FIC THATA – 1, 2, 3, 4, 5

One Two Three Four Five
(tradução) 

Autora: nino-arashi
Gênero: Comédia.
Resumo: Bebês inusitados.
N/A: Baseado no PV “My Girl”.

(Download do vídeo com legendas by Arachique)

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O primeiro filho deles foi nomeado Ichiro.

Papai e Mamãe quase morreram de preocupação quando o primeiro filho deles não chorou tão alto como um bebê normal, não importava quantas vezes o médico batia no bumbum de Ichiro. Só lágrimas rolaram pelo seu rostinho rechonchudo.

O médico fez vários exames repetidamente, mas não encontrou nada errado com o bebê. Ele assegura ao Papai e à Mamãe que não há nada errado com o filho deles.

O bebê deles era bem quietinho e só chorava um pouquinho se ele precisava de leite ou trocar a fralda. Provavelmente ele era o bebê mais fácil de cuidar.

Quando Ichiro fez seis meses, Papai apresentou-o ao mundo das cores através dos giz-de-cera. Papai se deliciou ao ver o quão fascinado Ichiro pareceu.

No dia seguinte, as paredes estavam cheias de rabiscos e nenhum canto foi poupado. Com cores pelo rosto todo, Ichiro sorriu e desenhou uma linha azul pela face estarrecida do Papai.

Papai e Mamãe estavam começando a se preocupar com Ichiro novamente quando Ichiro não havia dito uma só palavra quando latentes de sua idade já conseguiam falar “mamãe”. Ichiro só conseguia dizer sons incompreensíveis. Eles tentaram ensinar Ichiro todo dia, mas Ichiro não parecia se esforçar.

Então um dia que Mamãe voltou pra casa comentando com o Papai a pechincha que ela conseguiu fazer no mercado, os dedinhos de Ichiro apontaram para a criatura nas mãos da Mamãe.

“Peixe.”

Mamãe deixou cair tudo o que tinha em mãos incluindo o enorme robalo. “Ele… falou!”

Os olhos de Ichiro encontraram os olhos mortos do robalo e ele engatinhou até a criatura. Ele olhou por um momento e começou a rir.

“Papai… ele falou!”

Papai a abraça pela altura dos ombros e diz, “Eu sei, mas…” ele deu uma olhada para Ichiro rindo para o bicho morto. “Por que peixe?”

*

Ichiro deu um puxão na camisa do Papai quando viu a barriga da Mamãe de sete meses.

“Umai?” ele perguntou com um dedinho apontado pra barriga da Mamãe.

Papai deu um tapinha na cabeça do Ichiro.

Ao contrário de Ichiro, Jiro chorou como um bebê normal após Mamãe ter dado à luz.

“Sensei, é menino ou menina?” Mamãe perguntou, exausta.

“É uma-, um menino.” O doutor pigarreou. “É um menino.”

“Por que você quase falou que era uma menina?” perguntou Papai.

“Veja só…” o médico começou. “Eu trabalho nessa área há tanto tempo que às vezes fica um tanto monótono. Então, eu tentei começar a determinar o sexo dos recém-nascidos sem olhar para a parte de baixo…”

Que doutor estranho, Papai pensou. “Há alguma coisa sobre o torso do meu filho que fez o senhor se enganar?”

“Ele tem os ombros muito inclinados…”

Quando Jiro chegou em casa pela primeira vez, ele estava chorando e Mamãe não fazia idéia do porquê. Não era fome e nem precisava ser trocado. Ela tentou ninar Jiro para ele dormir, mas ele não parava de chorar.

Ichiro, que estava em seu quarto silenciosamente vendo o Papai limpar as paredes pela enésima vez, ouviu seu irmãozinho chorando e engatinhou até Mamãe e Jiro.

Mamãe viu Ichiro e disse, “Ichiro, esse é o Jiro. Diga oi.”

Ichiro olhou Jiro que ainda chorava e saiu. Mamãe suspirou.

Dois minutos depois, Jiro continuava chorando e Papai e Mamãe já não sabiam mais o que fazer.

Ichiro então veio até o local com um objeto em suas mãos.

“Ichiro, põe de volta onde você achou,” Papai mandou.

Ichiro ignorou-o e colocou na frente dos olhos de Jiro.

Jiro parou de chorar.

Ichiro sorriu e rodou o mini-globo revelando continentes e países a Jiro.

Jiro pareceu se apaixonar por globos.

*

Quando Ichiro tinha três aninhos e Jiro completou um, Mamãe engravidou outra vez.

Perto dos nove meses, Jiro apontou para a barriga redonda da Mamãe. “Globo”.

Mamãe riu de seu filho e afagou sua cabeça. “Nem tudo que é redondo é um globo.” Ela pegou a mão de Jiro e colocou na barriga dela. “É seu irmãozinho.”

Quando a bolsa d’água da Mamãe estourou, foi dito que Ichiro e Jiro deveriam ficar em casa.

Logo que o bebê nasceu, o médico bateu no pequenino bumbum de Saburo. Não houve lágrima.

“Será que…” Os olhos do Papai arregalaram-se. “Nosso bebê está rindo?” O doutor só pôde responder com um olhar confuso e então adicionou, “Ele é um garoto saudável”.

“Sa-bu-ro,” Jiro tentou para ver como soaria ele dizendo.

Ichiro e Jiro esticaram-se para tocar cada um uma bochecha do irmão.

Saburo riu.

Ichiro e Jiro se afastaram, mas Saburo continuou a sorrir. Os olhos do Ichiro encontraram os do Jiro e em menos de três segundos, eles todos estavam rindo sem motivo aparente.

Papai e Mamãe estavam silenciosamente olhando suas três crianças.

“Um bebê recém-nascido não deveria saber rir!” Papai sussurrou.

Mamãe suspirou. “E alguma de nossas crianças é normal?”

Papai e Mamãe estavam tão aliviados quando Saburo começou a chorar após um mês. Entretanto, aquela criança continuava a rir toda vez que via Ichiro ou Jiro.

Quando Saburo tinha oito meses de vida, um zoológico foi inaugurado perto da casa deles e Papai decidiu levar seus três filhos para um passeio por lá.

“Very danger!” Saburo exclamou. Em Inglês.

Estas foram suas primeiras palavras. Não ‘Papai’ ou ‘Mamãe’.  Papai acha que não quer mais entender seus filhos.

Uma semana depois, Papai compra um cachorro para eles. Saburo pulou para lá e para cá quando ele viu a criatura e chamou-o de ‘Cuticle’ imediatamente.

(“Ichiro! Saburo! Vistam suas fraldas! Só porque o Cuticle não usa roupas, não quer dizer que vocês podem ficar nus por aí!”)

Logo Cuticle virou um familiar insubstituível.

*

A empolgação de Saburo quando ele soube da existência de Shiro foi de longe muito maior que a de qualquer criança com dois anos de idade.

Ele pulava o mais alto que suas perninhas agüentavam quando Mamãe voltou do hospital com Shiro em seus braços.

“Shiro! Shiro-chan!”

Os bracinhos de Shiro se soltaram para os lados, balançando. Saburo, que ainda estava pulando teve a cabeça atingida pela mãozinha do Shiro.

“Ai!” Saburo chorou.

Ichiro, que estava olhando Saburo, disse, “Mamãe, Shiro bateu na cabeça do Saburo.”

“Bobagem,” Mamãe respondeu. “Shiro acabou de chegar neste mundo.Não tem como ele acertar seu irmão de propósito.”

“Mas-“

“Vista sua fralda!”

No ano em que Shiro nasceu, Papai comprou um Nintendo para seus filhos brincarem, Saburo tendia a sentar ao lado de Shiro quando jogava com o seu e Shiro olhava para a tela com um brilho nos olhos.

Os primeiros sons que Shiro fez foram de espadas cortando, tiros e efeitos sonoros de socos.

Quando Shiro começou a engatinhar, ele sempre aparecia milagrosamente perto do Papai quando Papai contava dinheiro. E quando uma ou duas notas estavam faltando, Papai orava para que Shiro ainda não tivesse molhado suas fraldas.

Por um acaso se elas não estivessem na fraldinha do Shiro, Papai sabia que tinha que olhar dentro das calças do Ichiro.

*

No ano seguinte, Goro nasceu no mês de Agosto.

Papai deixou seus filhos com o Tio Nagase quando teve que levar a Mamãe pro hospital às pressas. (“Nii-san.” “NÃO ME CHAMA DE NII-SAN!”)

Mamãe ficou com Goro por três dias no hospital e Papai levou seus quatro filhos para casa após uma noite na casa do Tio Nagase.

Jiro estava desenhando na sala de estar e pela primeira vez não segurando um globo quando Papai e Mamãe chegaram (“Jiro-nii, é um boneco de neve? Por que ele tem cabelo?” “É o Totoro!”)

Quando os quatro irmãos gesticularam para a Mamãe que eles queriam olhar Goro, o bebê começou a chorar quando estava afastado da Mamãe. Mamãe imediatamente pegou Goro no colo de novo.

“Mamãe, ele está segurando alguma coisa,” Jiro apontou.

“Seu anel,” Shiro acrescentou.

Ichiro e Jiro se revezavam tomando conta de Goro enquanto Saburo e Shiro apenas os seguiam pela casa, enquanto ainda eram pequenos.

Jiro fazia a maioria das tarefas como dar mamadeira a Goro ou trocar suas fraldas. Papai estava muito orgulhoso de Jiro.

Ichiro, aparentemente percebeu o interesse de Goro em anéis e só o que ele fazia era dar a Goro um dos anéis do Papai toda vez que Goro chorava.

Esse plano não falhava nunca.

Talvez por serem apenas garotos, Ichiro, Jiro, Saburo e Shiro às vezes vestiam Goro de menina. Quando Goro acabava chorando e reclamando, eles fugiam e deixavam Goro só trajando um vestido.

Toda noite no jantar, Papai tinha de lembrá-los que Goro era um menino.

Goro, conforme cresceu, aprendeu a despir-se dos vestidos, e revirava os armários dos irmãos e então engatinhava até a Mamãe com as melhores roupas deles gesticulando para que ela o ajudasse a vesti-las. Era incrível aos olhos da Mamãe como Goro poderia saber que aquelas eram as melhores roupas de seus irmãos.

*

“Crianças, o que vocês estão fazendo?”

“Saburo-nii disse que pensou num jogo com balões.”

“Chama-se Jogo Explosão de Peitos! É bem fácil! Você coloca dois balões por baixo da blusa e os estoura sem usar as mãos!” Saburo declarou feliz.

Papai suspirou e decidiu que era melhor deixar seus filhos a sós para que as paredes continuassem limpas, seu novo globo intacto, a cozinha inteira e seu dinheiro e jóias a salvo.

Póu.