FIC – Entre Doces e Dragões Especial

CAP 05 – Estranho conhecido

Seguindo os passos, Mary e Doumajyd foram guiados pelas ruas escuras de Hogsmeade. Primeiro passaram no Restaurante Casa dos Gritos, onde os passos ficaram um tempo cintilando em uma mesa, sugerindo que Dorothy havia parado ali por um tempo e provavelmente feito uma refeição.

– Aqui não foi… – Nissenson começou a formular uma pergunta, mas levou uma cotovela de Vicky, que dizia para que ele guardasse seus comentários.

Logo os passos voltaram a se mover e seguiram rapidamente para o zoológico, onde se tornaram inconstantes e mais confusos de se seguir, já que alternava a sua direção várias vezes e de forma repentina. Até que depois de várias voltas, elas seguiram para a saída e voltaram a percorrer as ruas da cidade, até entrarem na Praça do Relógio.

– Vicky, por acaso aqui… – foi a vez de McGilleain tentar perguntar, e antes que ele pudesse terminar de o fazer, Vicky agarrou ele e o marido pelos braços, os fazendo parar no meio da rua na antes do início da calçada que circulava toda a praça. E então os arrastou para longe, sendo seguidos por um Hainault que parecia olhar distraidamente em volta, como se estivesse em um simples passeio noturno.

– Acho que entendi. – declarou ela, quando estavam afastados o suficiente do casal Doumajyd, que não haviam notado a fuga dos amigos devido a concentração em seguir as pegadas para dentro da Praça.

– Entendeu o quê? – perguntou Nissenson.

– Parece que existe uma lógica por trás do suposto seqüestro da Dorothy. – contou Hainault, como alguém que já sabia da informação e apenas aguardava um melhor momento para contar.

Os outros dois olharam de um para outro, aguardando uma explicação mais detalhada.

– Pensem. – começou Vicky – Perceberam que os caminhos que percorremos são os lugares que fazem parte do passado da Mary e do Chris?

– Sim. – respondeu Nissenson.

– Era o que eu queria ter perguntado antes. – completou McGilleain.

– Contamos todas essas histórias para a Dorothy, não contamos? – ela perguntou para eles, que afirmaram com um aceno de cabeça – Não acham natural ela querer visitar esses lugares que fazem parte da história dos seus pais?

– Espera. – Nissenson pareceu ter entendido o raciocínio de Vicky e do amigo – Quer dizer que isso não é um seqüestro?

– Pelo caminho que fizemos, parece mais um passeio. – disse Hainault.

– Então devemos contar isso para o Chris e a Mary! – exclamou McGilleain.

– Não! – Vicky o cortou antes que ele pudesse esboçar qualquer movimento para fazer aquilo – Acho que eles compreenderem por eles mesmos faz parte do plano de quem elaborou tudo isso.

– Mas quem elaborou tudo isso? – Nissenson perguntou perplexo.

– Penso que não cabe a nós descobrirmos. – Hainault concluiu.

***

Apesar de dizer que não queria a sopa, Dorothy a devorou como se estivesse há dias sem uma refeição decente, diante dos olhares surpresos de Ian e do estranho.

Enquanto a garota se distraía com sua colher e prato, Ian disfarçadamente analisava, atendo a qualquer movimento que o estranho fazia. Apesar de achar que não havia um grande perigo, nada até o momento o deixara totalmente tranquillo. Afinal, haviam sido seqüestrados e a cordialidade que receberam nos últimos momentos não eram o suficiente para quebrar a desconfiança.

– Você! – Dorothy apontou a colher para o estranho de repente, o encarando com seu olhar determinado, como se anunciasse uma sentença – É familiar.

Ele sorriu e continuou com sua sopa.

– Conhece ele? – Ian perguntou baixinho, confuso.

– Ele parece com alguém. – ela disse, sem tirar os olhos dele, apesar de continuar comendo – Mas conheço tantas pessoas que não consigo me lembrar com quem… Provavelmente alguém do trabalho do meu pai.

– Está chegando pero. – comentou o estranho.

Ian se surpreendeu com aquilo. Ele ia realmente ajudá-la a lembrar e assim fazer com que eles descobrissem quem ele era de verdade?

Entretanto, ele não parecia ser algum conhecido do pai de Dorothy, já que ele não parecia tão velho para ter algum negócio com a gigante D&M, e com certeza não era um herdeiro famoso, ou a garota se lembraria mais facilmente, já que ela convivia com essas pessoas. Apesar de não ser tão velho, também não parecia ter muito mais idade com eles. Era mais como alguém que tinha recebido a licença para usar magia há pouco tempo… Então uma idéia lhe ocorreu, e ele sussurrou para ela:

– Ele não é parecido com alguém que você conhece?

Aquilo pareceu fazer sentido na cabeça dela e por um momento ela se perdeu em pensamentos, como se levantasse suposições e revisasse seu arquivo mental de rostos em busca de traços conhecidos. Se ela descobrisse com que ele parecia, poderiam começar a entender porque estavam ali.

O estranho apenas observava o esforço que ela fazia, como se estivesse ciente de que agora era apenas uma contagem regressiva, e não tivesse muito a perder caso ela realmente descobrisse.

– AAAH! – fez a garota, quase virando a mesa no processo de levantar e exclamar.

– Lembrou? – perguntou Ian, sem tirar os olhos do estranho

***

Mary viu os passos luminosos pararem embaixo da estátua do bruxo montado a cavalo na Praça do Relógio e ali se deter, cintilando no mesmo lugar.

– Ela… ela ficou parada aqui. – informou para Doumajyd.

– Por que ela viria aqui? – ele perguntou – Por que ela andaria pela cidade inteira quando sabe que não pode fazer isso sozinha?

– Dorothy estava passeando, mamãe? – Julyan perguntou – Eu posso passear também?

– Não pode. – o dragão respondeu imediatamente – Não sozinho. Tem muitas pessoas ruins que só estão esperando uma chance de fazer algo ruim com vocês.

Mary escutou o marido repetir o que ele sempre falava para os filhos diante de perguntas como aquela e então, algumas coisas do que estava acontecendo começaram a fazer sentido.

– Talvez, – começou devagar, ainda relutante com essa possibilidade – ela só quisesse sair.

Doumajyd a encarou por um tempo, tentando pegar o fio de pensamento dela.

– Porque ela iria querer sair? – ele perguntou confuso, e o filho o seguiu na mesma expressão.

– Chris, nossa filha é importante para nós. E eu sei, que da mesma forma que você, ela carrega o fardo de ser a herdeira Doumajyd. Mas… Lembra quando andávamos por Hogsmeade sem problemas? Lembra que essa era a melhor parte de Hogwarts? – ela pensou um pouco e acrescentou – Bom, pelo menos para mim era, já que era o único momento em que eu ficava longe da arrogância de certos dragões.

– Como assim era bom ficar longe do Ilustríssimo Eu? – ele perguntou incrédulo.

– Quase sempre era.

– Os melhores momentos que você teve em Hogwarts foram comigo, não se lembra?

– Sim. – ela desdenhou – Como o dia e que ficamos presos na casa dos gritos e você ficou doente. O maior nome dentro da Sociedade Bruxa desmaiando de febre no meio de escombros de uma construção.

– Foi um bom dia, sim! Foi nosso primeiro encontro!

– Não, aquilo não foi um encontro. – Mary o corrigiu.

– Claro que foi! E você me fez ficar esperando plantado aqui por quatro horas e estava nevando! Se não fosse por isso, essa história da febre não teria acontecido e seria um encontro melhor.

Ela lhe lançou um olhar de dúvida.

– Ok, então o encontro no Zoológico? Aquilo foi um encontro, não foi?

Mary lembrou da sua real intenção por trás daquele encontro duplo e tentou disfarçar, pulando para o como aquele dia terminara:

– Mas no final você socou o namorado da Vicky.

– Mas ele mereceu.

– É, ele mereceu. – não podia negar.

– E eu comprei aquele bicho estranho legal para você!

– Não lembro de bicho estranho nenhum.

– Aquele que rosna estranho quando a gente abre a boca dele e que a mamãe esconde dentro da gaveta? – perguntou Julyan.

– Julyan! – Mary.

– Esse mesmo! – Doumajyd riu.

– Enfim, estamos falando da Dorothy e não sobre nós!

– Os pezinhos! – informou o menino apontando para as marcas que começaram a se mover de novo e seguiram até um canteiro.

E, como se fosse levado por uma lufada de vento, os passos sumiram no ar.

– E agora? – Julyan perguntou, esperando que seus super pais resolvessem aquele problema facilmente.

Porém, Doumajyd e Mary se entreolharam sem saber o que fazer. Então, uma voz conhecida veio de algum lugar atrás deles:

– Que tal admitirem que vocês se preocupam demais, mesmo sem motivos?

FIC – Entre Doces e Dragões Especial

CAP 04 – Feitiço Rastreador de Primeira Ordem
– Quem é você?! – rosnou Dorothy, erguendo os punhos e ficando em posição de ataque, pronta para enfrentar qualquer coisa mesmo estando desarmada.
Mas a única resposta que recebeu foi uma gargalhada de quem estava se divertindo com a situação.
 – Não pense que vai conseguir o que quer facilmente! – Ian tentou ajudar de alguma maneira – Nesse momento o senhor Doumajyd deve estar querendo arrancar a sua cabeça!
– E é justamente isso que eu quero, caro amigo. – a pessoa entrou e fechou a porta calmamente, um gesto nem um pouco parecido com o de um seqüestrador, mais com alguém que entra na própria casa – Mas até que isso aconteça, eu peço que vocês aguardem aqui sem muita agitação. Seria melhor se ainda estivessem amarrados, mas já que se soltaram, não vou prendê-los novamente… Estão com fome?
Ian ficou sem saber o que responder, principalmente porque o seqüestrador falara do modo mais educado que alguém já havia lhe falado. Já Dorothy continuou na mesma pose de ataque e estreitou os olhos, respondeu a pergunta com seu jeito doce de falar:
– Não pense que vai nos enganar, idiota! E não pense que vou deixar vocês me usarem para conseguir alguma coisa do meu pai!
– Que seja.
Ele puxou uma varinha do bolso de suas vestes e Dorothy recuou, ainda em pose de ataque, o que fez Ian se sobressaltar. Porém, o estranho apenas fez um gesto simples em direção a uma mesa velha, e instantaneamente ela foi coberta por uma toalha limpa. E, com mais gestos, também fez parecer pratos, talheres e uma travessa com sopa recém feita.
Não tenho ordens para deixá-los morrer de fome, mas também não tenho ordens para alimentá-los. Então, quem vai sair perdendo são vocês.
E então ele sentou-se à mesa, servindo um prato para ele, mais uma vez agindo tranquilamente como alguém que estava na própria casa.
Ao perceber a atitude tranqüila dele, Ian se deu conta de que estava tão preocupado com o ‘como fugir dali’ que não pensara em mais nada. Uma vez que entramos em uma situação como de seqüestro, nosso principal pensamento sempre é o de defesa e de fuga, e só depois de algum tempo é que tomamos consciência de analisar pequenos detalhes. E foram esses pequenos detalhes que fizeram o garoto chegar a uma conclusão:
– Isso não é um seqüestro, não é mesmo?
Dorothy o encarou surpresa e o suposto seqüestrador se limitou a sorrir.
– De certa forma você está correto, mas agora ainda não é a hora de explicar o que está acontecendo e essa explicação muito menos vira de mim. Então, enquanto somos obrigados a esperar, porque não aproveitam e comem?
Com isso, Dorothy lhe lançou um olhar inquiridor, que dizia com todas as palavras que a decisão caberia a ele, já que ele parecia estar à frente dela no entendimento de tudo aquilo.
– Confie em mim. – foi tudo o que ele sussurrou para ela, antes de seguir para a mesa – Isso cheira bem!
– Garanto que é melhor sopa de tomate que vai experimentar! – se gabou o estranho.
***
A senhora Ganderson permaneceu estática diante da porta da sua casa. Ao abri-la, já tinha preparada em mente mais de mil ofensas contra aqueles que estavam espancando a sua porta tão tarde da noite. Mas assim que se deu conta de que aqueles rostos a sua frente eram os mesmos que ela vira muitas vezes no Profeta Diário, a sua mente ficou em branco e tudo o que conseguiu fazer foi um gesto involuntário de recuar.
– Estamos procurando por Ian Ganderson. – informou o Chefe Auror MacGilleain.
A pergunta ficou sem respostas por alguns segundos e então a mulher pareceu se dar conta do que poderia ser, e respondeu em tom de defesa:
– Juro que não temos nada a ver com o que ele aprontou! Aquele inútil não volta para casa faz dias!
– O que a senhora é dele? – perguntou Nissenson, aproveitando para dar uma olhada geral na casa, e confirmando que ali era um lar bruxo, apesar de visivelmente pobre.
– Mãe. – ela respondeu, ainda na defensiva – Se ele aprontou algum coisa, senhor Chefe Auror, pode ficar a vontade para-
Mas ela não pode terminar, Doumajyd avançou para frente deles, com Julian ao seu lado, e perguntou impaciente:
– Só nos diga onde ele está, senhora.
Foi então que a mulher se deu conta de que não só estava diante de pessoas importantes, como essas pessoas eram o D4. E só conseguindo ligar esse fato a uma única coisa, ela desabou em lágrimas:
– Eu juro que não temos nada a ver com o que aquele aborto aprontou! Fizemos de tudo para torná-lo uma pessoa melhor, mas não teve jeito! Garanto que meus outros filhos são bruxos honrados! Não nos julguem pelo que Ian fez!
Os quatro dragões e Julian permaneceram parados, apenas assistindo ao desabafo da mãe.
– Quem é? – um bruxo barbudo apareceu à porta, e logo os visitantes o concluíram que ele seria o marido da senhora.
 Assim que deu conta da presença dele ali, a mulher engoliu o choro e ficou calada, como quem não ousava respirar, mas mesmo assim era visível que tremia.
– Senhor, queremos saber onde Ian está.
O bruxo estreitou os olhos, o que não contribuiu em nada para a sua aparência de poucos amigos, e pensou por um tempo. Então, empurrou a mulher para dentro e respondeu de uma forma seca:
– Nenhum Ian mora aqui. Boa noite, senhores.
E estava prestes a fechar a porta quando foi impedido por Doumajyd, que o impediu. Por um tempo, os dois ficaram se encarando, como se medissem forças.
– Senhor, só queremos saber onde ele está. – MacGilleain tentou contornar a situação de uma forma pacífica – Garanto que vocês não sairão prejudicados.
– Aquele menino que segura uma varinha como se fosse um graveto não merece morar em um lar de bruxos. – respondeu o senhor – Podemos ser humildes, mas ainda sim temos uma tradição. Ian já está grande o suficiente para se virar sozinho. Ele não faz mais parte dessa família.
Aquela declaração deixou Doumajyd surpreso:
– Quer dizer que resolveu ignorar seu filho pelo simples fato de ele não poder usar magia? QUE TIPO DE IDIOTA VOCÊ É?!
– NÃO CHRIS! – Nissenson segurou o amigo a tempo, antes que ele pudesse agredir o bruxo, mas não atentou para Julian, que avançou no lugar do pai.
– QUE TIPO DE IDIOTA VOCÊ É?! – gritou o menino, chutando a canela do bruxo.
Diante dessa reação estourada do menino, claramente imitando o pai, os outros dragões se espantaram. Mas antes que qualquer um pudesse fazer alguma coisa, o menino acrescentou usando um tom que lembrava muito o que Mary sempre usava ara dar sermão:
– NÃO PODE DIZER ESSAS COISAS DOS FILHOS!
O bruxo encarou o menino de cinco anos que lhe dava uma lição de moral e então para os outros bruxos, que aguardavam. E, sem dizer mais nada, fechou a porta.
– EEEEI! – foi a vez de Doumajyd socar a madeira.
– Não adianta, Chris. – disse Hainault – Se os pais não o aceitam já é um início para descobrirmos os motivos que esse garoto tenha para ajudar a Dorothy.
***
– Ian nunca faria uma coisas dessas. – disse o mestre Agravaine com uma risada, seguindo com Mary e Vicky para so fundos da sua loja – Sim ele esteve comigo em Hogwarts, e sim ele voltou comigo de Hogwarts. Em momento algum ele pareceu estar prestes a seqüestrar uma aluna da escola… E para que ele faria isso?
– Só o fato de ter tentado já o tornaria famoso. – Vicky respondeu com firmeza – Não é suficiente para alguém como ele?
– Meu aprendiz não é esse tipo de pessoa, senhora Nissenson. Apesar de ter problemas com a família e da sua condição de nascido bruxo sem magia, ele é o menino mais educado que já conheci e o único que aceitei como meu aprendiz. – garantiu o mestre, verificando no seu molho de chaves a procura da que necessitava, sem esconder que aquilo tudo era incomodo.
– Desculpe, senhor. – pediu Mary – Mas eu preciso verificar esse depósito. Se houver algum sinal de que minha filha esteve aqui, teremos uma pista a seguir. Se não, seu aprendiz não estará mais sob suspeita.
– Na verdade ele pode até estar aqui. – informou o mestre – Como eu disse, ele tem problemas com os pais e muitas vezes não volta para casa e dorme na carroça. Finjo que não vejo isso. Sei que se ele soubesse do meu conhecimento, provavelmente procuraria por outro lugar e prefiro ter ele aqui do que na rua. Acreditem, ele pode não ter nascido com magia, mas tem todo o orgulho que um bruxo da melhor linhagem pode ter.
– Então ele se acertaria com a Dorothy. – comentou Vicky prontamente.
– Vicky! – repreendeu a amiga.
– O quê? – perguntou o bruxo, abrindo a porta.
– Nada. – respondeu Mary, entrando no depósito.
Lá dentro estava escuro, mas a luminosidade que vinha fora era o suficiente para iluminar a carroça vazia no fundo do depósito. Mesmo assim, o mestre acendeu sua varinha e focou a luz em volta, apenas confirmando que o lugar estava vazio.
– Bom, não está aqui. – disse o bruxo – Receio que terão que bater a porta dos Ganderson.
Mas Mary não ouviu o que ele dissera, porque no mesmo instante retirou do bolso do seu casaco uma esfera, onde uma fumaça em espiral brilhava e formava a silhueta de alguém.
– Mary! – chamou a figura já formada de Doumajyd – Ele não está na casa dos pais.
– Estou no depósito da loja do Mestre Agravaine e preciso de você para executar o feitiço rastreador.
Com um aceno de confirmação do dragão, a figura voltou a ser fumaça e Mary guardou a esfera.
– Tem certeza disso, Mary? – perguntou a amiga surpresa – Você pode ficar com problemas se executar um feitiço de primeira ordem sem autorização.
– Nunca usei a influência que tenho como senhora Doumajyd para nada, Vicky. Mas, se for para encontrar a minha filha, vou correr o risco. Não se esqueça que várias vezes já fui seqüestrada por alguém que tem problemas com o Chris e não quero que o mesmo aconteça com ela!
Vários estalos foram ouvidos do lado de fora e logo os dragões entraram no depósito.
– Mãe! – Julian correu para o colo de Mary, exigindo – Dorothy!
– Vamos encontrá-la, querido, não se preocupe. Chris! – ele indicou a carroça e pegou a sua varinha. Doumajyd fez o mesmo e se juntou a ela, já ciente do que teria que fazer.
– Não me diga que-
– Eles vão executar o feitiço de rastreamento. – Vicky cortou o marido, falando também para os outros dragões.
– Mas precisa de autorização do Ministério para usar esse feitiço! – falou MacGilleain.
– Mary tem capacidade para executar esse feitiço. – lembrou Hainault – E já o usou pelo menos duas vezes de forma bem sucedida em casos que defendeu, sempre com a autorização do Ministério… E não se esqueçam que Dorothy é a herdeira Doumajyd. Qualquer coisa é valida para resgatar àquela que vai ditar os rumos da sociedade mágica.
– Espero que seja assim. – comentou Nissenson, observando Mary e Doumajyd executarem o feitiço na carroça.
O resultado não foi de imediato, mas logo pequenos pontos luminosos, como se fosse grãos de areia, cintilaram em um tom azulado. E logo eles formaram desenhos luminosos, no formato exato da impressão de um calçado no chão.
– O que exatamente é esse feitiço? – o mestre Agravaine perguntou para Vicky, olhando espantado para as luzes que apareciam no chão do seu depósito.
– É um feitiço proibido para pessoas que não estejam na primeira ordem ou que não desempenham alguma alta função dentro do Ministério. Mary foi precavida em encantar a filha com a primeira parte do feitiço, dando autorização para que ela fosse rastreada, e foi esperta em nomear somente ela e o Chris como os que podiam executar o feitiço completo. Como é algo que confronta um dos direitos mais básicos de uma pessoa, o de ir e vir livremente, ele só pode ser usado com autorização oficial do Ministério. Ele-
– Ela esteve aqui! – exclamou Mary, quando os passos luminosos cintilaram fora da carroça, deram algumas passadas em volta e então saíram rapidamente pela porta.
Sem perder tempo, eles a seguiram, deixando apenas mestre Agravaine para trás.
– Obrigado pela sua ajuda. – Vicky lembrou de agradecer, quando estava saindo pela porta.
-Se houver algum problema com o meu aprendiz me avisem! – o bruxo ainda pediu, antes de ficar sozinho pensando em que enrascada Ian poderia estar metido.

FIC – Entre Doces e Dragões Especial

Demorou, mas saiu! xD
Enfim, tendo que dar atenção para nossas outras fics inacabadas (que, diga-se de passagem, estão muito mais atrasadas que coisas da EDD), é claro que as fics individuais atrasam um pouco. 

E, como já foi dito, estamos diminuindo o ritmo de atualizações agora no final de ano (não significa necessariamente que não temos coisas para postar xD). Um monte de coisas do site antigo estão revisadas e aguardando na fila para serem relançadas e ainda temos os capítulos novos. Só estamos nos dando uma folga merecida depois de cumprirmos nossa promessa de não deixar mais o blog parado xD

E, encerrando aqui as desculpas e blábláblás, eis o cap da semana e fiquem aguardem um grande relançamento para semana que vem o/

***

 


CAP 03 – Princesa Doumajyd

Ian pensava que nada poderia ser pior, e que aquele dia definitivamente excedia expectativas em matéria de dias ruins de toda a sua vida. Não bastava ter sido manipulado por uma menina e ter sido forçado por ela a passear por Hogsmeade, agora tinha sido seqüestrado junto com ela também. Porém, o fato de estar em algum lugar ignorado, com os olhos vendados, pés e mãos amarrados, jogado em um canto, e tendo a referida menina em igual estado ao seu lado, só era amenizado por um outro pensamento que cutucava a sua mente: muito, mas muito mais perigoso do que estar nas mãos de criminosos desconhecidos, sem saber o que poderia acontecer no minuto seguinte, era justamente tudo o que acontecera antes de chegar nesse ponto.

Olhando sobre a luz da informação que o levara a estar ali, a única pessoa que acreditaria que ele era um simples coitado que acabara caindo em uma armadilha do destino seria ele próprio. Para todos os outros, ele seria um cúmplice, alguém que ajudou no seqüestro da princesa Dorothy Doumajyd, a filha do Grande Dragão Christopher Doumajyd. Ninguém iria engolir a conversa de que ele havia sido forçado pela própria Dorothy a tirá-la da proteção do castelo da maior escola de bruxaria do mundo e a expô-la aos seqüestradores.
– Ian?… – chamou a menina, com a voz baixa.

Estavam ali há um bom tempo e provavelmente já havia escurecido lá fora. Os sujeitos seqüestradores simplesmente os jogaram naquele canto amarrados, muito confiantes de que duas crianças não seriam capazes de fugir por conta. Só por garantia, confiscaram a varinha da menina e o revistaram em busca de algo que pudesse ajudar em uma fuga. Depois disso saíram e tudo em volta era apenas silêncio. A não ser pelo-

– Ian! – ela chamou de novo, impaciente.

– O que foi? – ele respondeu mal humorado, deixando bem claro o seu pensamento de que a culpada por tudo aquilo era ela.

– Desculpa. – ela pediu, com um tom sentido.

Por um momento, Ian vacilou no seu mau humor. Não podia ser drástico daquela maneira e a fazer se sentir daquele jeito. Afinal, ela também estava em uma posição assustadora. A usariam para subornar seu pai, e ninguém sabia o que aquelas pessoas poderiam fazer com ela para ameaçá-lo.

– Se bem que se você não tivesse aberto essa boca grande nada disso teria acontecido! – ela acrescentou, voltando ao seu tom de voz normal.

Ok, a culpa era toda, total e exclusivamente dela. E Ian estava pronto para permanecer calado e não dirigir a mais mínima palavra para a menina, nem que eles ficassem trancados naquele lugar por anos.

– Eu só queria sair detrás daqueles muros de pedra. – ela contou com um suspiro, não falando diretamente com ele.

Mais do que ficar com raiva ou com pena, Ian ficou surpreso. Como ela conseguia, com uma só frase, fazer ele ir de um extremo ao outro em seus pensamentos?

– A Nana vai puxar minhas orelhas até caírem. – ela estremeceu – Minha mãe vai me deixar de castigo por anos!… E meu pai…

Dorothy não continuou, e ele podia jurar que ela estava chorando, mesmo que o orgulho não a deixasse fazer isso abertamente.

– Escuta, – ele começou, tentando escolher as palavras – …Nós vamos sair dessa, ok?… Afinal, quem é você? É a filha do maior bruxo de todo o mundo!… Tem dinheiro, prestígio… magia.

– Não é tão incrível assim ser Dorothy Doumajyd. – ela resmungou.

– Como não?! – ele perguntou perplexo – Você tem tudo, não tem?

– Tenho, tenho tudo… E justamente por ter tudo isso, é que coisas como seqüestros podem acontecer comigo. Por isso eu não posso nem pensar em por o pé para fora do castelo! Por isso preciso viver minha vida toda dentro de muros! Não importa se eu tenho a força de dragão do meu pai e a coragem de erva-daninha-cogumelo da minha mãe! – ela inspirou ruidosamente e gritou com toda a potência dos seus pulmões – TUDO ISSO É INACREDITÁÁÁAÁVEL!

Ian ficou estático, com o eco do desabafo da menina ainda reboando dentro da sua cabeça.

– IAN!

– Sim? – ele se apressou em responder, enquanto ela ainda bufava, tentando se acalmar.

– Não vou ficar aqui esperando algo acontecer! Vamos fugir!

Definitivamente, o momento de se jogar em um buraco de lamentação havia passado para Dorothy Doumajyd. Tinha entrado naquela enrascada por sua própria conta, então seria de sua própria conta sair dela. Diante da determinação da garota, tudo o que Ian pode fazer foi fitar a escuridão da sua venda, torcendo para que ela fosse tão genial quanto à geração de dragões da qual descendia.

***

– COMO ASSIM ESTAVA FORA DE HOGWARTS, RICHARDSON?! – Christopher Doumajyd rosnou – ELA NÃO PODE SAIR DE DA ESCOLA!

– Parece que a senhorita Dorothy desapareceu quando estava fazendo a sua ronda disciplinar entre as aulas, senhor Christopher. – respondeu o secretário, não se movendo diante dos esbravejos do chefe, mas visivelmente preocupado com toda a situação – Temos informações de que um fornecedor da escola esteve nos terrenos do castelo no mesmo horário.

– E O QUE ESTÃO ESPERANDO?!

– COMO ASSIM MINHA FILHA FOI SEQUESTRADA, RICHARDSON?! – Mary praticamente abriu as portas do escritório do marido com um pontapé – O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ PARADO, CHRIS?! VAMOS ENCONTRÁ-LA! CHAME O ADAM AGORA!

– Calma, Mary. – a fúria do dragão, diante do seu equivalente, diminui para dar lugar ao bom senso – temos que-

– CALMA?! COMO EU POSSO FICAR CALMA SE A MINHA FILHA FOI SEQUESTRADA?!

Vários vidros no lugar estouraram, e uma chama roxa explodiu dentro da lareira, se apagando logo em seguida, tão subitamente como havia começado.
No mesmo instante, um garotinho entrou correndo no escritório e se agarrou nas pernas de Mary, afundando o rosto nos seus joelhos. Logo atrás dele uma elfa-doméstica jovem e muito mais pequena do que o normal para a espécie, veio correndo, toda atrapalhada por estar parcialmente coberta por uma gosma esverdeada e tentando se livrar da mesma, enquanto gaguejava:

– Me-me-mestre Julian! Nã-não po-pode! Não po-pode, mestre!

Já imaginado o que havia acontecido, com um gesto de varinha Mary fez a gosma desaparecer da serviçal. Ao ficar livre do que lhe impedia de se mover, a elfa imediatamente se curvou pedindo desculpas:

– Perdão, senhora Mary Ann! Nina não conseguiu segurar o pequeno mestre no quarto!

O menino desenterrou o rosto das pernas da mãe por meio segundo e mostrou a língua para a elfa.

– Julian! – Mary o repreendeu – Não faça isso! Peça desculpas para a Nina!

– Dorothy! – ele exclamou em um tom abafado de exigência por entre as dobras da vestes dela.

Com um grande suspiro, Mary o desgrudou de suas pernas e o levantou do chão, o entregando logo em seguida nos braços do marido, dizendo:

– Eu mesmo vou atrás dela!

E antes que o dragão, ou mesmo o secretário, pudesse dizer alguma coisa para impedi-la, Mary acendeu a lareira com as chamas verdes de transporte e disse:

– Loja de poções da família Nissenson em Hogsmeade! – e desapareceu como se levada por um vento invisível.

– Papai, eu quero a Dorothy. – o menino pediu novamente, dessa vez encarando seriamente o pai.

– Richardson. – chamou o dragão tomando uma decisão.

– Sim, senhor Christopher.

– Fique no meu lugar por tempo indeterminado e com minha autorização para resolver os problemas da D&M. Eu mesmo vou verificar o que aconteceu com a minha filha. – e então ele falou com a elfa, que já se aproximava na intenção de receber o menino – Ele vai comigo, Nina.

– Eu vou com o papai, Nina. – o menino repetiu a informação para a elfa, para o caso de ela não ter ouvido direito.

Então o dragão ajeitou o menino em um braço e pegou a sua esfera no bolso. A fumaça mal havia se transformado na pessoa que ele queria contatar quando ele praticamente rosnou na esfera:

– Ryan! Vá para o Ministério agora!

E sem mais explicações também entrou na lareira, direcionando as chamas para o mesmo local.

***

Foi com um susto que Vicky recebeu a amiga de infância na lareira da loja principal da família Nissenson no centro de Hogsmeade. Estava para fechar a loja quando as chamas esverdeadas explodiram na lareira e a figura conhecida apareceu entre as labaredas.

Pela experiência de anos em reconhecer o estado de ânimo de Mary, ela sabia muito bem que algo muito grave acontecera, e foi justamente isso que ela questionou assim que a visita inesperada pisou fora da fuligem.

– A Dorothy saiu do castelo. – Mary contou, conseguindo fazer com que o turbilhão de pensamentos em sua cabeça saísse em uma única uma frase, abrangendo toda a situação.

– Ela saiu?! Mas ela não pode sair! – Vicky entendeu o tamanho da gravidade para que aquele fato levasse a amiga a estar ali sem aviso prévio – Isso quer dizer que…

– Sim, ela foi levada por alguém! – Mary começou a falar rápido, enquanto caminhava para a saída sendo seguida de perto pela amiga – Ainda não sabemos quem é, mas parece que essa pessoa esteve em Hogwarts hoje. Desculpe vir pela sua lareira, mas aqui é o lugar mais perto do castelo que conheço. Ainda bem que você ainda estava aqui!

– Eu vou com você. – falou Vicky decidida.

– Não precisa, Vicky, eu-

Mas a amiga não ouvia as palavras de Mary. No mesmo instante ela pegou uma esfera do bolso das suas vestes e a imagem de alguém já esperava por ela.

– Vicky! Aconteceu-

– A Mary está aqui, Simon. – ela informou.

– Ah, então você já sabe. Estou indo para o Ministério.

– Nós vamos para Hogwarts.

***

O chefe dos Aurores, Adam MacGilleain, saiu às pressas do elevador, não dando atenção às pessoas que empurrava no processo, e correu pelos corredores do seu departamento, até chegar a sua sala. Antes mesmo de passar pela porta, foi recebido pelos rosnados do amigo:

– Onde pensa que estava, Adam?!

O Chefe parou diante do único bruxo que tinha o direito e coragem de ser grosseiro com ele, mesmo diante do importante cargo que ocupava na comunidade mágica, e respirou fundo:

– Como vai, Julian? – ele bagunçou os cabelos do menino que estava nos braços de Doumajyd.

– Oi, tio Adam. – ele respondeu com um imenso sorriso, não escondendo em nada o quão feliz estava por estar participando de tudo.

– Quero que convoque todos os bruxos qualificados para-

– É claro que ele não pode fazer isso! – informou, um tanto impaciente, Simon Nissenson, que aguardava juntamente com o quieto Ryan Hainault no sofá da sala a chegada do amigo.

– Como assim não pode?! – perguntou Doumajyd furioso – Ele é o Chefe aqui! Pode fazer o que quiser!

– Não, não posso, Chris. – MacGilleain seguiu até a sua mesa e remexeu nos pergaminhos – Pelo que você me informou e pelo relatório que o Richardson me enviou no caminho, ela desapareceu hoje à tarde. Normalmente, nesses casos, temos que espera vinte e quatro horas para podermos iniciar o processo burocrático da investigação e somente aí podermos mobilizar agentes para que procurem pela pessoa desaparecida.

– O quê?! – perguntou o líder do D4, com uma expressão de confusão idêntica ao do filho com tudo o que havia acabado de ouvir.

Diante do silêncio que ocupou a sala depois da indagação do dragão, Hainault foi o primeiro a reagir, ficando de pé e perguntando do seu modo calmo, de quem consegue enxergar as soluções mais simples:

– E extraordinariamente, o que você pode fazer?

– Bom, extraordinariamente, eu posso sair mais cedo do meu trabalho e me juntar ao D4 para procurar a nossa princesa Doumajyd.

Hainault sorriu satisfeito e perguntou para os outros:

– Então o que estamos fazendo aqui nesse escritório?

Apenas assentindo, Doumajyd foi para a porta, sendo imediatamente seguido pelos outros.

***

– Sim, o mestre Agravaine esteve aqui hoje para reabastecer o estoque de adubo especialmente preparados das estufas. – confirmou a professora Karoline – Mas ele é uma boa pessoa, não seqüestraria uma aluna.

– Mas ele é a única pista que temos. – insistiu Mary – Professora, precisamos encontrá-lo!

– Bom, eu posso conseguir isso. É só irmos até a loja dele em Hogsmeade, ele mora nos fundos. Não vai negar falar com vocês, ainda mais se eu estiver junto.

– Tem certeza que só ele esteve aqui, Mary? – Vicky perguntou para amiga, ainda tentando se inteirar de todas as informações.

– Sim, ele foi o único bruxo que passou pelos portões da escola hoje, e você sabe que todo o território da escola está encantado para que qualquer presença seja denunciada.

– Na verdade… – começou a professora pensativa, como se só agora houvesse lhe ocorrido – Na verdade o encantamento denúncia qualquer presença mágica nos territórios, inclusive animais… Mas não é capaz de detectar alguém que não tenha ressonância mágica.

– O que quer dizer com isso, professora? – perguntou Mary, sentindo uma sensação de queda diante daquela revelação de que os muros de Hogwarts não eram tão seguros como ela pensava.

– Se um trouxa tentar passar pelos portões, ele não seria impedido.

– Mas é impossível um trouxa em Hogsmeade sem estar na companhia de algum bruxo! – exclamou Vicky.

– Sim, é impossível um trouxa estar em Hogsmeade sem a tutela de um bruxo, mas não são somente os trouxas que não possuem magia.

– Um aborto. – a resposta surgiu clara como um sol na cabeça de Mary.

A professora Karoline assentiu e declarou com um tom sério:

– Mestre Agraveine me contou que seu aprendiz é um aborto, e ele também esteve aqui hoje.

Sem esperar por qualquer outra coisa, Mary pegou a sua esfera para contatar o marido imediatamente.

***

– Como fez isso?! – Ian, depois de ter tido a venda retirada dos seus olhos, olhava abobado para Dorothy desamarrando as cordas que prendiam seus pés e suas mãos.

– Nós bruxos somos muito confiantes, não é? Pensamos que se as cordas são amarradas usando mágica é o suficiente para que as pessoas não fujam. Nós podem ser desamarrados sem um varinha. – ela sorriu triunfante para ele quando conseguiu soltá-lo – Some isso ao fato de que sou filha da minha mãe. Metade da minha família é trouxa e eu sei alguns truques de trouxas… Agora, vamos sair daqui antes que eles voltem.

Ian se levantou, com dificuldade devido ao tempo imobilizado, e olhou para o lugar escuro a sua volta. Parecia ser um depósito e nenhuma luz, além da fraca luminosidade da lua, entrava pelas janelas. Com certeza não estavam em Hogsmeade ou perto de algum lugar povoado.

Cuidadosamente, Dorothy seguiu nas pontas dos pés em direção a uma porta grande e pesada de ferro e encostou uma orelha nela, verificando se havia algum som pelo lado de fora.

– Acho que não tem ninguém. – disse ela, fazendo sinal para que ele fosse até lá – Vamos nos esgueirar e encontrar um lugar com uma lareira.

– Se encontrarmos uma lareira. – Ian a corrigiu, na esperança de que ela compreendesse que não poderia ser tão fácil como ela fazia parecer ser.

– Vamos encontrar uma, mesmo que seja preciso andar até Londres! – ela respondeu determinada – É impossível não haver uma larei-

Mas ela não pode terminar de falar. No mesmo instante, a porta foi aberta e os dois se afastaram assustados.

– Então conseguiram escapar? – perguntou uma pessoa, iluminando o local com a sua varinha, não permitindo que os olhos dos dois, acostumados com a escuridão, pudessem distinguir quem era

FIC – Entre Doces e Dragões Especial

Demorou, mas saiu mais um cap o/

CAP 02 – Passeio em Hogsmeade

– A professora Karoline é uma bruxa e tanto, não? – pedia o mestre de Ian lhe dando cotoveladas enquanto o garoto conduzia a carroça sem cavalos pela estrada que ligava Hogwarts à Hogsmeade.

– Hum. – concordou o garoto, não prestando atenção na conversa, mas sim preocupado com a carga extra que levava no compartimento da carroça.

Mesmo tendo dito com todas as letras um ‘NÃO’ redondo para a garota, fora como se essa palavra não tivesse significado nenhum para ela. Sem dar ouvidos aos esbravejos e negativas dele, ela seguiu cuidadosamente até a porta do castelo, assim como ele havia feito para entrar, e saiu sorrateira para os terrenos. Sem ter outra alternativa, Ian a seguiu.

Ao chegarem na frente das estufas, ela teve a brilhante idéia de se esconder na parte de trás da carroça, onde havia um pedaço de pano usado para cobrir as encomendas, que serviria como camuflagem. Diante disso, o garoto percebeu a besteira em que estava se deixando levar: acobertando a fuga de uma aluna da maior escola de magia e bruxaria da Inglaterra. Então, decidido a arrancar a menina da carroça nem que fosse a tapas, ele se aproximou com a intenção de puxar o pano que a cobria. Mas, nesse exato momento ouviu a voz do seu mestre se despedindo da professora na porta da estufa.

E assim, lá estava ele, com um imenso problema do qual não fazia a mínima idéia de como resolver. Com um suspiro desolado, ele desejou com todas as forças do mundo ser capaz de usar pelo menos uma vez na vida um vira-tempo, para poder apagar do seu passado o momento em que teve a brilhante idéia de dar uma espiada no interior de Hogwarts.

***

– Onde vamos primeiro?! – perguntou a menina empolgada, não sabendo para que lugar olhar primeiro na movimentada rua onde pararam.

– Shiiii! – Ian empurrou a cabeça dela novamente para dentro no pano – Fique quieta aí até eu dizer que pode sair!

– Ian! – chamou seu mestre de dentro da loja – Leve a carroça para o depósito e depois pode voltar para casa. Eu vou fechar a loja aqui na frente!

– Sim, senhor! – ele se apressou em obedecer, guiando a carroça até os fundos, em uma ruela deserta.

Ali entrou no depósito e desceu, respirando fundo para ganhar forças e lidar com o que viria. Antes mesmo de tocar no pano, a menina o retirou de cima de si e pulou do compartimento para o chão de pedra, batendo com as mãos nas vestes para tirar a sujeira.

– Onde vamos primeiro? – ela repetiu a pergunta de antes, como se não houvesse tido interferência alguma.

Ian a avaliou de cima a baixo. Ela deveria ter um pouco menos da sua idade e usava vestes da Sonserina. Isso era um problema. Normalmente, alunos de Hogwarts não eram vistos passeando pela cidade a não ser nos finais de semana. A loucura em um passeio com ela era ainda maior pelo fato de ele ser reconhecidamente um aborto nas redondezas. Quem iria acreditar na versão dele da história quando qualquer mentira vinda da menina seria mais crível aos olhos dos outros? Ela poderia simplesmente dizer que ele a seqüestrou para forçá-la a usar magia para ele…

– E então? – ela perguntou, impaciente.

– Então você vai voltar para Hogwarts, pirralha! – ele respondeu de forma grossa, se aproveitando do fator idade para tentar ganhar vantagem – Não vou ficar-

– O seu mestre está lá na frente, não? Eu iria adorar conversar com ele sobre-

– Ok, ok! Eu vou!… – Ian se viu facilmente derrotado – Aonde você quer ir?

– Eu quero ir ao Restaurante Casa dos Gritos, no Zoológico e na Praça do Relógio!

– Ou seja, em qualquer lugar que você pode visitar normalmente nos dias que tem permissão para sair da escola.

Com essa resposta dele, toda a alegria da menina em dizer os lugares pareceu se evaporar. Mas, tentando não demonstrar que a incomodava o fato de ele achar que aqueles lugares eram ‘qualquer lugar’, ela colocou as mãos na cintura e declarou:

– Eu quero!

Então Ian pensou que não seria tão ruim. Não eram lugares absurdos e obscuros. Em todos eles haveriam muitas pessoas e eles poderiam passar despercebidos. Era fazer com que ela desse uma olhada em volta e depois fossem para o outro ponto. E logo ela poderia voltar para Hogwarts satisfeita e ele salvo de ser denunciado.

O único problema era aquele uniforme…

***

– Até que foi uma boa idéia vindo de um idiota como você. – comentou a menina, terminando de dobrar a barra do macacão que Ian lhe dera para vestir.

Não fora tão difícil convencê-la a trocar o seu uniforme impecável por aqueles trapos. Como os alunos de Hogwarts eram conhecidos principalmente por serem bruxos ricos e esnobes, ela teve o bom senso em concordar que com o uniforme seria facilmente reconhecida.

Assim, ignorando o comentário dela e dizendo a si mesmo que retrucar os seus insultos só o faria perder mais tempo, Ian a levou para o passeio na cidade.

O primeiro lugar que visitaram foi o Restaurante Casa dos Gritos. Ao invés de pedir algum dos pratos caros e de nomes estranhos, que Ian imaginava fazerem parte das refeições de Hogwarts e de todos os bruxos ricos, a menina solicitou uma macarronada e almôndegas. Ian apenas pediu um copo de água e, disfarçadamente, contou os nuques que tinha no bolso. Porém, antes que o garçom anotasse o pedido dele ela mandou que ele trouxesse o mesmo para o companheiro, e lhe entregou um galeão estranho, maior que os usados normalmente.

Quando os pedidos chegaram, mais uma vez o conceito que Ian tinha dos alunos de Hogwarts, que chegava muito perto a de bruxos de Primeira Ordem, desmoronou ao ver a macarronada sumir em questão de minutos. Mesmo sendo visivelmente uma bruxinha rica e mimada, a menina não se preocupava em lambuzar o rosto no processo de devorar a macarronada como se fosse a melhor coisa que ela já provara na vida.

– O que foi? – perguntou ela depois de sugar rapidamente dois fios da massa que lhe saiam pela boca.

– Nada. – respondeu ele rápido, sacudindo a cabeça para enfatizar a resposta e desviar os pensamentos.

– Meu tio costumava fazer esse prato… – disse ela um tanto pensativa – Mas não tenho certeza quanto esses bolinhos de carne. – ela cutucou os referidos bolinhos com o seu garfo, desconfiada.

Satisfeita, ela forçou Ian a praticamente engolir sem mastigar o seu prato, para que pudessem ir para outro lugar.

No zoológico, o garoto teve que praticamente correr atrás dela, que ia de uma jaula a outra encantada com todos os animais que via.

– Ian! Ian! Vem ver! Olha! Olha! – ela apontava em várias direções quase ao mesmo tempo, o deixando confuso.

– NÃO SUBA AÍ! – ele correu até a menina e a agarrou quando ela pendeu perigosamente para dentro do viveiro dos tebos (javalis africanos que podem fica invisíveis) em sua empolgação de apontar e berrar ao mesmo tempo.

Os dois caíram para trás e chamaram a atenção das pessoas em volta. Pedindo desculpas, em um movimento automático de anos de prática em se desculpar com os outros, Ian se levantou e ajudou a menina a fazer o mesmo, pedindo:

– Você é suicida?

Ela apenas riu, como se quase ter virado lanche de tebos fosse divertido, e correu para conferir o próximo viveiro.

Ian soltou um grande suspiro e a seguiu, já imaginando a manchete do Profeta Diário do dia seguinte: Aborto seqüestra aluna de Hogwarts e a atira em jaula de bestas em Hogsmeade.

***

Ian pode ler a exclamação muda no rosto da menina assim que eles param diante do monumento da Praça do Relógio. Diante da expressão de alegria dela, ele conferiu mais uma vez a estátua para ter certeza de que não havia algo de extraordinário nela. Nada. Era a mesma estátua encardida de sempre, com um bruxo a cavalo que ele vira durante todos os anos da sua vida.

– Eu sempre quis vir aqui! – disse ela como se tivesse deixado escapar um pensamento pela voz.

– Por quê? – Ian indagou, tentando entender o motivo para que aquele lugar, que ela aparentemente nunca vira antes, causasse aquela reação.

– É um lugar especial. – contou ela – Eu só vi em fotos, e ouvi falar dele em conversas.
– E por isso queria vir aqui?

Ela lhe lançou um olhar carregado, como se estivesse advertindo a não continuar minimizando algo que ela considerava tanto.

– Quer dizer, – ele tentou se explicar de outro modo – até entendo o fato de ir a um restaurante e comer um monte e depois sair pulando pelo zoológico… Mas por que essa Praça que está em fotos e histórias é tão importante?

Sem responder, ela deu mais uma olhada para a estátua e então chegou bem perto dela, quase se encostando à pedra fria, e olhou para cima analisando a visão dali.

– É claro que é um lugar importante. – ela cruzou os braços se virando, e olhou diretamente para ele – Se não houvesse essa estátua, a neve e meus pais, provavelmente eu não estaria aqui agora.

Ian a encarou por um tempo, ainda não vendo um motivo suficientemente forte para justificar o comportamento dela.

Com um grande suspiro, a menina o ponderou por um tempo, como se o avaliasse e disse, em um tom de quem cedia:

– Ok, pessoa simples de Hogsmeade. Em troca por ter obedecido hoje, vou contar algo que muita gente deseja saber. – ela olhou um volta e apontou para um muro de um canteiro de flores e então seguiu para lá.

Ian a seguiu e teve que segurar o riso quando ela quase caiu dentro do canteiro ao tentar se sentar em uma pose majestosa no muro de pedra. Sem deixar que o tropeço tirasse o efeito da sua última frase, ela indicou o lugar a sua frente para que ele se aproximasse, e então começou a contar, escolhendo as palavras, como se estivesse diante de uma grande platéia:

– Minha mãe contou que meu pai era um idiota!

Ele soltou uma gargalhada, mas ela não se deixou abalar e continuou firme:

– Que nunca acreditou nele até o dia em que eles se encontraram na frente dessa estátua. Nesse dia estava nevando muito e meu pai esperou por ela durante quatro horas na neve! Estava quase congelando quando ela chegou.

Ian deu um grande suspiro enquanto ela continuava contando as aventuras românticas de seus pais. Ele questionara e agora teria que ouvir. Então, fingiu escutar, enquanto olhava para o movimento da praça. Aquele era o último lugar. Assim que ela terminasse a sua historinha, ele diria que tinha cumprido a sua missão e a arrastaria de volta até os muros do castelo. Pronto, seu dia estaria terminado sem grandes prejuízos.

– Daí meus tios fizeram o casamento deles aqui nesse lugar e-

– O quê? – aquela informação tirou Ian de seus pensamentos.

– O quê? – ela repetiu a pergunta, não entendo o que ele não havia entendido, já que estava concentrada demais em contar.

– Casamento? Aqui? – ele questionou, perplexo.

Só havia tido um acontecimento assim naquela praça há muito tempo, em uma época quando ele ainda era pequeno.

– Espera! – ele fez uma incrível ligação de tudo em segundos – Qual é o seu nome?!

– Dorothy. – ela respondeu, erguendo o queixo automaticamente, em uma pose de orgulho.

O garoto a encarou por um tempo, esperando que ela disse mais. Mas como não veio mais nada depois do nome, ele arriscou:

– Dorothy Doumajyd?

Assim que terminou de pronunciar as sílabas, várias coisas aconteceram ao mesmo tempo. A garota arregalou os olhos, em um misto de fúria e choque. Então, no mesmo segundo, estalos aconteceram à volta deles, e ela rosnava para ele:

– Idiota! Estragou tudo!

SEMANA DE ANIVERSÁRIO DA LAP! VIII

Esse especial terá poucos caps e a história se passa alguns anos depois da EDDFinal, apresentando novos personagens xD

ENTRE DOCES E DRAGÕES ESPECIAL

Como sempre, a turma de novatos em Hogwarts se aproximava da frente do Salão Principal com o temor da novidade pairando ao redor deles. Todos aqueles rostinhos demonstravam apreensão diante da expectativa de passarem boa parte dos seus próximos sete anos dentro das paredes daquele castelo, que exalava tanto idade quanto magia em suas pedras.

Porém, quando chegaram ao lugar estipulado pelo professor que os guiava, onde deveriam aguardar que seus nomes fossem chamados, uma das crianças continuou avançando. Era uma menina de olhos escuros e cabelos volumosos, de cachos castanhos e rebeldes que saltavam para o lado que bem entendessem. Sem dar a mínima importância aos olhares assustados que recebera dos colegas e muito menos à atmosfera de interrogação que se instaurou em todo o salão com a sua atitude, ela retirou o Chapéu Seletor de cima do seu tradicional banquinho e, sem cerimônias, subiu em cima dele. Então, lançou um olhar carregado para todos os presentes e colocou o Chapéu na cabeça, se auto-anunciando:

– Dorothy Doumajyd!

Houve um murmúrio geral de surpresa que foi cessado quando a menina continuou, colocando as mãos na cintura, em uma pose típica de quem sabia mandar e era obedecida, e decretou:

– De agora em diante, está renascida a Tarja Vermelha em Hogwarts!

O decreto ficou por alguns segundos no ar, diante do choque silencioso dos presentes, que só foi quebrado quando a voz do Chapéu Seletor reboou por todo o salão, anunciando:

– SONSERINA!

CAP 01 – Um intruso em Hogwarts

Ian largou um último saco de adubo no depósito da estufa e deixou escapar um suspiro cansado. Estava acostumado com o serviço pesado, mas aquele pedido passara muito acima da média dos outros pedidos. Afinal, Hogwarts tinha muitas estufas que necessitavam daquele preparo especial que seu mestre fazia, e provavelmente os entregadores antigos deveriam usar magia para trazer aqueles sacos até ali, o que facilitara o trabalho. Não que ele achasse que magia pudesse resolver tudo, já que completara perfeitamente a tarefa sem ela.

Limpando as mãos no macacão que usava, ele voltou para onde seu mestre estava, na estufa principal, conversando com a velha professora de herbologia, e informou:

– Terminei, mestre.

– Muito bem, Ian. – disse o velho senhor, com um tom risonho totalmente fora do habitual.

Imediatamente o garoto percebeu que o estranho comportamento dele era provocado pela presença da professora, que também estava muito mais sorridente do que quando o recebera na porta.

– Deixe-me apresentar o meu aprendiz, Karoline. Esse é o Ian Ganderson, e ele tem um talento incrível para lidar com a terra!

– Ora, tem mesmo? – a professora lhe lançou um olhar alegre, o avaliando – Ele poderia tentar uma bolsa aqui em Hogwarts? Nós temos um programa que-

– Creio que não será possível, professora. – o garoto se apressou em interrompê-la, do modo mais educado possível.

– E por que não? – ela perguntou surpresa – Sua idade não é problema, já que você poderia fazer somente as matérias de-

– Ele não tem magia, Karoline. – explicou o senhor, um pouco mais sério, como alguém que já havia se conformado e aceitado a verdade – É um rapaz talentoso, mas sem o mínimo para ser um aluno em Hogwarts.

– Oh, é mesmo? – comentou a professora em um misto de espanto e pena – Lamentável… Mas admiro a sua generosidade em aceitá-lo como aprendiz, Agravaine! É um gesto raro. Ele lhe deve ser imensamente agradecido.

– Com licença, – pediu o garoto em um murmuro – vou esperar o senhor na carroça.

O mestre assentiu com um gesto de cabeça e ele saiu sem olhar para trás.

Lá fora, passou de onde estava a carroça, com a qual vieram de Hogsmeade até os terrenos da escola, e caminhou até alcançar a beira do lago. Era um lugar bonito e agradável, porém, para ele era um tanto quanto pesado, talvez pelo próprio ar estar carregado da magia que ele nunca poderia ter ou sentir.

Tudo bem. Era um aborto e o mestre Agravaine fora generoso o bastante para aceitá-lo, mesmo nessa condição de escória da sociedade mágica, coisa que nem seus pais haviam feito.

Desde que a sua situação de nascido bruxo sem magia foi confirmada, Ian passara a ser um excluído dentro de sua própria casa. Não podia freqüentar as escolas para onde seus irmãos maiores haviam ido, assim como não poderia nem sonhar em entrar em Hogwarts. Porém, mesmo sendo um simples aprendiz de jardineiro, naquele momento ele estava mais perto da famosa escola de elite do que qualquer de seus irmãos já sonhara em estar.

Aquele era o gramado de Hogwarts. Aquele era o lago de Hogwarts. Ali ao fundo estava o aclamado campo de quadribol, onde as pessoas da cidade podiam ir torcer pelos alunos, futuros prodígios do esporte. Ali estava o grande castelo, imponente, que ele só via de longe, como uma paisagem dos arredores de Hogsmeade. Lá estava a grande porta de carvalho, aberta… Ian olhou de novo para conferir, e a porta estava mesmo aberta.

A idéia brotou em sua mente tão rápida quanto o vislumbre de um pomo de ouro, absurda e brilhante ao mesmo tempo.

Por que não? Talvez ele nunca tivesse a chance de pisar ali novamente. Por que não aproveitar para ir além do possível? Era o horário de aulas, ninguém iria reparar se ele entrasse só um pouquinho e espiasse. E se alguém o surpreendesse, bastava fazer uma expressão de confuso e dizer que procurava um banheiro. Por mais retardado que parecesse, não teria importância. Já era um ignorado mesmo, alguém que nascera para ser bruxo, mas nunca viria a ser. Então, qual o problema?

Decidido, ele lançou um olhar rápido para a estufa, onde não havia sinal algum do seu mestre estar com a intenção de ir embora, e então olhou em volta, verificando se havia alguém por perto. Como não avistara ninguém, ele se sentiu seguro em avançar, indo diretamente para a porta.

Ao pisar nos degraus de pedra, uma sensação de ousadia o invadiu. Da próxima vez que alguém o olhasse com desprezo e comentasse sobre a sua situação mágica, ele poderia rir em segredo, dizendo que mesmo o famoso castelo de pedras já esteve ao seu alcance.

Pisando cuidadosamente para não fazer barulho, ele passou pela porta e esperou um pouco até que a sua visão se acostumasse com a sombra fresca do interior do castelo. Andou até as escadarias e logo avistou as famosas ampulhetas ao lado dela, que marcavam os pontos das casas e conferiu que a disputa entre elas estava acirrada. Então olhou para cima das escadas, que se perdiam em vários andares. Havia um murmúrio quase inaudível vindo das salas de aulas, portanto não seria uma boa idéia subir. Procurou a sua volta e viu outra grande porta dupla, de onde não vinha ruído algum. Cheio de coragem, avançou até ela e a empurrou com cuidado.

Seus olhos não conseguiam acreditar no que viam. Estava na entrada do grande Salão Principal, onde os aprendizes de bruxos mais famosos do mundo faziam as refeições e eventos sociais. Aonde vários nomes famosos que se ouvia no jornal ou eram proclamados nas esferas estiveram sentados em seus anos de estudantes.

Então, se ali era o tão famoso salão principal de Hogwarts, aquelas escadas na lateral do lugar só poderiam ser… Não pensando em nada mais além de avançar e chegar ao topo daquele patamar, Ian seguiu aos tropeços até a lendária Ala dos Dragões.

Não havia ninguém na Sociedade Bruxa que não conhecesse sobre os Dragões, Ian achava que até mesmo os trouxas deveriam saber. Eles eram os bruxos mais famosos, mais importantes e mais ricos de todo o mundo. Era simplesmente impossível não ter ouvido seus nomes ou como eram popularmente conhecidos, o D4. E ali estava o lugar que eles haviam deixado em Hogwarts, como prova para as futuras gerações de que ainda dentro dos castelo eles já eram poderosos.

Lá, em cima da lareira, estava o quadro em tamanho real deles, quando ainda eram jovens e alunos. O chefe auror MacGilleain, com um grande sorriso no seu uniforme da Lufa-lufa. O mestre Nissenson com o mesmo ar de inteligência com que se apresentava em seus congressos na cidade. O músico famoso Hainault, mostrando que já era calado e de aparência distante mesmo antigamente. E, no meio deles, estava a maior personalidade dentre todas: Christopher Doumajyd, o bruxo que era até mais importante do que o próprio Ministro da Magia. Mesmo jovem, o Líder dos Dragões já parecia agir como alguém que nascera para ser exatamente o que era: aquele que ditava as regras no mundo bruxo.

– O que está fazendo aqui?!

Ian perdeu o chão por debaixo de seus pés: havia sido flagrado. Sem perder tempo, ele se virou para ver quem havia falado e se deparou com uma menina baixinha com cabelos escuros cheios e bagunçados que mais pareciam com uma juba.

– O que está fazendo aqui?! – ela sibilou, se aproximando, o encarando fixamente como se ele estivesse violando algo sagrado.

– Me desculpe! – ele pediu, usando a sua estratégia de fuga – Eu estava procurando o-

– Por que não está na sala de aula? Cadê o seu uniforme? De que casa e ano você é? – a garota exigiu saber, perguntando tudo muito rápido.

– Eu não- – ele tentou explicar.

– Se pensa que pode fugir da Tarja Vermelha com desculpas está muito enganado! – ela o agarrou pelo pulso e o arrastou com ela – Vou levá-lo imediatamente para-

Dessa vez foi ela que não pôde terminar. Percebendo que a menina não o ouviria e que estaria encrencado, ele forçou seu braço para se desprender da mão dela e correu desembalado em direção a escada. Porém, quando estava prestes a pisar no primeiro degrau, sentiu algo lhe agarrando pela cintura e o fez tropeçar. Tanto ele quanto a garota rolaram escada abaixo e caíram estatelados no chão.

– NÃO VAI FUGIR , IDIOTA! – rosnou ela – EU CONTROLO A DISCIPLINA DOS ALUNOS NESSA ESCOLA E É REGRA OS ALUNOS PERMANECEREM NA SALA DE AULA DURANTE-

– NÃO SOU UM ALUNO DE HOGWARTS, SUA LOUCA! SAI DE CIMA DE MIM!

Com isso, a expressão furiosa da garota se desfez, e ela o encarou confusa, perguntando:

– Não? Quem é você então?

– Eu só vim fazer uma entrega com o meu mestre. Ele está lá fora na estufa. Pode ir perguntar se duvida.

Pronto, agora estaria encrencado. Se ela realmente fosse e seu mestre ficasse sabendo dessa sua aventura, não teria como escapar de uma punição.

Mas, ao contrário de todas as possíveis reações que ele havia imaginado que aquela menina poderia ter, ela deu um imenso sorriso e se levantou em um pulo exclamando:

– Quer dizer que você veio de fora de Hogwarts?!

Ele pestanejou, tentando entender o motivo de ela ter fica feliz com o fato, e então assentiu.

– Muito bem! – ela deixou de lado o sorriso e voltou a ser séria com ar de mandona – Não vou te denunciar para a direção da escola e nem lhe entregar uma Tarja Vermelha Disciplinar… com uma condição!

Se levantando e analisando os vários pontos doloridos de seu corpo para verificar se havia algum lugar que requeresse reparos, ele não prestou muita atenção no que a menina dissera. Porém, mesmo assim ela anunciou como se fosse uma ordem suprema:

– Me leve para um passeio em Hogsmeade!

– O QUÊ?! – Ian quase se engasgou com a própria pergunta.

***

Atualizações tbm em LAP Rabiscos e Esconderijo do Mot-Mot o/

Fic – Entre Doces e Dragões Final (FINAL)

CAP 19 – Ao estilo D4

Depois de embarcarem na carruagem, não demorou muito para que Doumajyd adormecesse e deixasse a cabeça pender despreocupadamente no ombro de Mary. Sabendo que nada de mal poderia acontecer estando com os amigos, ela se deixou levar também pelo sono, repousando a cabeça no cabelo bagunçado do noivo.

Desde então ela perdera a noção do que estava acontecendo a sua volta e, só depois do que pareceram dias, ouviu a voz distante de Nissenson a chamando:

– Mary?… Mary, acorda.

Mary abriu os olhos com dificuldade e o dragão esperou pacientemente, até ela estivesse desperta o bastante para entender o que ele falava.

– Olhe ali. – ele apontou para fora da carruagem.

Sem entender, ela, ainda usando a cabeça de Doumajyd como travesseiro, apenas voltou o olhar para o lugar indicado. Como se tivesse recebido uma carga elétrica, ela ficou totalmente acordada e praticamente se jogou para a janela, se esquecendo do dragão que ainda dormia. Este acabou caindo e acordou assustado, enquanto Mary exclamava:

– Mentira!

Sem nem ao menos esperar que a carruagem parasse por completo, ela saltou para fora, não acreditando no que via.

Estavam em Hogsmeade, na tão conhecida praça do relógio, que àquela hora da noite deveria estar deserta. Mas, não só haviam pessoas ali, como elas pareciam estar prontas para uma grande festa de gala.

– Mas o quê…?… Como? – Mary se perguntava perdida, olhando para todas aquelas pessoas conhecidas que sorriam para ela.

Lá estavam não só os seus pais e o irmão, a senhora Doumajyd, Christinne e seu marido, Vicky e seus pais, Summer com Archie Gilmore, a professora Caroline, Sarah Swan, Sharon, o senhor Monagham e as famílias dos outros dragões, como também pessoas da D&M, de Hogwarts, da Academia e famosos da Sociedade Mágica.

– O que é isso? – perguntou Doumajyd, também saindo da carruagem, ainda atordoado pelo sono.

Nissenson desceu na carruagem logo atrás dele e anunciou, somente para que os noivos ouvissem:

– Um casamento produzido pelo D4!

– E agora, que tal você acompanhar suas bruxas madrinhas? – MacGilleain parou atrás de Mary, a empurrando na direção de Sharon e Christinne – Deixe o Chris por nossa conta!

***

Summer começou a tocar a marcha nupcial no piano enquanto Vicky e a professora Caroline conjuravam pétalas cor de rosas que caiam rodando lentamente pelo cenário da Praça do relógio. Sarah providenciara as luzes que deixavam todo o lugar iluminado e mantinha uma luz principal com sua varinha, que direcionava para onde Mary entrava, seguindo o tapete vermelho. Ela era conduzida pelo pai, que não conseguia esconder a emoção e segurava bravamente o choro.

Em menos de meia hora, ela não só fora totalmente produzida por Sharon e Christine, como ganhara um vestido branco pomposo, repleto de detalhes dourados. Na praça, fora montado tudo o que precisariam para a realização da cerimônia ao ar livre. Os convidados, dispostos ao longo do local, estavam todos voltados para a estátua do bruxo a cavalo, onde estava um altar.

– Como a Mary bonita ficou bonita assim?! – perguntou Charles surpreso para a mãe, que apertava a mãos com força, tão nervosa e emocionada quanto era permitido à mãe da noiva ficar em circunstâncias como aquela.

Mary passou pelos convidados recebendo seus cumprimentos e desejos de boa sorte e felicidade, até chegar ao altar. Lá a senhora Doumajyd a esperava, em um resplandecente vestido vermelho, com o filho ao lado, com vestes de gala brancas. Sem dizer uma palavra, a bruxa pegou a mão do dragão e a estendeu para Mary. O senhor Weed fez o mesmo, entregando a noiva para Doumajyd, simbolizando a união das famílias.

Assim, juntos, os dois avançam os últimos passos que faltavam até chegar ao altar, onde o responsável pela celebração da cerimônia os aguardava. Porém, ao pararem diante dele, todas as luzes se apagaram subitamente.

Assustada, Mary olhou em volta, só conseguindo distinguir vultos e ouvindo o murmúrio geral de surpresa. Doumajyd segurou sua mão com mais força para que não a perdesse.

– Vocês dois, parabéns. – disse uma voz.

Então, mais de repente do que quando se foram, as luzes voltaram.

– Ryan?! – Mary e Doumajyd se depararam com ao amigo, no lugar onde antes estava o responsável pela celebração.

– O que você está fazendo? – perguntou Mary surpresa, vendo que ele usava as mesmas roupas que o senhor do qual tomara o lugar.

O dragão olhou bem de um para o outro e então declarou, com um ar sério:

– Acho que, de todas as pessoas desse mundo, eu sou a que não só tem o direito como o dever de ouvir o juramento de vocês.

– Isso não parece com você. – comentou Doumajyd – Pensei que só iria aparecer no final.

Em resposta, Hainault encolhe os ombros, lembrando:

– Não foi o próprio ilustríssimo Chris quem me disse se algo acontecesse, deixaria tudo por minha conta?… – ele sorriu, quebrando o ar sério que mantinha – Desde então, venho pensando no significado de deixar tudo por minha conta.

Compreendendo o que o amigo dissera, Doumajyd sorriu satisfeito. Mary, ao contrário, continuou sem entender, e pediu em tom de reclamação:

– Do que estão falando?

– Não se preocupe, Mary. Uma promessa entre o D4 é mantida acima de tudo. – Hainault tentou tranqüilizá-la – Tudo o que eu quero, é lhes desejar sinceras felicidades, de frente para vocês.

Com aquelas palavras, dois sentimentos de Mary a respeito do dragão deram voltas dentro dela: o de ele ter sido o seu primeiro amor e o amigo que sempre esteve junto dela nesses últimos seis anos; e o buraco que sentira há pouco tempo atrás, quando suspeitara da amizade dele. Sem perceber, seus lhos se encheram de lágrimas, ciente de que nunca conseguiria retribuir tudo o que ele tinha feito para ajudá-los.

– Obrigada, Ryan Hainault. – foi tudo o que ela conseguiu dizer, com um sorriso tremido.

Ao lado do altar, Nissenson e MacGilleain sorriam satisfeitos, como quem havia completara uma missão com grande sucesso. Mary olhou para eles e agradeceu também:

– Obrigada, todos vocês.

– Vamos ter tempo para os agradecimentos, Mary. – disse Hainault – Agora vamos ao que importa.

E, com um estalar de dedos dele, Nana se aproximou, carregando uma almofada. Com dificuldade, ela fez uma reverência torta, e estendeu as alianças para os noivos.

Com os gestos de orientação de Hainault, Doumajyd colocou a aliança na mão de Mary e ela fez o mesmo com ele. E então, o dragão continuou com a celebração:

– Noivo, Christopher Doumajyd, promete sempre estar ao lado de Mary Ann Weed e a fazê-la feliz, mesmo nas dificuldades que enfrentarão ou quando ela estiver tão brava ao ponto de ter que socá-lo para se acalmar?

– Claro que sim! – ele respondeu rápido ao seu modo, e então se corrigiu e disse de forma firme como convinha – Prometo!

– Noiva, Mary Ann Weed, promete estar sempre ao lado de Christopher Doumajyd e fazê-lo feliz, mesmo quando ele diga ou aja de forma estúpida, agindo como um dragão descontrolado?

– Prometo. – ela assentiu, sorrindo.

– Então… que tal selar esse juramento com um beijo? – sugeriu Hainault.

Mary e Doumajyd ficaram de frente um para o outro e se enfrentaram com olhares, como se estivem repetindo os mesmo votos de forma silenciosa, apenas entre eles. Então, Doumajyd a puxou pela cintura e a ergueu, fazendo com que ela ficasse uma cabeça acima dele, e ela, por sua vez, segurou o rosto do dragão e o beijou.

No mesmo instante, os convidados romperam em aplausos e vivas. Summer assoviava com toda a sua força e grita vivas, fazendo com que Archie Gilmore a acompanhasse no seu entusiasmo. Sarah, com a ajuda de MacGilleain, improvisaram um misto de luzes e fogos de artifícios com suas varinhas. Vicky, Nissenson e a professora Caroline também se uniram e fizeram com que as pétalas que conjuravam fossem levadas por um vento e percorresse todos os cantos da praça, caindo depois como uma chuva, junto com as fagulhas dos fogos.

Mary e Doumajyd olharam para todo aquele cenário de festa ao redor deles, com todas as pessoas que testemunharam de perto todas as brigas, confusões e alegrias que os conduziram até aquele dia. Diante do seu casamento, no melhor estilo D4, a única que coisa que Mary conseguiu sussurrar para o noivo, antes de se juntarem a comemoração, foi:

– Inacreditável.

Epílogo
1 ano depois

Em Hogsmeade, uma fila gigante de pessoas segurando seus exemplares de ‘Rowjisuky: um encontro, uma única chance’, de Simon Nissenson, dobrava quarteirões. Depois de um ano rodando o mundo em explorações e pesquisas, finalmente o jovem, mas já grande, mestre em poções voltava para a sua terra natal, trazendo as descobertas sobre a planta mágica rara que há séculos vinha intrigando os pesquisadores.

Dentro da Floreios e Borrões, as pessoas se abarrotavam para conseguir um autógrafo do dragão, que somente aquele dia cederia essa oportunidade aos seus fãs.

– Aqui está. – ele entregou o livro para um garoto que agradeceu imensamente feliz, mais encantado em ter a assinatura de um bruxo famoso que poderia guardar para sempre, do que ter o próprio bruxo na sua frente.

Em seguida, uma moça se aproximou escondendo o rosto atrás do livro.

– Pois, não? – pediu Nissenson educadamente.

Tchaaan! – Vicky se revelou.

O dragão se surpreendeu, deixando bem claro que não esperava encontrá-la ali, mas mesmo assim sorriu para ela.

– Há quanto tempo! – a bruxa cumprimentou com um sorriso de orelha em orelha.

– É. – ele concordou se levantando, com uma intenção clara de cumprimentá-la.

Contente por ter sido bem recebida, Vicky estendeu a mão, já se preparando mentalmente para convidá-lo para um jantar. Mas, de repente, o dragão sai para o lado e circula uma pilha de livros, abrindo espaço entre as pessoas e fugindo.

– EEEIII! – Vicky corre atrás dele protestando – Simon! Espera! É só um autógrafo e eu vou embora! Prometo, Simon! Não vou arrastá-lo para lugar nenhum! ESPERA, SIMON!

***

Adam MacGilleain, diante de todos os bruxos importantes do Ministério, proclamou o seu discurso de posse do cargo de Chefe dos Aurores:

– Para acabarmos com antigos preconceitos, sempre honrando os que depositam suas esperanças em nossas ações, vamos trabalhar arduamente em busca de um mundo melhor! Assim como hoje estou aqui, sendo prova de que não importa a sombra maligna que paira sobre o passado do meu nome, espero que outros sigam o exemplo e construam conosco uma Sociedade Bruxa onde impere a igualdade, independente de origens, famílias ou status!

Uma salva de palmas finalizou o seu discurso, e os flashs das câmeras irromperam pelo salão, assim como as perguntas dos reportes.

***

Ryan Hainault, com uma mochila nas costas, parado na frente da lareira do seu quarto, olhava firmemente para o porta-retratos que tinha nas mãos. Então, o depositou novamente no seu lugar, e colocou junto dele um pergaminho.

Lançando um último olhar para a foto, ele deu um longo suspiro decidido e saiu, fechando a porta devagar, ciente de não a abria novamente tão cedo.

***

– Ei, naquele dia aqui, você não me disse qual era o seu sonho. – Doumajyd lembrou.

– Meu sonho? – Mary olhou para o cenário a sua volta, tentando se recordar da conversa que haviam tido naquele mesmo lugar, há exatamente um ano atrás.

Os dois estavam na praia deserta onde tinham ficado antes do seu casamento. Fora uma viagem impulsiva de Doumajyd, alegando que deveriam ir para um lugar distante somente os dois. E em menos de um dia lá estavam, afastados de toda a civilização, usando galhos secos para riscarem a areia e vivendo alguns momentos sem as obrigações e deveres dos bruxos que eram os modelos seguidos na sociedade mágica.

– Huuum… – ela pensou no que responderia, parando com seus rabiscos – Lembra do que você me disse aqui? Que eu era o seu sonho?

– Lembro. – ele respondeu, se apoiando do seu galho e olhando para ela.

– Mesmo hoje, não existe ninguém mais importante para você do que eu?

– Mas é claro que não! – ele respondeu rápido e um pouco ofendido com a pergunta, e então acrescentou – Não fale como se estivesse sonâmbula!

Ela riu da reação atrapalhada dele e continuou o inquirimento:

– A partir de agora também? Haja o que houver?

– Eu jurei, não foi? – ele disse – Não importa o que aconteça, eu nunca vou te deixar. E posso jurar novamente sem problemas.

Ela o encarou por um tempo, o avaliando, e então recomeçou a rabiscar:

– Mas eu não me importo em ser a segunda pessoa mais importante.

– …O que é isso? – ele perguntou preocupado, não entendendo onde ela queria chegar.

– Só estou dizendo que eu posso me tornar a segunda pessoa mais importante para você.

Confuso, o dragão apenas a encarou. Sabendo que o marido não entenderia por conta, ela decidiu ajudá-lo. Largou o se galho, correu até a borda da praia, e gritou para a vastidão do mar com todas as suas forças:

– QUANDO VOCÊ CRESCER, NÃO SE TORNE UM METIDO COMO O ILUSTRISSIMO CHRISTOPHER DOUMAJYD! – e então ela olhou para o dragão parado na areia, e acrescentou – Mas pode ter um cabelo estranho como o dele.

Ainda demorou alguns instantes, mas logo a expressão de Doumajyd, um misto de apavoramento e felicidade, confirmou que ele havia entendido, mas ainda não acreditava:

– O quê?!

– O meu sonho, – ela continuou, colocando as mãos na barriga – também se realizou.

Imediatamente, ele largou o galho e correu até ela. Se ajoelhou na sua frente e encostou a cabeça na barriga de Mary, como se isso o permitisse confirmar.

Sem conseguir se conte, ele se levantou saiu correndo para todos os lados em volta dela, gritando para o mar:

– INACREDITÁVEEEEEEEEL!!!

Mary apenas ria com tudo, o deixando agir como um idiota que não sabia o que fazer para demonstrar o quanto estava feliz.

Então, quase sem ar, ele voltou correndo até ela e abraçou forte, a pegando no colo e a rodando. Mas logo em seguida se deu conta do que estava fazendo e a colocou de volta no chão com todo o cuidado, a forçando a se sentar na areia:

– Senta aqui, Mary. Está cansada, não? Está com fome? Eu vou pescar um peixe pra você e depois temos que- – sem terminar o que dizia ele a abraçou de novo e repetiu baixinho pra ela – Inacreditável!

***

No porta retratos do quarto de Hainault, na foto tirada no dia do casamento de Mary e Doumajyd, os dragões e a noiva, todos se abraçavam e sorriam contentes, transmitindo a alegria deles naquele momento, há um ano atrás.

No pergaminho deixado para trás pelo dragão antes de partir, estava escrito:

“Existem tempestades que passam a ser flores. Em um mundo assim, até mesmo dragões podem ser boas pessoas, quando existe alguém que acredita neles… Porém, alguns dragões precisam continuar sozinhos e buscar suas flores por si mesmo.

Apesar de ser um adeus, é a vida.

A nossa história não termina aqui. Ela irá começar agora…”

FIM

Nota da L:

Foi a exatamente há três anos atrás que Di-hana e eu decidimos começar a escrever uma fica baseada em hanadan. Começamos meio capengas, sem saber direito como fazer uma adaptação, nos perdendo nas escolhas dos nomes, quebrando as cabeças para escolher um título significativo… Mas aí está, Entre Doces e Dragões completa! xD

Durante todos esses anos, nos tempos em que fizemos intervalos durante uma fic e outra, sentíamos um imenso vazio, e ficávamos na mesma situação dos leitores, querendo saber o que acontecia depois. Porém, tudo o que tem um começo deve ter um final, é a vida xD

É com um sentimento bom de trabalho cumprido que chego ao final de EDD. Contente pelos comentários que recebi, pelos e-mails trocados, pelos acontecimentos que me surpreenderam e que só tive oportunidade de presenciá-los devido por causa da fic. Por mais que ela não seja algo que irá me trazer status como escritora, foi uma aprendizagem incrível, que nenhuma universidade no mundo é capaz de fornecer.

Agradeço a todos os leitores que acompanharam até o final e tiveram a paciência de esperar todos esses anos pela conclusão. Aos comentários e aos incentivos que recebi. A Di-hana que começou a escrever essa fic comigo e me fez perder o medo de continuá-la sozinha. Aos meus amigos próximos que ficaram ouvindo minhas lamúrias de‘eu preciso escrever, mas não sai nada! Vou me jogar da ponte!’. P, que leu a fic desde o começo, mesmo antes de assistir hanadan e se entusiasmava com os capítulos. Ao Yuri que não leu a fic desde o começo, mas é fã de hanadan e não acreditou no total de paginas da fic no começo xD A Thata que tbm leu a fic desde o começo, fã do Ilustríssimo Eu, e a qual eu joguei em um desfiladeiro a fazendo assistir hanadan e hj se vê o resultado irremediável disso xD Ao Arashi que faz o seu melhor para dominar o mundo e incentiva seus súditos a fazerem o mesmo através de suas músicas e seu mundo colorido xD

Agora, chega de babação e agradecimentos e vamos às informações técnicas o/

Estou lutando bravamente contra a minha vontade de reler todas as três fics desde o começo. Mesmo assim, vou revisar a EDDFinal antes de abrir um blog somente para ela aqui no blog da LAP. Então a reunião de todos os capítulos vai demorar um pouquinho…

Estamos preparando algumas novidades para o blog que serão lançadas no niver de 9 anos da LAP \o/ Tudo está em total sigilo e segredo para que o Mot-Mot não descubra e dê um jeito de acabar com a festa, mas posso adiantar que vai ter um especial de EDD xD Agora, para saberem mesmo o que vai ser, aguardem até dia 30 de Junho xD

Até lá, pessoal! o/