrir os olhos e, com dificuldade, conseguiu.
Não era um lugar muito iluminado, foi a primeira coisa que percebeu. Parecia uma cela, fria a escura… ‘Mas que raios ele estava fazendo em um lugar como aquele?’, pensou com raiva. Reparou que estava deitado em um suporte de madeira que era sustentado por correntes descidas do teto de pedra, como o resto da cela.
Ele levantou-se de vagar, sentindo todos os seus músculos protestarem com dor, como se tivesse dormindo ali por dias sem se mover. Olhou para as próprias mãos e tentou lembrar-se de algo, qualquer coisa. Ao ver as roupas que estava usando lembrou-se imediatamente de ter pego uma mala e conseqüentemente lembrou da viagem para a França. Estava na estação e então… sua varinha! Ele procurou por ela no bolso interno das vestes e respirou aliviado ao encontrá-la. Mas o alívio foi momentâneo… Primeiro: o que estava fazendo ali? Segundo: Como chegara ali? Terceiro: Por que não lhe tiraram a sua varinha?
Quase que instintivamente ele percebeu um movimento na parede oposta a que estava, no lugar mais escuro da cela. Ele pegou sua varinha e a ascendeu. O que viu o imobilizou instantaneamente. Lá estava um garoto de cabelos negros bagunçados, que mantinha a cabeça baixa e parecia a aguardar alguma coisa. Sem dúvida alguma, Draco chamou:
– Gregory? O que faz aqui?
Então o garoto ergueu a cabeça e Draco pode ver seus olhos cobertos por uma névoa branca que lhe fazia parecer um zumbi.
– O que você aprontou dessa vez, Gregory? – perguntou Draco furioso passando a desconfiar do filho.
– É tão fácil culpar os outros, não Draco? – comentou o garoto.
Draco percebeu que não era seu filho quem estava falando. Não só pela voz totalmente estranha para o garoto, mas também pelo modo como ele dissera o seu nome, sem rancor ou desdém, como lhe era tão familiar.
– Quem é você?
Gregory sorriu e disse?
– Infelizmente não posso responder isso tão simplesmente assim. Para conseguir essa resposta, – ele indicou uma porta atrás dele – terá que passar por ele e me encontrar.
– Passar?
ESTUPEFAÇA! – gritou o garoto.
Draco ficou alguns segundos prensado contra a parede devido a força do ataque, até cair escorregando no chão.
– Sim, passar.
– Como fez isso?! Nem ao menos tem uma varinha!
– Varinhas somente facilitam. Quando descobrimos nossos verdadeiros poderes, varinhas tornam-se inúteis. E então, senhor Curandeiro fracassado, será que ainda resta algum orgulho sonseriano em você? Ou vai desistir, como estava prestes a fazer quando eu lhe impedi?
– Ora seu… – Draco avançou com varinha em punho, mas, como se essa reação fosse a esperada, a névoa dos olhos de Gregory sumiram e o garoto pestanejou olhando em volta.
– Draco? O que faz aqui? Onde estão os outros? Onde está o Malthus?!
– Outros? – perguntou Draco parando surpreso.
A névoa voltou aos olhos do garoto e junto à voz estranha.
– Sim, os outros. Uma reunião de família. Que tal, Malfoy? Sua esposa também está aqui.
– O QUE VOCÊ FEZ COM A EMILY?!
– Se quiser saber, – o garoto deu um sorriso sinistro esticando os braços e protegendo a porta – Passe por ele.
***
Fred pestanejou diante da figura que encontrou na sua frente assim que se pôs de pé. Depois de ter caído naquele lugar que mais parecia os andares inferiores abandonados do Ministério, seu filho aparecera e se posicionara na frente da única porta do local. Ele o encarava com olhos enevoados e demonstrava totalmente que não o deixaria passar. Era uma maldição de controle, sem sombra de dúvidas, e ele teria que ser cauteloso:
– Gareth? – ele tentou chamá-lo para procurar alguma reação ao nome.
O menino pareceu querer esboçar um sorriso, mas não conseguiu. Dava-se para notar que ele apertava os dentes com força, como se estivesse se segurando. Depois de alguns instantes, em que o garoto pareceu se controlar para ficar calmo, disse com uma voz rouca estranha:
– Como vai… Auror Weasley?
– O que quer? – Fred percebeu o rancor com que seu nome foi proferido.
– O que eu quero? Ainda não está bem claro?
– Por que está fazendo tudo isso? O que pretende? Por que não se revela e fica manipulando uma criança?
– Não só uma, todas. – ele sorriu de um jeito orgulhoso.
Fred percebeu imediatamente que aquela maldição não era algo simples. Não só estavam só manipulando o corpo do filho, havia algo mais.
– Se quer mesmo saber que sou eu, – continuou o garoto – passe por ele. CRUCIO!
***
Lune caiu em um grande salão subterrâneo todo construído de pedras irregulares. Sem deixar-se abalar pela dor nos joelhos por ter caído de mau jeito, ela levantou-se com a varinha em punho e iluminou a sua volta. Charlotte, Emily e Fred não estavam ali, embora ela tivesse certeza de que eles também tivessem caído. O mais estranho, era que ela teve a nítida impressão de, por instantes, ter viajado por uma chave do portal.
– Então você é Lune Montesquieu Lupin? Aquela que foi capaz de usar magia antiga poderosa contra o grande Lord das Trevas e transformá-lo em um aborto inútil?
Lune iluminou na direção de que vinha a voz, mas isso foi desnecessário. Com um estalo de dedos, vários archotes espalhados pelo salão iluminaram-se e o lugar ficou totalmente visível. Era um lugar em forma de círculo, como se fosse uma torre bem ampla. Havia uma escada de pedra ligada à parede que fazia toda a volta no salão até parar em uma grande porta de madeira escura fechada. E na metade dessa escada, estava alguém que Lune já tinha visto antes.
– Você é uma das professoras! – disse ela indignada.
– Sou sim! – Respondeu, satisfeita, a moça de mechas rosas no cabelo – Formada em Beauxbatons e recentemente aceita como professora de História da Magia em Hogwarts. Você era uma heroína entra as alunas da minha geração, sabia?
– Então é você quem está por trás de tudo isso?
– Eu? – ela riu como se estivesse em um bate-papo descontraído com uma colega e terminou de descer as escadas – Infelizmente eu não teria como fazer tudo isso. Algumas coisas eu fiz sim, como trazer aquela pirralha sardenta. Mas não posso reclamar todos os créditos já que foi uma estupidez da parte de vocês a deixarem sozinha.
– Tem mais alguém? Quem?
– Calma. Sei que na sua idade não se pode perder muito tempo, mas não vou lhe entregar tudo de bandeja.
Lune encrespou-se com o velha por tabela e perguntou cerrando os dentes.
– O que ele quer?
– Bom. Tenho ordens de dificultar seu caminho. Devo admitir que a situação dos seus amigos é bem mais desesperadora, mas prometo que vou duelar a sua altura se for preciso.
– Minha altura? Acho que temos que medir direito essa altura toda. – Lune não deixou por menos e usou da mesma arma verbal que a outra, que era notoriamente pequena perto dela.
E funcionou. Foi a vez da moça ficar irritada. Ela puxou a varinha e estava preste a lançar uma maldição quando Lune a desarmou.
– Não tenho tempo para isso, como você mesma lembrou. – disse Lune avançando para ela – Erga as mãos e fique parada, sua situação já está bem complicada, não piores as coisas.
A moça ergueu as mãos, como Lune havia mondado, mas seu rosto não demonstrava sinal algum de derrota:
– Não venha com esse papo de WIB para cima de mim. Tenho ordens superiores às suas, tia velha! DEFICIO!
Os pés de Lune forma tirados do chão com violência e ela caiu de costas. A moça riu e disse alegremente:
– Ah, que falta de educação. Já a derrubei e ainda nem me apresentei. Sou Parvana Faucher, a primeira e única seguidora aceita. E, como pode ver, estou aprendendo todas as lições do meu mestre.
Lune sentiu como se cordas invisíveis brotassem do chão e prendesse seus tornozelos, punhos, cintura e pescoço.
– Uma amostra grátis para você não ficar perdida. – a moça se aproximou e sentou-se tranqüilamente ao lado da agente, que se debatia tentando se livrar das cordas – Não adianta você me desarmar. Varinhas são meros instrumentos que só sevem para canalizar nossa magia. Quando conhecemos nosso verdadeiro poder, não precisamos mais delas. É difícil, mas não impossível.
– É insano! – escandalizou-se Lune – Varinhas não servem somente para canalizar nosso poder! Elas permitem um fluxo seguro de magia! Sem elas nosso corpo pode não resistir e ser consumido!
A moça riu:
– Isso é o que aprendemos, mas será que é verdade?… Ou será apenas uma maneira de nos manter sob controle?
Lune a encarou demonstrando sua total contrariedade.
– Pensa comigo. – continuou a moça sem deixar-se intimidar – Usar magia com o próprio corpo nos torna muito mais poderosos e conseqüentemente muito, muito mais poderosos, entendeu? Poder mágico e poder sobre os outros e contra os outros. Isso seria um problema para as autoridades mágicas, não acha? E os magos do grande escalão, o que fariam? Qualquer um poderia ser capaz de usar poderes equivalentes ao do lendário Merlin! Não é fantástico?!
– É loucura!
A professora deu os ombros e retrucou:
– Não sou eu quem está presa no chão… Vejamos, vou contar o que está acontecendo enquanto você fica presa aí. A antiga comensal, a Charlotte, contra a menina ruiva, Meggy acho que é o nome. Emily contra o seu filho mais novo, Fred contra o loirinho mal encarado e Draco contra o filho revoltado. Todas as crianças estão sendo controladas pelo meu mestre com Tenebrae.
Tenebrae?! – repetiu Lune enquanto a bruxa continuava a falar despreocupadamente.
– Sim. – ela confirmou feliz – E a única maneira de retirar o controle é de dentro para fora, ou seja, as crianças são quem tem que sair do controle. Quanto mais escuro os corações delas, mas presas em seus medos elas ficam. Simples! – ela sorriu meigamente e continuou empolgada – Ah, ele é demais, não? Supera de longe aquele velho gagá que vocês seguiam cegamente, o Dumb-alguma-coisa.
A mente de Lune trabalhava rapidamente em busca de uma saída para aquela situação. Assim que a moça se perdeu em devaneios falando o quando seu mestre era inteligente e poderoso, Lune pôs em prática o seu plano:
– Então seu mestre usa magia antiga?
A moça tomou uma posição de total orgulho para responder:
– Não só magia antiga! Meu mestre se especializou em toda a História Mágica. E sabe qual é o principal objetivo de quem estuda a História? Aprender com os erros antigos. Meu mestre aprendeu com os erros dos maiores bruxos das trevas que quase foram bem sucedidos.
– E você, aprendiz, também sabe sobre Magia Antiga? – Lune a cortou.
– Claro que sei! – disse ela com ferocidade, tanto por ter sido interrompida, quanto por Lune ter usado um tom de descrença e acrescentou furiosa – Não foi a toa que entrei para Hogwarts, tomando o lugar de um professor de centenas de anos!
– Então, – disse Lune tentando parecer o mais perigosa possível – Você sabe que eu sou a única que conseguiu executar um encantamento de retirada de poder perfeitamente.
– Claro que sei! Já falei que você foi a heroína da minha geração!
– E não está com medo?
– Medo? – a moça deu uma risadinha fraca de deboche.
– Sim. – continuou Lune.
– Você nem ao menos tem uma varinha.
– Posso não ter uma varinha, mas tenho anos de aprimoramento. O que acha?
– Hunf! – a moça pôs-se de pé, mas foi imediatamente jogada no chão.
Ao seu lado, Lune levantou-se e foi sua vez de rir:
– Vocês não foram os únicos que estudaram magia antiga. Pensou que a única coisa que aprendi Foi o Abedictus? Pois saiba que ainda tenho alguns truques na manga.
– Isso é…

Duplicatu. – completou a agente explicando – Eu dupliquei o seu encantamento e o passei para você mesma. Estranho como coisas ruins acontecem quando falamos demais, não? Mas quando se é muito imaturo isso é normal. – Lune pegou a sua varinha no chão e apontou para o rosto da moça – Agora me diga onde estão os outros!

FIC – Dois Passados Tembras

Cap  09 – Decifrando a Profecia

– Muito bem, Emily. Está calma agora? – perguntou Lune enquanto ajeitava uma pequena esfera em um pequeno suporte na frente da amiga.
– Eu… estou. – respondeu Emily sentando-se na mesa, mas não parecendo ter muita certeza se estava calma.
Elas estavam em uma sala fechada no departamento Auror. Lune, como WIB, tinha permissão para arquivar profecias, e era exatamente isso que ela estava prestes a fazer.
– É muito simples. Tudo o que tem que fazer é se concentrar. – ela sentou-se na mesa – Coloque a mão da varinha em cima da esfera e concentre-se na profecia. Quando conseguir passá-la para cá, podemos analisar tudo o que ela diz. Está pronta?… tente.
Emily encarou a esfera na sua frente e esticou sua mão para ela, mas parou no meio do caminho:
– Só que eu não lembro de toda a profecia!
– Mas ouviu toda ela, não? Isso é o suficiente. Ela está aí em algum lugar da sua cabeça e a esfera é encantada para encontrá-la. Concentre-se.
Emily respirou fundo, colocou a mão sobre a esfera e fechou os olhos. Tentou trazer a imagem mais nítida possível que tinha daquele dia. Kira e ela conversando na loja, Charlotte correndo atrás de Selene e então…
A esfera começou a brilhar intensamente, mas ela não abriu os olhos e parecia não ter percebido isso. Somente Lune observava atentamente tudo o que estava acontecendo. Uma fumaça fina começou a aparecer girando dentro da esfera e logo ela ganhou mais espessura, até preencher todo o recipiente. Então a luz sumiu diminuiu até restar apenas um brilho fraco da fumaça lá dentro.
– Perfeito! – exclamou Lune fazendo com que Emily abrisse os olhos assustada.
– Pronto? – perguntou a outra surpresa, tirando a mão da esfera e olhando a fumaça que não havia antes.
– Vamos ouvir. – Lune tocou na esfera com a varinha e a fumaça começou a borbulhar. Ela passou pelo vidro e ergueu-se no ar, adquirindo forma. Logo uma Kira transparente como um fantasma estava diante delas e começou a falar com a voz rouca:
Um novo mal vem. Não tão abrangente quanto o outro, mas será se as trevas cobrirem aqueles que não acreditam. A verdade será subjugada pela duvida. O amor será rebaixado. A pior escuridão é aquela que cega nossos corações. E quando os corações ficam escuros, tempos escuros virão.
Então a fumaça voltou para dentro da esfera e recomeçou a girar tranqüilamente. Elas ficaram em silêncio por alguns instantes, então Emily repetiu:
– Quando os corações ficam escuros, tempos escuros virão… O que ela quis dizer com isso?
– A verdade será subjugada pela dúvida e o amor rebaixado… – murmurou Lune pensando.
– Verdade! – exclamou Emily como se lembrasse de algo – Dúvidas! Não acreditaram na Charlotte! Duvidaram de que ela estava falando a verdade e por isso a internaram. Ninguém acreditava na pessoa escura que a Selene falava que via. Não acreditaram no Fred quando o prenderam. E… o Draco não acreditava mais em mim…
– O amor será rebaixado. – repetiu Lune compreendendo o raciocínio da outra.
– Nós já não estávamos mais levando em conta o amor. Nossos problemas estavam sempre na frente… Esses são os corações escuros? Os nossos?
– Um novo mal, não tão abrangente quanto o outro, mas será se as trevas cobrirem aqueles que não acreditam… Percebe, Emily? Esse sujeito não está agindo exatamente como Lord Voldemort. Ele não está declarando-se para toda a comunidade bruxa. Não há pânico e terror como houve um dia. E nós estamos agindo exatamente como ele quer! Vocês estão desunidos e distantes e, portanto, são mais fáceis de serem derrotados. Ele sabe que o grande erro de Voldemort foi deixar a Charlotte criar todos esses laços de amizade, principalmente com você.
– Então… o que temos que fazer é nos unir?
– Exatamente.
– Como?
– Vamos fazer como fizemos há dezesseis anos! Vamos nos unir e encontrar as crianças!

***

– EU QUERO FALAR COM ELA AGORA! – gritou Chrisbell furiosa.
– Não pode entrar aqui assim, Chrisbell! – disse Harry entre os dentes tentando impedir a garota de passar – Tem noção de que isso aqui é o Ministério da Magia? Não posso deixá-la passar assim!
– Nem se você fosse o próprio Ministro da magia me impediria, Harry Potter! Preciso falar com a sua irmã imediatamente!
Vários bruxos que estavam no hall de entrada do Ministério pararam para ver o que estavam acontecendo.
– Então me diga o que você quer que eu… O que ele está fazendo aqui?! – perguntou Harry apontando para o alagatus branco atrás da garota que começou a rosnar ameaçadoramente para ele.
– Vai me deixar passar ou não? – perguntou ela em um tom nada amigável sacando a varinha e apontando para o nariz dele.
– Você é louca, Chrisbell?! – perguntou Harry chocado ao mesmo tempo em que vários aurores também sacaram suas varinhas e cercaram a garota.
Ela respirou furiosa ao ver que estava a ponto de ser presa e abaixou a varinha.
– Harry? O que foi?
– EMILY! – Chrisbell esqueceu-se completamente dos aurores altamente treinados que a cercavam por ter ameaçado um superior deles e correu até a cunhada.
– O que faz aqui, Belly?
– Problemas! – disse ela – Problemas sérios com a tampinha!
Emily ficou feliz em perceber que Chrisbell, apesar de ser um pouco chamativa, sabia agir com cautela na hora de falar. Tampinha era como Draco chamava a irmã mais velha quando queria deixá-la irritada.
– Aqui, olha. Acho que ela andou caçando gnomos de novo.
Entendendo o jogo dela, Emily agachou-se junto com a garota e agiu como se estivessem analisando a pata do alagatus.
– O que foi? – sussurrou ela perguntando.
– Ela mandou um recado pelo Lumus. Descobriu onde eles estão.
Emily levantou-se e dirigiu-se ao irmão.
– Harry, vamos ter que sair. Chrisbell, Lune e eu. – e acrescentou discretamente – Temos uma pista. Fique atento e não deixe que os aurores e WIBs nos sigam.
– Emily, espera! Antes eu preciso que a Lune venha comigo. Ela logo encontrará vocês.
– Não demore, por favor.

***

– Como ela conseguiu chamar o Lumus? – Emily perguntou baixo e olhando para os lados assim que elas saíram pela cabine telefônica seguidas pelo alagatus.
– Lumus tem um elo mágico com a dona, assim como a Obliviate tinha. A devoção dos animais mágicos também passam de pais para filhos, como os elfos.
– Hum… Vamos nos afastar daqui. Alguém pode sair e nos ouvir falando.
Elas foram para a esquina e ficaram protegidas por uma caçamba cheia de lixo.
– Aqui. – Chrisbell tirou um pedaço de pergaminho todo amassado do bolso – Está meio babado porque ela deu ordens para ele esconder bem.
Emily pegou o pergaminho e leu o que estava escrito com letras escarlates.
– Uma grande fogueira a aprendiz deve fazer. Só que dessa vez, de dentro da casa ninguém irá correr. – e embaixo havia algo rabiscado às pressas – Você fugiu daquela vez, Emily. Temos que ir até onde Voldemort pensou que tinha te matado… A casa onde meus pais me esconderam! – exclamou Emily – É claro! Ele está imitando os passos de Voldemort, mas não quer cometer os mesmos erros… Naquele dia ele usou a Charlotte, para iniciá-la como aprendiz. Mas quem será a aprendiz dessa vez?
– A Selene. – disse uma voz atrás delas.
Emily quase pulou com o susto e virou-se já segurando firmemente a varinha no bolso do casaco. Mas respirou aliviada assim que viu quem era:
– Fred! Está livre!
– Eu não conseguiria levar a Selene para junto dos outro estando preso. O Harry conseguiu com que me libertassem. Só que minhas ordens são ajudar a Lune a encontrar a Charlotte o mais rápido possível.
– E é isso que vamos fazer. Então, o que conseguiu, Emily? – perguntou Lune que estava logo atrás dele.
– Charlotte nos enviou isso! – ela entregou o pergaminho para a agente.
– E… você sabe onde fica esse lugar? – perguntou ela assim que terminou de ler.
– Não bem ao certo. É afastado, mas com certeza a Charlotte estará por perto e o Lumus saberá encontrá-la.
– Então vamos. Chrisbell será a nossa ligação com os outros agentes. Assim que encontrarmos o esconderijo, mandamos o alagatus de volta para mostrar o caminho.
– Eu quero ir junto! Quero ajudar! Todos os meus sobrinhos estão lá!
– Chrisbell, você vai nos ajudar e muito se ficar. Qualquer coisa avise o Harry, está bem?
Ela suspirou derrotada e disse:
– Mas eu vou junto com ele!… – então passou a mão pela cabeça do alagatus que ronronou como se fosse um gatinho – Tragam todos de volta, por favor. Eu não sei o que faria se algo acontecesse com aqueles pestinhas.
– Pode deixar, Bell. – disse Fred – Esse cara já foi longe demais! Não vamos deixar barato!

***

Charlotte pisou cautelosamente na neve e se escondeu atrás de uma árvore, o que não garantia que ela já tivesse sido vista. Era exatamente aquele o lugar que ela lembrava. Lá estava ainda a parcialmente inteira e queimada casa onde Emily se escondera com a sua babá durante algum tempo.
Em toda aquela região não havia uma viva alma, tanto trouxa quanto bruxa. Mas ela sentia que havia magia naquele lugar. Uma sensação forte, assim como a que se tinha quando se entra nos terrenos de Hogwarts ou no Beco Diagonal.
Não havia dúvidas, ela teria que entrar lá. Mesmo sabendo que ser uma armadilha, ela também sabia que esse seria o único meio de saber quem estava por trás de tudo isso.
Um ruído veio de trás dela e Charlotte virou-se rapidamente já com a varinha em punho e deparou-se com Emily.
– Sabia que encontraria esse lugar. – disse ela baixando a varinha.
– É. – Emily olhou em volta com uma expressão de quem não estava nada contente em estar onde estava – Eu só lembrava dele dos meus sonhos… e não eram bons sonhos.
– Viu algo? – perguntou Lune aparecendo logo em seguida.
– Charlotte! – Fred apareceu também e correu até a esposa a abraçando – Você está bem?! Não aconteceu nada?! Não se machucou?!
– Calma, Fred! – ele pediu, tentando se livrar do abraço apertado do marido, confusa com o exagero dele – Eu fui uma comensal! Não quebro assim tão fácil.
– Eu sei, mas… – ele pensou melhor no que dizer e continuou – Tome cuidado, por favor.
– Aqueles WIBs imbecis prenderam você também? – perguntou ela estranhando a reação do marido.
– Também adoro ex-comensais, Charlotte. – disse Lune sarcástica – Mas vamos deixar essas brigas antigas para depois. Conte o que sabe.
Charlotte contou sobre a fogueira misteriosa que lhe entregou a pista e Emily contou sobre a profecia.
– Então vamos fazer logo o que ele quer. – Charlotte encarou Lune por um instante e perguntou a contra gosto – Avisamos os WIBs ou resolvemos tudo sozinhos?
Em resposta, Lune chamou o alagatus que estava atrás deles e disse:
– Volte para a Chrisbell e a traga até aqui.
Lumus abriu as grandes assas e decolou em um vôo silencioso.
– Vamos. – continuou ela tomando a frente e rumando ao casebre.
Aparentemente, da antiga construção sobrara apenas paredes parcialmente destruídas por um fogo suspeito. Não havia uma porta na entrada e o teto tinha desabado quase por inteiro. O chão estava repleto de neve e entulhos.
– Ali. – Emily apontou para uma porta a esquerda deles – Era o quarto.
Fred, com a varinha em punho, chutou a porta, arrancado-a das dobradiças podres e a fazendo cair com um estrondo no chão. Não havia nada lá dentro também.
– Não tem nada aqui. – disse Emily entrando junto com os outro para poder ver melhor – Eles não estão aqui!
– Calma, Emily. – disse Charlotte – Escuta…
Nesse instante, o chão começou a tremer.
– Fiquem juntos! – alertou Lune.
Mas já era tarde demais. O Chão sumiu por debaixo de seus pés e os quatro caíram na escuridão.

***

Charlotte abriu os olhos devagar e se deparou com um teto de pedra escura, como o de uma caverna. Ela levantou-se com cautela e olhou em volta. O lugar estava escuro, mas não deixava dúvidas de que era algum lugar subterrâneo. As paredes eram de pedras escuras encaixadas desalinhadamente umas nas outras. Haviam duas velas com chamas vermelhas que flutuavam cada uma em um canto, mas que não ajudavam muita coisa.
Fred, Emily e Lune haviam desaparecido assim que o chão desaparecera por debaixo de seus pés. Não havia sinal algum de que eles poderiam estar ali também.
Um barulho de passos veio de um dos cantos escuros e Charlotte percebeu que ali tinha uma passagem, a única daquele lugar. Ela segurou a varinha firmemente na mão e preparou-se, mas não poderia atacar sem saber antes quem era:
– Quem está aí?
Um vulto avançou a passos lentos para a luz fraca e Charlotte viu com alívio quem era:
– Meggy!