FIC – Clube de Anfitriões de Hogwarts

CAP 06.4 – Refém e suspeito

Depois de meia hora de caminhada, a paisagem continuava exatamente a mesma: a mata fechada e abafada, com uma luminosidade estranha e artificial que vinha de cima entre as copas das árvores repletas de cipós.

Dos Anfitriões, Lloyd era o único que ainda mantinha a determinação de se mostrar como um herói se empenhando em um grande resgate. Com atitudes exageradas, eles ia abrindo caminho entre as plantas e comentado:

– Realmente parece uma selva! Foi um bom trabalho, Payton!

– Certamente. – o secretário fez um apontamento na sua prancheta com um inconfundivel ar de satisfação.

– Ouço barulhos de animais estranhos. – Michael, receosa, achou melhor informar previamente o motivo para um provável grito da sua parte.

– Tomara que não sejam reais. – Eain a complementou, andando colado ao seu irmão logo atrás dela, os três olhando atentamente para todos os lados.

– Queremos tudo o mais real possível. – disse Payton automaticamente, não reparando que as suas palavras apenas serviram para que eles parassem de esconder seu medo e olhassem assustados abertamente para todo e qualquer movimento em volta.

Aldrich era o único que não demonstrava nenhuma reação específica. Limitava-se a andar pela mata com o olhar concentrado. Michael reparou nisso e não pode deixar de refletir sobre o que ele estaria pensando. Com certeza, apesar da aparente calma, deveria estar nervoso e preocupado, já que-

PLOFT!

Aldrich tropeçou em uma raiz e caiu estatelado de cara no chão.

(LAP: Madeeeeeeeira! \o/)

– Mestre. – chamou Earl apontando para trás – Theo está agindo de forma estranha.

– Igual ao mestre. – completou Eain.

– O quê? – Lloyd ohou para trás confuso, sendo arrancado de um mirabolante devaneio e que ele se via sendo indicado como Ministro da Magia depois de seu espetacular resgate a Oliver Haywood – Que foi?

Entre tudo isso, Aldrich se levantou e não se importou em bater as folhas que se agarraram na sua camiseta. Como se nada tivesse acontecido, ele continuou andando.

(LAP: O que ele tem, Michael esperta?)

– Ele está tão preocupado que não sabe o que fazer… – Michael murmurou para ela mesma, se dando conta do que estava acontecendo.

E, tão de repente quanto o tombo de Aldrich, tudo escureceu, e os gêmeos se encolheram dizendo coisas como fim do mundo  e 2012.

– Hora da chuva. – contou Payton, conferindo uma tabela anexa na sua prancheta.

E, como se aquelas fossem as palavras para que faltavam, uma chuva torrencial desabou sobre eles.

***

Com os sentidos aguçados pela fantasia de herói, Lloyd avistou uma cabana parcialmente pronta em um lado da precária trilha por onde iam. Apesar de só ter metade do telhado de palha pronto, ela o suficiente para abrigar o Clube Anfitrião até que pudessem voltar as buscas sem correrem o risco de se afogar.

Aproveitando a situação, Michael se aproximou de Aldrich, tentado puxar conversar:

– Sir Aldrich, você e Honey sempre parecem muito próximos. São amigos há muito tempo?

O anfitrião pareceu pensar alguns instantes em se iria falar ou não, mas antes que pudesse se decidir os gêmeos aproveitaram a oportunidade:

– Eles são primos! – revelara eles, aparecendo atrás de Michael.

– Parentes? – ela retrucou surpresa, já que não tinha imaginado algo tão próximo assim.

– Antigamente, – Payton se juntou a conversa – A família Aldrich servia aos Haywoods. Devido a um pacto antigo, feito entre os antepassados dessas duas famílias, os Aldrich tinham o dever de proteger os Haywoods, e assim foi por gerações.

Michael tentou imaginar a situação:

– Tipo um rei e um cavaleiro?

– Quase. – Payton preferiu não entrar em detalhes sobre pactos antigos – Porém, há umas três gerações, esse pacto foi desfeito, já que as duas famílias se uniram por casamento. Apesar de terem sobrenomes diferentes, Haywood e Aldrich pertencem a uma mesma família… Mas, penso que um pacto tão antigo e importante quanto o que há entre elas não pode ser esquecido, e isso deve ser o motivo de Theodore estar estranho.

– Aaah… – Michael olhou preocupada para Aldrich.

Podia não ser a mesma coisa, mas ela sabia o que era se sentir responsável e preocupada com alguém, já que seu pai não era um exemplo de constância.

– Que história bonita! – os gêmeos se abraçavam e choravam dramaticamente – Queremos um pacto antigo também!

(LAP: …)

– História bonita? – Michael suspirou, e então se aproximou de Aldrih, que olhava fixamente para a mata fora da cabana, tentando de alguma forma consolá-lo – Está realmente preocupado com o Honey, não sir Aldrich? Está tudo bem ele deve estar a salvo… – e acrescentou meio incerta, já que não sabia mais o que falar –  Ele é mais forte do que parece, e se tiver fome tem muitas bananas aqui.

(LAP: Que tipo de consolo é esse, personagem?!)

Mas com isso Aldrih pareceu diminuir um pouco a tensão que estava sentido, e olhou para ela de forma agradecida, colocando a mão na cabeça dela como se para dizer que realmente estava tudo bem e que ela não se preocupasse.

– NÃO! – Lloyd gritou ao fundo desesperado – Não me diga que o Theo também que sentar na poltrona de papai da Michael?!

– Ninguém quer essa posição idiota! – informaram os gêmeos prontamente.

– Que mané posição idiota?! – Lloyd se revoltou – Saibam que é uma honra imensa ser o papai da Michael!

– Não preciso de dois pais! – Michael se manifestou.

– Sim, tivemos alguns problemas. – Payton, de um lado, informava a situação deles para os administradores do parque pela sua esfera Doumajyd.

E Aldrich se voltou para um lado, percebendo algo.

***

– Sir Aldrich! – Michael gritava enquanto corrida pelo caminho ainda escorregadio por conta da chuva – Não deve sair assim! Vamos esperar pela ajuda do pessoal do parque!

Mas ele não ouvia e continuava correndo.

Michael fora a única que percebera que o colega saiu correndo de repente e se embrenhou na mata e, em um impulso antes que ele sumisse totalmente de vista, ela o seguiu na crença de que poderia convencê-lo a voltar. Porém, indiferente aos apelos dela, ele continuava em frente como se estivesse seguindo algo.

– Sir Aldrich! THEO! ESP- PLOFT

Michael caiu deslizando em um poça de barro.

– Droga… – ela se ergueu e olhou desanimada para as roupas todas sujas.

(LAP: Sim, Michael, a preocupação com a roupa a mais que você terá que lavar é mais importante do que se todos os teus ossos estão no lugar certo depois desse tombo)

– Tudo bem?

Ela se deparou com a mão de Aldrich estendida na sua frente, lhe oferecendo ajuda.

– Honey não está nessa direção! – ela se apressou em dizer enquanto aceitava a ajuda, aproveitando o momento em que ele estava prestando atenção nela.

– Não, está aqui. – ele respondeu com uma certeza absoluta e volta a andar pelo caminho que estava indo.

(LAP: Instintos naturais power! \o/)

– Espera! Vou com você! – Michael se apressou em segui-lo.

Não sabia se era por conta daquele Pacto Antigo que ela não entendia ou quê, mas a certeza de Aldrich ao mesmo tempo em que a fazia acreditar nele a deixava preocupada com o fato dele não prestar atenção aos perigos que poderia encontrar no caminho. Então, querendo ser de alguma forma útil, ela começou a prestar essa atenção por ele.

***

– Certo, preciso disso com urgência. – Payton finalizou a sua chamada pela esfera e então deu uma olhada a sua volta.

Os gêmeos estava dançando em um ritmo tribal um música intitulada Posição Idiota enquanto Lloyd rosnava coisas incomprensíveis para os dois. Mas, estava faltando alguma coisa…

– Onde estão o Theo e a Michael?

Imediatamente os três pararam com o que estavam fazendo e olharam em volta se dando conta de que eles haviam desaparecido.

– AAAAAH! SEQUESTRARAM A MINHA MICHAEL?! – Lloyd começou a chorar desesperado – NAOKI! CONVOQUE OS GUARDAS IMEDIATAMENTE!

***

Quartel general das forças de guarda especializada da família Payton.

Um som de alarme rebooava por todos os cantos enquanto bruxos uniformizados corriam para as suas posições, ouvindo as instruções de uma voz magicamente ampliada:

– Alerta emergencial! Alerta emergencial! Um desaparecido no Parque Acqua! Local desaparecimento: piscina principal. Trata-se de um garotinho loiro. Destruam todos os outros alvos suspeitos! (LAP: O.o pq?!!!)

***

Depois de ter caído em areia-movediça, perseguida por cobras voadoras e fadas mordentes, quase ter pulado em um precipício (LAP: YAY!) e ser capturada por um grindlow, Aldrich resolveu tomar medidas drásticas para não ter o seu caminho interrompido mais uma vez para salvar Michael: carregá-la como ele fazia com Honey. Além de pararem de perder tempo, os passos dele eram muito mais rápidos que os dela.

Entretanto, estalos ocorreram em toda a volta de deles e bruxos usando uniformes de guerra, capacetes com viseiras e de varinhas em punho os cercaram.

– Garotinho localizado com alvo suspeito – informou um deles.

(LAP: garotinho = Michael/ alvo suspeito = Aldrich)

– Resgatem a vítima e eliminem o alvo! – o líder deu as ordens.

***

Enquanto isso, na cabana debaixo de chuva, Payton ponderava:

– A propósito, esqueci de avisá-los sobre os outros sumidos… Bem, tudo bem. Eles devem entender.

(LAP: Instruções completamente ineficientes! o/)

***

Os bruxos continuavam em volta deles, apontando as varinhas. Aldrich ainda segurava Michael no colo, completamente imóvel, apenas encarando as varinhas com concentração. Um dos bruxos se colocou a frente, em posição de ataque:

– Ei, você! Solte esse garoto! Caso contrário, iremos forçá-lo a tal!

– Esperem! – gritou Michael, mas antes que pudesse continuar, sentiu ser puxada das mãos de Aldrich.

O bruxo, com um movimento da varinha, havia levitado ela, mas antes que pudesse alcançá-la, Aldrich havia sacado sua varinha e jogado o bruxo longe.

– Ataquem! – gritou o bruxo, do chão, completamente irritado.

Aldrich colocou-se na frente de Michael, em defesa, quando os dois ouviram uma voz:

– Micky, Theo! Saiam do caminho!

Michael olhou para trás ao mesmo tempo que Aldrich e pôde ver, ao longe, que alguém vinha gritando de cima da árvore, segurando um cipó. Com a varinha em uma mão e se segurando com a outra, Honey passou pelo bruxo que estava no comando, lançando um feitiço estuporante,  fazendo com que o bruxo caísse desacordado de cara no chão.

– O que está fazendo, pequenino? – outro bruxo gritou espantado, apontando sua varinha para Honey – Quem é você?

– Outro suspeito! – berrou outro bruxo – Ataquem ele!

Em instantes, todos os bruxos lançaram feitiços em Honey. Michael ia gritar para o garoto correr, mas não conseguiu abrir a boca depois do que viu. Com um salto, Honey, mantendo um olhar feroz, desviou-se de todos os feitiços, e com uma manobra exemplar, alcançou o cipó novamente, balançando-se com rapidez. Quando os bruxos tentaram novamente atacá-lo, ele desceu do alto da árvore lançando uma consecutiva chuva de feitiços estuporantes nos bruxos e, em minutos, todos estavam desacordados no chão.

Com outro salto, Honey caiu majestosamente, mantendo-se abaixado e com o rosto coberto pelos cabelos loiros.

– O-o quê? – Michael falou, finalmente, completamente confusa, não acreditando no que acabara de presenciar. Nunca, nem em livros, soubera de um bruxo com tal habilidade.

Honey levantou-se, endireitando-se e, ao ver o olhar confuso de Michael, desfez seu rosto feroz para um sorriso meigo.

– Não sejam tão impulsivos! – Honey falou, com um olhar determinado, aos bruxos desacordados, passando a lição final do episódio – Não vou deixar aborrecerem meus amigos!

(LAP: Muito feio! Não façam mais isso!)

Ainda completamente chocada, Michael olhava para Honey, quando ouviu que passos se aproximavam deles. Ao olhar para o lado, percebeu que os outros anfitriões os haviam os encontrado e corriam na direção deles.

– MIIIIIICHAAAEL! – gritou Lloyd, desesperado – Você está bem?

– Jean! – falou Honey, em uma atitude completamente feliz, como quem estava recebendo os amigos em casa para um festa de aniversário.

– Honey! – gritaram os gêmeos, apontando para ele.

– Miiiiiichaellll! – Lloyd corria na direção de Michael, com os braços abertos, parecendo completamente feliz e aliviado e, quando a alcançou, deu-lhe um abraço e sorriu, falando com sua voz de galã – Estava morrendo de preocupação. (LAP: Nunca perdendo a deixa! o/)

Os gêmeos haviam se aproximado dos bruxos e os cutucavam com a ponta de suas varinhas.

– Não sei o que aconteceu, mas parece que estão todos bem. – falou Earl, curioso.

– Bem, isso foi trabalho do Honey, certo? Deve ter perdido a paciência com eles. – comentou Eain, confimando com um aceno com a cabeça.

Michael encarou os gêmeos, sem compreender, e, começou a beliscar Lloyd para que ele a soltasse.

– Ahn? O que quer dizer com isso? – perguntou, quando o loiro finalmente a soltara.

– Ahn? – rebateu Eain, encarando-a com confusão.

– Você não sabia? – murmurou Earl.

– Bem… a família Haywood é famosa por suas técnicas em artes marciais conjugadas com artes de duelo. – com um aceno da varinha, Payton conjurou o seu quadro para explicações mais complexas onde desenhos surgiram (LAP: Animados no estilo palito), mostrando Honey vestido com uniforme bruxo muito bonito, sorridente com os dedos em forma de V, muitos coelhinhos atrás dele e uma palavra acima: ELITE.

(LAP: Cuma? O.o)