Fic – O Retorno da LAP

Terceira parte de: O Um Anel Perdido e As Duas Pontes

CAP 01 – Na Fortaleza dos Orcs

– Eu ainda não entendo… – disse L brincando de enrolar um dos seus cachinhos no dedo.
– O que, L? – perguntou P ajustando o foco os seus binóculos infra-vermelhos superpower, capazes de funcionar mesmo no tempo sempre encoberto de nuvens negras de Môrdor, vindo diretamente da mochila da A – O fato de nós estarmos encalhadas aqui na Terra-Média desde 2005?
– O fato de ninguém ter reparado que a história ficou no pause durante todos esses anos? – ajudou A, enquanto usava sua varinha para mexer os ovos que estavam cozinhando em uma panelinha (retirada da sua mochila) no fogo mágico.
– Não! Eu não entendo como eu ainda tenho cachinhos!… Olha! Será que isso não vai sair nunca?! – L perguntou indignada – Eu quero meu cabelo embaraçado de volta!
– Não é hora pra isso, L! – brigou P – Eles vão nos ouvir!
– O que? Eles já chegaram? – perguntou A indo espiar por cima do ombro da amiga.
– Só pode ser. Olha… – ela passou o binóculos para a outra
– Também quero ver! – L pulou ao lado delas.
– Eles estão carregando alguma coisa muito suspeita. – continuo P – Deve ser o Frodo meio-morrido envenenado pela Laracna.
– Mas não era a Aragoge? – perguntou L espiando também – Lembra que ela havia sumido do cenário de Harry Potter e, segundo testemunhas, quem a roubou foi um sujeito que dava risadas muito altas dizendo ‘Sauron é incrível! Para que criar personagens novos se existem personagens de sobra mal usados poraí dando sopa?!’. Então só pode se-
– Enfim, – A interrompeu – O que importa é que tudo está seguindo o roteiro. – ela começou a contar nos dedos – A aranha quase mata o Frodo, Sam acha que ele morreu mesmo, os orcs vêm e levam o Frodo semi-morto embora para assar e… Peraí! – ela pareceu se lembrar de algo muito importante – Não estamos aqui para pegar o Anel e podermos voltar, P?
– Sim.
– Mas… que anel exatamente temos que pegar?
– … – P.
– … – L – … O que nós leva pra casa, neh? Aquele que a Elfa Super Poderosa tinha, o amuleto do amor eterno, o que você tentou enganar o Faramir, o que-
– Tá, L, já entendi. – A a cortou – Acontece que quem pegou esse anel foi o Gollun e-
– E não sabemos o que foi feito com ele desde então. – completou P – O nosso plano é bem simples: vamos aproveitar essa parte da história em que o Frodo fica lá na torre preso, nos disfarçamos de orcs e o interrogamos para saber em que pé anda a as coisas e como vamos recuperar a ponte sem criamos um colapso na história que poderia resultar em uma fenda no tempo e espaço em que intrusas como nós seriam simplesmente engolidas por um turbilhão de informações e tratadas como se fossemos simples bugs do sistema.
– … – L.
– … – A – Aaaaah, obrigada por me informar desse seu plano ao invés de ter me mandado cozinhar ovos, P! …Aliás, isso é ovo do que, L? A casca deles tem essa cor estranha de besouro…
– Sei lá. Achei ali atrás daquele arbusto e-
CRECK
– … – L.
– … – A.
– .. – P – O que foi isso?
CRECKS. CRECKS. E MAIS CRECKS.
Sons estridentes começaram a vir de dentro da panelinha e as três se viraram para ver o que estava acontecendo.
Coisas escuras com asas e pescoços cumpridos se mexiam sem parar dentro da água, soltando uivinhos agudos.
– Isso me é familiar. – A.
– Parece que eu já vi um troço assim antes. – L.
– Ah! – exclamou P lembrando – É um daqueles bichos voadores que os espectros montam!
– Exatamente em que arbusto você achou isso, L?! – perguntou A já se desesperando.
Mas L não pôde responder. No mesmo instante rugidos estridentes responderam aos guinchos dos bichos na panela e vários nazgûls surgiram de trás dos arbustos, procurando pelos filhotes perdidos.
– Mudança de plano! – disse P – Vamos entrar AGORA!
– AAAAAAHHHHHHHHHHH!!! – LAP correu na direção do castelo para onde haviam levado o Frodo, sendo perseguidas por mamães-nazgûls furiosas.

***

– P?
– O que foi, A?
– O que exatamente vem a ser isso?
– Hum…
A LAP, depois de ter dado duas voltas pelas montanhas até despistar as nazgûls, se espreitaram até a entrada da fortaleza dos orcs.
Mas, ao invés de estarem em frente a uma grande e tosca porta de madeira podre, como elas imaginavam encontrar ao estarem ali, estavam diante de uma grande porta de metal liso e reluzente.
– Caramba. – admirou-se L – Isso parece até aquelas portas de freezers de gente rica… Será que erramos de montanha?
De repente uma pequena abertura, antes invisível, se abriu e um par de olhos negros espremidos apareceu, perguntando:
– Quem são vocês e o que querem?
As três se entreolharam. Ainda estavam abismadas demais com a porta para poderem formular um plano de invasão que batesse com aquela realidade.
– Viemos ser orcs! – disse L pensando rápido.
– O quê? – o guarda da porta perguntou confuso.
– Viemos nos recrutar para o exército do grande senhor Sauron! – A explicou melhor, entendendo a idéia da outra.
– Huuummm… – o orc-guarda as analisou dos pés as cabeças – Não, vocês são muito baixinhas!
– EEEEIII! – P chutou a porta – Quem é baixinha! Vocês é que são grandes demais!
– Nós podemos ser espiãs! – sugeriu L.
– Por sermos baixinhas podemos nos esconder facilmente! – acrescentou A segurando P que tentava dar mais um chute na porta.
Porém, o orc-guarda não deu atenção para essa sugestão. Ele ainda estava impressionado com o ponta-pé que a P dera na porta.
– Onde aprendeu essa técnica, incrível, elfa baixinha?
– Técnica? – P.
– É um novo estilo de luta que criamos. – disse L em posição de luta, com os punhos no ar, vendo que agora o orc-guarda cairia facilmente no que elas dissessem – Treinamos durante anos para podermos servir ao senhor Sauron. – ela fez sinal para que as amigas as imitasse.
– Que legal isso! – o orc-guarda se interessou – E vocês vão nos ensinar também?
P e A olharam para L, que engoliu em seco e respondeu com um sorriso amarelo:
– Claro que ensinamos! Somos especialistas em ensinar técnicas de lutas de animes aleatórios para os outros, senhor!
– Então podem entrar. – disse ele acionando algum mecanismo por dentro que fez a porta correr para que elas entrassem – É só fazemos os seus crachás e vocês poderão participar do recrutamento.
– Está mesmo tendo um recrutamento? – perguntou A aos sussurros para P, a especialista em Senhor dos Anéis.
Lá dentro elas se deparam com uma sala iluminada onde a maioria dos objetos eram feitos de um metal como o da porta. E, o mais impressionante de tudo, havia uma grande mesa repleta de botões que piscavam, marcadores coloridos, radares que indicavam a movimentação em toda a terra de Môrdor e um palatír que expelia constantemente uma fita com códigos.
– UAU! – LAP, olhando em volta admiradas.
– Isso tá mais legal que a central WIB! – comentou L – Posso apertar algum botão? Só, um vai, diz eu sim, só um, unzinho, deixa?
– P, tem certeza que estamos no lugar certo? – perguntou A ignorando L eu repuxava a manga da sua veste.
P olhou para o orc-guarda, vestido com um terno preto, mas inconfundivelmente um orc, e disse sem muita certeza:
– Sim… acho…
– Coloquem os dedos indicadores aqui. – disse o orc, trazendo até elas um aparelho com uma saída de som e um local com o formato certo para que as pessoas colocassem o dedo solicitado.
P foi a primeira (ou seja, foi empurrada para frente pelas outras duas, eu olhavam a tecnologia orquiana com suspeita). O aparelho soltou uns bips e logo falou com uma voz robotizada de mulher:
Personagem identificado: Elfa Nindë Oronar, residente de Valfenda.
P piscou várias vezes, olhando boquiaberta para o aparelho que, de repente, soltou um flash e logo em seguida expeliu um crachá com essas informações e a foto dela com a cara que ainda estava fazendo.
– Minha vez! Minha vez! – L pulou na frente da P e enfiou o dedo no aparelho.
Personagem identificado: hobbit Rubi Pescoço-orgulhoso de Tûk.
L fez uma posse com um sorriso de orelha em orelha e dedos em ‘v’ na hora da foto e só depois reclamou:
– Eeeeei! Que tipo de nome é esse?! – ela pegou o seu crachá – Pelo menos a foto ficou legal!… Eu sou de Tûk?
– Sua vez. – o orc-guarda estendeu o aparelho na frente de A e ela colocou seu dedo.
Personagem identificado: hobbit Rosie-Posie Princesadoscampos de Bancopegado.
– QUE ***** É ESSA?! – rosnou A.
FLASH
– Agora vão por aquela porta e sigam até o final do corredor. Depois virem a esquerda, depois a direita, sigam três portas adiante, virem novamente a direita, desçam três lances de escadas, virem a esquerda, peguem o corredor número 5, entrem no elevador e subam até o vigésimo andar. Lá encontrarão o responsável pelo recrutamento.
– Tá. – L.
– Ok. – P.
– Eu sou uma elfa! – protestou A – Não se ligou na minha roupa não, ô maquininha do Paraguai!

***

– Como assim vocês não prestaram atenção nas instruções! – reclamou A, ainda de mau humor por causa do seu crachá, enquanto as três davam voltas pelos corredores repletos de portas.
– Mas eu achei que a P tinha prestado atenção. – quase chorou L.
– E eu achei que você tivesse prestado atenção, A. – se defendeu P.
– Sim, como se eu pudesse prestar atenção em qualquer coisa depois de ser nomeada Rosie-Posie Princesadoscampos do Bancopegado!
– … – L – Éééé… foi falha nossa, P.
– E o que vamos fazer agora? – pediu P – Esses corredores são todos iguais que nem sei se estamos indo ou vindo…
– Que tal batermos nas portas e ver se encontramos alguém para pedir informação? – sugeriu L.
– Princesadoscampos o *******… – resmungou A.
– Mas tem um mundo de portas aqui em baixo, L! – P – Temos que encontrar o lugar onde o Frodo está antes que chegue o momento de ele acordar, ou vamos atrapalhar o andamento da história!
– Bom, então ao invés de bater vamos simplesmente abrir todas as portas.
– Agora melhorou… Você fica com as de lá e eu com as de cá… E, A, senta em um cantinho emo com a sua mochila e espera a gente, ok?
– Tá. – respondeu A em um muxoxo, agarrando a sua mochila e se sentando no chão, ainda olhando inconformada para o seu crachá – Eu sou uma elfa, uma imortal…

***

P foi para seu lado das portas e abriu a primeira delas. Imediatamente, uma música muito alta encheu seus ouvidos e o que viu foi um pouco mais preocupante: um monte de pessoas usando turbantes e aquele bando de mulheres vestidas com burca.
Já estava escriiiitoooooooo – cantou uma mulher próxima.
Abismada, P percebeu que estava na novela O Clone.
– Óh!!! Inchálá, quero que Alá me dê muito oro!!
– Hum… – P deu um sorriso amarelo para uma mulher que lhe oferecia um docinho estranho, agradecendo e comentando consigo – acho que o Frodo não deve estar aqui…
Então, rapidamente fechou a porta.

***

– Dá licença! – pediu L abrindo uma das portas de supetão.
– NÃO TEM NADA PRA VER AQUI, SUA BASTARDA! – berrou uma mulher de rosto redondo e um cabelo armado, encolhida sentada em cima de um vaso sanitário, com a maquiagem toda borrada e escorrida pelo choro, assoando o nariz com um rolo de papel higiênico – EU SÓ LEVEI UM FORA DE NOVO E ESTOU DERRETENDO DE CHORAR NO BANHEIRO! ALGUM PROBLEMA COM ISSO?!
– Não, nenhum. Desculpe atrapalhar.
– ENTÃO DÁ O FORA DAQUI, IDIOTA!
– Sim, senhora Kim Sam Soon.
(fung, fung)… Como sabe o meu nome?
– Dá um autógrafo? – pediu L sorridente – Pode ser no papel higiênico mesmo!
– SOME DAQUI, FEDELHA!
– Desculpa-sumida. – pediu L mais uma vez com uma reverência antes de fechar a porta, ainda ouvindo o som abafado de um rolo de papel-higiênico sendo jogado contra ela.

***

P seguiu para a outra porta e a abriu. Dentro dela tinha uma floresta úmida e um casal estava ali próximo conversando. E, por mais estranho que isso parecesse, o homem era muito branco e parecia estar coberto de purpurina.
– Vampiro? – falou a mulher, encarando o homem.
– Vampiro?! – os olhos de P se encheram de compreensão – Vampiros brilham? – ela falou se aproximando, rindo e olhando o homem, interessada – Olá! Porque você passou purpurina em você, Cedrico?
– Que Cedri… AHHHHHHHHHHH! Me solta sua malucaaa!!!
P pulara no pescoço do Cedrico-Edward com olhinhos brilhantes antes que ele pudesse ter tempo de se defender.
– Ei! – protestou a garota – Ele é meu! Eu vi primeiro!
– Eu não me importo de você ter purpurina no corpo, eu te acho mó gatão!
Sem entender o Cedrico-Edward com sua força vampírica jogou P através da porta, fechando-a rapidamente.
– Humpt… paciência… – a rejeitada se levantou esfregando as costas – Francamente, como se eu gostasse daquele loiro lindo e aguado… Será que o próximo eu vejo um loiro mais bonito? – se perguntou, saltitando feliz em direção a outra porta.

***

L abriu outra porta e imediatamente ouviu uma explosão de aplausos.
– E aí está a nossa concorrente desse domingo! – cantou Silvio Santos – Se aproxime, minha jovem, para rodar a Roda da Esperança!
O concorrente que já estava no palco girou a dita da roda e uma música medonha, mistura de trilha sonora de Tubarão com Psicose, começou a tocar.
– GAAAAAAAHHHH!!! – L gritou desesperada no maior estilo ‘Esqueceram de Mim’ e fechou a porta desesperada, saindo correndo.

***

P abriu outra porta, ainda meio torta pela dor nas costas de ter sido arremessada, e encontrou um jardim bonito com uma piscina e várias pessoas ouvindo atentamente uma voz que parecia vir de um microfone.
– Agora vamos dar início à prova do líder!
– ARGH – P gritou, enojada, já dando meia-volta – BBB de novo NÃO!! Já me basta o de Hogwarts, francamente…
– Temos uma nova participante, Bial? – falou um dos peit… digo, uma das mulheres.
– AHHHHHHHHHHH! – P fechou a porta, correndo o mais longe possível dela.

***

L, ainda ofegando, abriu mais uma porta e no mesmo instante uma rajada de vento frio veio por entre um monte de casacos de pele no que parecia ser um armário de roupas antigas.
– Huuumm… – L pensou por alguns instantes – Opção 01 = ir para Nárnia, viver grandes aventuras até ficar velha e depois voltar do mesmo jeito que entrou e apanhar da A e da P por perder tempo com coisas aleatórias. Opção 02 = fingir que não viu nada, fechar a porta, seguir para a próxima, encontrar o Frodo, achar a ponte, voltar para casa sem ir para Nárnia e viver grandes aventuras, deixando P e A felizes… – L entrou pela porta batendo palmas – Opção 01! Opção 01! Opção 01!
Mas no mesmo instante a uma voz robótica de mulher (igual a do aparelho de identificação) soou vinda de algum lugar do além:
Não é permitida a entrada de hobbits nesse recinto.
E o lugar de onde vinha a rajada de vento desapareceu.
– Eeeeei! Que preconceito é esse!… E eu não sou uma hobbit! Sou humana!
Ha. Ha. Ha. – voz robótica rindo – Você não engana nós hobbitses! Circulando!
L fechou a porta contra a vontade:
– Bom, pelo menos acho que achei a irmã do Gollun… irmã?…

***

P abriu uma porta e…

***

L abriu uma porta e…

***
– Que estranho… – comentou A no seu cantinho emo – O chão está tremendo…
– AAAAAAAAHHHH! – P e L surgiram correndo desembestadas pelo corredor sendo perseguidas por gremelins e pelos marcianos de ‘Marte Ataca’.
– Meu Merlin! O que vocês fizeram?! – perguntou A ficando de pé em um pulo e no mesmo instante sendo agarrada pelas amigas para que corresse também e não fosse devorada ou desintegrada.
– FOI SEM QUERER! EU JURO! – chorava L.
– ELES SIMPLESMENTE ESTAVAM LÁ QUANDO ABRI A PORTA! – P se justificou.
– Ali! Ali! Ali! – A indicou uma porta com uma plaquinha escrito em orcês (com tradução em élfico, inglês-hobbit, sereiânico, trasguê e libras).
Assim que elas entraram e fecharam a porta depressa, tudo ficou em silêncio, e a escuridão foi total.
– Sabe… – começou L, ofegando como as outras, ainda segurando a porta fechada com toda a força – Não sei vocês, mas eu tenho a estranha sensação de que não temos mais um chão para pisaAAAAAAAAAAAHHHHHHH!
E as três despencaram em um precipício escuro.